Jornal do Fla
·27 luglio 2026
Voto remoto no Flamengo: conselheiros lançam proposta de reforma estatutária; entenda

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·27 luglio 2026

Conselheiros do Flamengo articulam uma proposta de reforma estatutária para implementar o voto híbrido nas eleições do clube. A mobilização conta com um abaixo-assinado público e também busca reunir assinaturas de conselheiros. Autor da proposta, Walter Monteiro conversou com o Jornal do Fla e explicou os motivos da iniciativa.
Conselheiro e candidato à presidência do Flamengo em 2021, Walter protocolou um requerimento formal de Reforma Estatutária pedindo a inclusão do tema pelo chamado Rito Sumário, previsto no Regimento Interno do Conselho Deliberativo (RICODE).
Para isso, a proposta precisa reunir a assinatura de ao menos 150 conselheiros em pleno gozo de seus direitos, número que, segundo o próprio documento, já foi atingido pelos subscritores listados em anexo.
A votação híbrida era uma das promessas de campanha do presidente Luiz Eduardo Baptista, mas acabou fora do novo Código Eleitoral aprovado em julho. Segundo a Comissão Permanente Eleitoral, o assunto gerou “intensos debates e posicionamentos divergentes”, e não havia consenso para incorporar a mudança.
Autor da proposta, Walter Monteiro afirma que a iniciativa foi construída justamente a partir desse entendimento da Comissão Permanente de Estatuto (CPE). Segundo ele, a retirada do tema da reforma eleitoral não representou uma rejeição ao voto remoto, mas a oportunidade de discuti-lo separadamente.
“Havia esperança de que a Reforma Eleitoral contemplasse o voto híbrido, até porque, três anos atrás, ele foi proposto pelo então presidente da Assembleia Geral e sequer chegou a ser votado em plenário. A leitura que fiz do parecer final da Comissão Permanente de Estatuto é de que esse tema, ao dividir opiniões, mereceria uma discussão específica sobre ele. Essa proposta de emenda vai ao encontro dessa opinião da CPE”, afirmou ao Jornal do Fla.
O requerimento cita justamente esse parecer da Comissão Permanente de Estatuto, que concluiu que o voto remoto “não apenas pode, mas efetivamente merece ser submetido a debate autônomo e aprofundado”

Walter Monteiro, autor da proposta pelo voto remoto no Flamengo. Foto: Reprodução/ X @womonteiro
O requerimento propõe alterar cinco dispositivos do Estatuto Social: os artigos 82 (§ 3º), 83, 150 (parágrafo único), 151 e 152. Entre as principais alterações estão a criação da modalidade remota de votação, regras de autenticação digital e garantias de sigilo e auditoria do processo.
Artigo 82, § 3º
Hoje diz que as eleições da Assembleia Geral “serão realizadas de forma presencial, por cédula impressa de votação, sendo facultado, ante possibilidade técnica comprovada, a utilização de urnas eletrônicas.”
A proposta muda para: “serão realizadas de forma híbrida, nas modalidades presencial e remota (…) A modalidade remota será realizada por meio de plataforma eletrônica previamente definida, assegurados a autenticação digital do eleitor, o sigilo do voto e a auditabilidade de todo o processo.”
Artigo 150, parágrafo único
O texto atual garante “um sistema de recolhimento dos votos imune a fraude, seguro e passível de auditoria, com o acompanhamento da apuração pelos candidatos e meios de comunicação”, sem citar formato remoto.
A proposta insere a expressão “no formato presencial e por sistema eletrônico no formato remoto” logo no início do parágrafo, mantendo o restante do texto.
Artigo 151, inciso VIII
Hoje o dispositivo só prevê opções de voto nulo e em branco “no caso da votação por urna eletrônica”. A proposta acrescenta que, “no caso de votação eletrônica remota, o eleitor autenticado digitalmente terá acesso (…) à cédula digital correspondente, com opções de voto nulo e em branco, sendo vedada, sob qualquer hipótese, a identificação do voto individual.”
A justificativa do requerimento argumenta que a mudança ampliaria o acesso ao voto “especialmente para associados residentes fora do Rio de Janeiro, com mobilidade reduzida ou impossibilitados de comparecer presencialmente” na janela de votação, replicando para a Assembleia Geral o mesmo padrão de autenticação e auditabilidade já adotado pelo Conselho Deliberativo desde maio de 2025.
O que não muda
A proposta também estabelece uma exceção para decisões consideradas “existenciais” do clube. Casos como fusão, dissolução do Flamengo ou eventual transformação em SAF continuariam exigindo votação exclusivamente presencial, mantendo o modelo atual previsto no Estatuto.
Segundo Walter Monteiro, a escolha foi deliberada para preservar a solenidade de decisões que podem alterar a própria existência do clube.
“Optamos por deixar de fora do modelo híbrido apenas as questões que dizem respeito à existência do Flamengo. Se alguém, um dia, resolver vender o Flamengo ou acabar com ele, precisará de um consenso muito amplo, em um evento muito especial. Consideramos que dar o máximo de solenidade a esse momento é uma defesa da instituição.”
Walter Monteiro acredita que o modelo seria semelhante ao já utilizado pelo Conselho Deliberativo desde 2025. Hoje, parte dos conselheiros participa presencialmente das sessões, enquanto a maioria vota remotamente por meio da mesma plataforma eletrônica.
“Imagino que será bem parecido com as votações atuais do Conselho Deliberativo, onde um terço costuma ir presencialmente e dois terços votam remotamente. Mas ambos votam na mesma plataforma. Quem pode ir à Gávea seguirá indo”, explicou.
Para ilustrar a proposta, o conselheiro fez uma comparação com a compra da camisa do Flamengo.
“Costumo comparar esses processos à compra de um novo modelo do Manto Sagrado. É mais divertido ir até a loja comprar a camisa, mas quem compra pela internet recebe o mesmo produto, pelo mesmo preço. É uma questão de escolha entre a diversão e a comodidade.”
Para tramitar pelo Rito Sumário, o requerimento precisa reunir a assinatura de pelo menos 150 conselheiros em pleno gozo de seus direitos. Caso alcance esse número, a proposta poderá seguir por um procedimento mais rápido, dispensando a fase de emendas.
Se o pedido for aceito, o texto será encaminhado para parecer conclusivo da Comissão Permanente de Estatuto, que terá até dez dias para se manifestar. Em seguida, a matéria poderá ser incluída na pauta de uma sessão extraordinária do Conselho Deliberativo.
Walter Monteiro afirma que a mobilização tem encontrado boa receptividade entre os conselheiros, embora o grupo ainda trabalhe para alcançar todos os aptos a assinar o requerimento.
“A receptividade tem sido muito boa. Nossa maior dificuldade é acessar a todos, mas estamos caminhando bem”, afirmou.
Mesmo seguindo pelo rito sumário, a proposta continuará sendo tratada como uma reforma estrutural do Estatuto e permanecerá sujeita aos quóruns qualificados previstos pelo clube. A aprovação ainda em 2026 seria necessária para que a mudança pudesse valer já na eleição presidencial de 2027.
Para acessar a proposta completa e a petição pública, acesse: votoremotonofla.com.br.
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