Zubeldía, o encantamento e o labirinto. | OneFootball

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·7 maggio 2026

Zubeldía, o encantamento e o labirinto.

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Houve um tempo — não tão distante assim — em que o nome de Zubeldía era pronunciado nos corredores do jornalismo esportivo brasileiro como um dos destaques positivos da temporada. Diziam, e com razão, que o Fluminense jogava o melhor futebol do Brasil. Um time organizado, com identidade, proposta clara e, principalmente, resultados — que validavam o discurso. O argentino chegou às Laranjeiras com ares de renovação, para substituir Renato Gaúcho, que deixava o cargo, e entregou, num primeiro momento, exatamente o que prometeu.

Mas o futebol, como a vida, não perdoa quem para no tempo.


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O maior problema de Zubeldía, na visão dessa que vos escreve, hoje não é lentidão de raciocínio. Não é falta de preparo. É algo mais profundo e, paradoxalmente, mais difícil de corrigir: a incapacidade de abandonar o plano traçado, independentemente do que o jogo lhe diz.

A impressão que eu tenho é que nada do que aconteça diante dos seus olhos — e de sua comissão técnica — será capaz de dissuadi-lo de seguir, à risca, o que foi traçado em seu plano de jogo. E isso me intriga muito. Se até mesmo um plano de voo, que é alterado sempre que necessário para evitar tempestades, por exemplo, ou outro contratempo, é feito, não compreendo os motivos que prendem nosso comandante a seu plano.

O mundo pode estar desmoronando em campo — um volante com cartão amarelo pendurado, um jogador claramente em dia ruim, o adversário explorando um espaço que grita por correção — e o técnico segue inabalável, esperando o momento que ele mesmo programou para agir. Geralmente aos 30 minutos do segundo tempo, geralmente fazendo exatamente o que já havia decidido antes do apito inicial. O contexto, para ele, parece ser apenas ruído.

Isso não é convicção. Parece-me mais uma teimosia, que vem disfarçada de método.

É preciso ser justo na análise: Zubeldía teve pré-temporada. Teve voz ativa na montagem do elenco. O Fluminense trouxe um dos maiores meias em atividade no futebol sul-americano, um lateral selecionável, um zagueiro destaque, outro zagueiro com experiência internacional e um centroavante — bom cabeceador, mas que, quando sai da área, alterna entre bons e péssimos momentos. Teve condições que muitos treinadores no futebol brasileiro sequer sonham em ter. A estrutura para construir algo sólido estava ali, e ele a usou bem — durante um tempo.

Por isso mesmo, é difícil aceitar uma queda tão brusca. O adiamento do clássico contra o Flamengo, o desgaste com viagens, os ruídos extracampo — nada disso, isoladamente ou em conjunto, tem força suficiente para desmontar uma equipe que funcionava, que tinha alma, que tinha jogo. Times com identidade real resistem a intempéries. Por outro lado, times que dependem exclusivamente de um roteiro pré-determinado, não.

O que vemos há cerca de um mês e meio é um Fluminense que parece ter perdido o fio condutor. E esse fio estava nas mãos do treinador.

Vamos ser diretos: o Fluminense, no futebol que apresenta hoje, não merece uma vaga na Libertadores. Isso não é crueldade — é diagnóstico. Se estivesse jogando no nível que chegou a apresentar, estaria em outra posição na tabela. A classificação, quando vem sem mérito, é golpe de sorte. E sorte não constrói projeto.

A boa notícia? Ainda há tempo. O campeonato não acabou, e o grupo tem qualidade. Diante disso, o que deveria fazer o nosso treinador?

A resposta mais honesta é também a mais simples: sentar, olhar para dentro e perguntar o que mudou.

A receita que funcionou deixou de ser praticada? Então é preciso voltar às origens, resgatar os princípios que fizeram aquele time bonito de se ver. Ou esse modelo já não funciona mais, porque os adversários o decifraram? Então é hora de inovar, de surpreender, de mostrar que há mais de uma camada nesse trabalho.

Conversar com as lideranças do elenco não é fraqueza — é inteligência. Resgatar a tranquilidade que sempre foi sua marca registrada não é conformismo — é necessidade. A torcida tricolor precisa voltar a sonhar, e esse sonho passa, obrigatoriamente, pela mesa de trabalho de um treinador que precisa se reencontrar.

Só ele tem a resposta. Só tem um detalhe: o calendário não vai esperar.

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