Calciopédia
·04 de fevereiro de 2026
23ª rodada: a Juventus encantou, goleou o Parma e superou a Roma na briga pelo G4

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·04 de fevereiro de 2026

“É a Juve mais bonita em que eu já joguei”, resumiu McKennie. Não há definição melhor para explicar o entusiasmo do torcedor bianconero com a fase atual do time. Mesmo nos bons momentos recentes, a Juventus nunca apresentou um futebol tão vistoso quanto o que pratica sob Luciano Spalletti. O reflexo aparece em campo: individualmente, todos evoluíram – e muito. Nesta rodada, quem pagou a conta foi o Parma, goleado por 4 a 1, com dois gols de Bremer, simplesmente inalcançável no jogo aéreo em comparação com qualquer outro jogador em atividade.
Apesar do ótimo momento, porém, a Velha Senhora segue distante da briga pelo scudetto, ainda que tenha ganhado terreno na corrida por vaga na Champions League com a entrada no G4. Implacável contra equipes da metade inferior da tabela, a Inter manteve os 100% de aproveitamento ante tais times ao superar a Cremonese, em partida que também marcou mais um recorde de Lautaro. Logo atrás, o Milan deu sequência à sua invencibilidade de 22 jogos na Serie A e venceu o Bologna por 3 a 0 no Renato Dall’Ara – resultado que representou a terceira derrota consecutiva dos rossoblù na liga nacional. Sinal de alerta.
Vendo a Juventus pelo retrovisor, o Napoli não afrouxou mesmo após a eliminação na Champions League. Recebeu e venceu a Fiorentina com mais um gol de Vergara. Já são duas partidas consecutivas balançando as redes para o jovem napolitano. que promete ganhar ainda mais minutos nas próximas rodadas.
Vacilante, a Roma perdeu para a Udinese fora de casa e tropeçou pela segunda rodada seguida, sendo empurrada para fora do G4 pelo trem-bala bianconero. O Como também poderia viver cenário mais confortável, mas desperdiçou a vantagem numérica diante da Atalanta e esbarrou em uma atuação irretocável de Carnesecchi, coroada com defesa de pênalti nos acréscimos. Essas e outras histórias você confere no resumo da jornada.
Gols e assistências: Cambiaso (contra); Bremer (Conceição), McKennie (Kalulu), Bremer (David) e David Tops: Bremer e McKennie (Juventus) Flops: Troilo e Oristanio (Parma)
A transição de água para o vinho continua na Juventus. Após um período de apostas, um treinador consolidado encontrou soluções e faz os bianconeri jogarem seu melhor futebol em anos. O reconhecimento vem de dentro: McKennie e Bremer destacaram publicamente o impacto de Luciano Spalletti, tanto no modelo de jogo quanto na gestão do elenco. Agora, os piemonteses assumiram a quarta colocação, deixando a Roma para trás.
O Parma, que sofreu sua segunda goleada seguida, nunca entrou no jogo. Dominado desde o início, viu a Velha Senhora impor ritmo e repertório. Na bola parada, Bremer mostrou por que é um dos melhores do mundo no jogo aéreo e abriu o placar com força. O brasileiro ainda marcaria novamente no segundo tempo, tornando-se o zagueiro com mais gols nas principais ligas europeias desde que se firmou como titular no futebol italiano, em 2019.
McKennie ampliou atacando a área, em um de seus movimentos característicos. O imparável David, chegando à sua sétima participação direta em gol em 2026, fez o quarto. O único ponto negativo para os visitantes foi o erro grave de Cambiaso, que marcou contra e voltou a ser alvo de críticas nas redes – algo recorrente desde falhas semelhantes em jogos anteriores.
Gols e assistências: Lautaro (Dimarco) e Zielinski (Luis Henrique) Tops: Lautaro e Dimarco (Inter) Flops: Audero e Pezzella (Cremonese)
Exemplar, a Inter não falha contra adversários da segunda metade da tabela – em casa ou fora. Sempre que enfrentou equipes que se encaixam nesse recorte, venceu. Mesmo sob críticas por tropeços em jogos grandes, a campanha sugere que esse padrão pode ser suficiente para o scudetto: a liderança segue confortável. Já a Cremonese, após juntar bastante gordura com ótimas atuações em parte do primeiro turno, despencou na tabela por conta de nove rodadas sem triunfos e precisa ligar o sinal de alerta.
A vitória da líder foi protocolar. Dominante no primeiro tempo, o time abriu o placar com Lautaro, de cabeça, em gol que o igualou a Altobelli como quarto maior artilheiro da história da Beneamata na Serie A – 128 para cada. Ainda antes do intervalo, Zielinski, vivendo sua melhor temporada desde que chegou a Milão, acertou um chute de fora da área e, contando com erro de Audero, definiu o placar. Aliás, o goleiro indonésio, ex-nerazzurro, seria atingido por um rojão proveniente do setor visitante mais tarde e seria corajoso para permanecer em campo. O autor do ato deplorável foi identificado e preso.
Implacável contra rivais da parte baixa da tabela, a Inter superou a Cremonese e manteve vantagem na liderança (Getty)
Gols e assistências: Loftus-Cheek (Rabiot), Nkunku (pênalti) e Rabiot Tops: Rabiot e Nkunku (Milan) Flops: Miranda e Zortea (Bologna)
Sem dificuldades, o Milan venceu com autoridade o Bologna fora de casa, ampliou para 22 jogos a sequência de invencibilidade na Serie A e segue na perseguição à rival nerazzurra. Mesmo sem Pulisic e Rafael Leão, suas principais peças ofensivas, o time de Massimiliano Allegri viu os reservas corresponderam, com a dupla de ataque escolhida sendo decisiva. E, mais uma vez, Rabiot foi fundamental – não apenas pelas participações diretas nos gols, mas pela onipresença em campo e pela inteligência nas conduções.
Loftus-Cheek abriu o placar após boa chegada, depois de quase Nkunku marcar de cabeça. Ainda no primeiro tempo, o francês sofreu pênalti e ele mesmo converteu. Se Paz desperdiçou as três cobranças que teve na Serie A, Nkunku mantém aproveitamento perfeito: três cobranças, três gols. No início da segunda etapa, Rabiot aproveitou erro de Miranda e fechou o placar, sem dar margem ao acaso. Terceira derrota consecutiva do Bologna de Vincenzo Italiano, cada vez mais distante da briga por vagas em competições europeias.
Gols e assistências: Vergara (Meret) e Gutiérrez (Vergara); Solomon Tops: Vergara e Meret (Napoli) Flops: Pongracic e Fabbian (Fiorentina)
Fora da Champions League e com o elenco ainda remendado, o Napoli respondeu em campo e segurou a terceira posição da Serie A ao vencer com justiça a Fiorentina. O destaque voltou a ser Vergara, uma revelação tardia: não pela qualidade, mas pela idade. Aos 23 anos, o canhoto finalmente ganha espaço e aproveita os minutos surgidos em meio à crise de lesões. Ele já havia marcado contra o Chelsea e repetiu a dose no sábado.
Foi de Vergara o gol que abriu o placar. Meret fez a ligação direta, e o camisa 26 atacou o espaço entre os defensores da Viola para vencer De Gea. O início dos donos da casa foi forte, embora o placar mínimo não refletisse totalmente o domínio azzurro. O segundo gol saiu após o intervalo, com Gutiérrez, improvisado pela direita, trazendo para a perna boa e finalizando como um típico ponta de pé invertido. Solomon marcou o gol de honra dos visitantes, que seguem na zona de rebaixamento.
Em atuação sólida, o Milan ampliou tanto sua sequência de invencibilidade quanto a crise do Bologna na Serie A (Getty)
Gol: Ekkelenkamp Tops: Solet e Ekkelenkamp (Udinese) Flops: Wesley e Malen (Roma)
Sem poder contar com seus torcedores em partidas fora de casa, a Roma não encontrou forças para reagir diante da Udinese e voltou a tropeçar pela segunda rodada consecutiva. Fora da zona de classificação à Champions League, o tema ganhou destaque também na coletiva pós-jogo de Gian PieroGasperini: “se ficarmos fora da Liga dos Campeões, troquem o treinador”, disparou, em crítica direta à falta de clareza nos objetivos do clube e à pressão permanente por resultados.
A Udinese não tinha nada a ver com isso. Sem Zanoli, fora até depois do fim da temporada, Kosta Runjaic armou o time com dois meias atrás de Davis, Atta e Ekkelenkamp. O holandês, especialista em chutes de longa distância, contou com desvio na barreira para superar Svilar e marcar, em cobrança de falta de bem longe, o único gol da partida. A má notícia para os friulanos veio depois: artilheiro da equipe, com sete tentos, Davis sofreu lesão muscular no adutor da perna esquerda e deve ficar cerca de quatro semanas fora de ação.
Tops: Da Cunha (Como) e Carnesecchi (Atalanta) Flops: Paz (Como) e Ahanor (Atalanta)
Com 79% de posse de bola, 28 finalizações, 12 grandes chances criadas e nenhum gol, o Como viveu uma tarde estatisticamente histórica – e frustrante. Mesmo com vantagem numérica desde o início, não conseguiu transformar domínio em placar e ainda bateu o recorde de time que teve maior xG sem encontrar as redes nos últimos quatro anos.
Logo aos oito minutos, Ahanor foi expulso após acertar o rosto de Perrone. O time de Raffaele Palladino ficou exposto após o defensor ter sido defenestrado. Scamacca deu lugar a Sulemana, De Ketelaere ficou isolado, e a Atalanta praticamente deixou de existir ofensivamente. O duelo virou um monólogo dos lariani, barrados pela própria ineficiência ou por Carnesecchi.
Nos acréscimos, a chance derradeira: pênalti para o Como, Paz na bola. Assim como nas duas últimas cobranças na Serie A, o argentino desperdiçou. Carnesecchi defendeu e coroou atuação impecável, garantindo um pontinho para a Dea em um jogo que poderia facilmente ter terminado em goleada. Assim, a diferença entre sexto e sétimo colocados seguiu a mesma – de cinco pontos.
Contando com protagonistas inesperados, o Napoli venceu a Fiorentina e vai tentando responder à má fase (Getty)
Gols e assistências: Pedro (pênalti), Taylor (Isaksen) e Cataldi (pênalti); Malinovskyi (pênalti) e Vitinha Tops: Cataldi (Lazio) e Malinovskyi (Genoa) Flops: Provstgaard (Lazio) e Martín (Genoa)
Um boicote organizado pela torcida da Lazio deixou o Olímpico praticamente vazio, mas nem isso impediu que o time de Maurizio Sarri lutasse até o último minuto para arrancar três pontos diante de um Genoa competitivo, sob a batuta do romanista Daniele De Rossi. O treinador interpretou a ação dos ultras como um “ato de amor”, e não como abandono. A manifestação contundente foi uma resposta direta a uma janela de transferências considerada pouco ambiciosa, marcada por perdas relevantes e chegadas tratadas como apostas.
Em campo, Maldini fez sua estreia pelos laziali. Mostrou disposição, mas teve atuação discreta, especialmente em um primeiro tempo apagado de ambos os times. A partida ganhou tração após o intervalo, quando saíram todos os gols – e não faltaram pênaltis, com algumas polêmicas pela marcação do primeiro deles, por toque de mão de Martín.
Pedro abriu o placar da marca da cal, em comemoração que viralizou pela ausência quase total de torcedores. Pouco depois, Taylor ampliou, marcando pela primeira vez com a camisa da Lazio. A reação dos rossoblù foi rápida: Malinovskyi, também de pênalti, diminuiu, e Vitinha deixou tudo igual após jogada em que o ucraniano quase marcou um gol olímpico, acertando a trave. Nos acréscimos, nova penalidade para os mandantes. Cornet tentou inutilmente apagar a marca da cal, mas Cataldi converteu e decretou a vitória aos 100 minutos. Torcedor celeste, o volante foi gelado novamente e se garantiu como dono de dois dos três gols mais tardios da história da Serie A.
Gols e assistências: Mazzitelli (Obert), Kiliçsoy (Esposito), Sulemana e Idrissi (Zappa) Tops: Kiliçsoy e Palestra (Cagliari) Flops: Frese e Valentini (Verona)
É raro, mas acontece: o Cagliari venceu pela terceira vez consecutiva e afundou um adversário direto na luta contra o rebaixamento. O Verona, lanterna da competição, não ofereceu resistência diante de um dos times mais organizados desde o início do campeonato. A aposta em Fabio Pisacane segue se mostrando acertada e encaminha uma salvezza tranquila para a equipe da Sardenha.
Após um início truncado, os gols vieram pouco antes do intervalo. Mazzitelli chegou à sua quarta participação direta em gol em sete jogos, em jogada que também merece destaque pela construção de Palestra – que, de longe, vem sendo o melhor ala direito do campeonato. O segundo saiu em um belo voleio de Kiliçsoy, promessa turca que vem se destacando nos últimos meses.
Na segunda etapa, a expulsão de Sarr facilitou o cenário para os mandantes. Com amplo domínio, os sardos exploraram os espaços deixados pelo adversário e transformaram o triunfo em goleada. Sulemana, acionando a lei do ex, marcou o terceiro, e Idrissi fechou o placar – foi o segundo gol do jovem na Serie A, e novamente contra o Verona.
Gols e assistências: Aebischer (Durosinmi); Berardi (Thorstvedt), Caracciolo (contra) e Koné (Matic) Tops: Berardi e Matic (Sassuolo) Flops: Caracciolo e Tramoni (Pisa)
Chegou ao fim a passagem de Alberto Gilardino pelo Pisa. Uma única vitória em 23 rodadas tornou a situação insustentável. Dentro desse recorte, houve atuações competitivas e bons inícios de jogo, quase sempre desperdiçados por limitações estruturais do pobre elenco nerazzurro e pela incapacidade recorrente de sustentar vantagens. Dentro dessa situação, o resultado foi um time afundado na lanterna, empatado com o Verona, com apenas 14 pontos.
O Sassuolo aproveitou o cenário. De volta com seu trio ofensivo habitual após nove rodadas, o time neroverde contou com sua maior referência técnica para sair na frente. Em jogada individual, Berardi bateu forte de direita e abriu o placar. Ainda antes do intervalo, o camisa 10 forçou um cruzamento rasteiro que terminou em gol contra de Caracciolo.
O Pisa tentou reagir. Voltou melhor no segundo tempo e diminuiu com um golaço de Aebischer, vivendo seu melhor momento na partida. O balde de água fria veio rapidamente. Primeiro, Idzes salvou o empate em cima da linha. Depois, Koné recebeu livre na área e fechou o jogo com extrema facilidade, mantendo os emilianos no meio da tabela.
Gol e assistência: Adams (Vlasic) Tops: Adams (Torino) e Falcone (Lecce) Flops: Pierotti e Cheddira (Lecce)
Não foi apenas a torcida da Lazio que protagonizou protestos nesta rodada. Em Turim, a Curva Maratona permaneceu vazia como símbolo da insatisfação com a gestão de Urbano Cairo, agravada pelos maus resultados e pela goleada sofrida diante do Como na semana anterior. Em campo, o time respondeu às manifestações dos ultras grenás, que têm sido comuns nesta década.
Apesar do placar mínimo, foi uma boa atuação. Adams marcou o único gol após assistência primorosa de Vlasic, que comandou o setor ofensivo e criou chances suficientes para uma vantagem maior. Faltou pontaria – e sobraram defesas do sempre seguro Falcone. Na principal oportunidade criada pelo croata, Zapata finalizou com força, mas o goleiro do Lecce fez intervenção espetacular.
Carnesecchi (Atalanta); Palestra (Cagliari), Bremer (Juventus), Solet (Udinese), Dimarco (Inter); McKennie (Juventus), Rabiot (Milan); Berardi (Sassuolo), Esposito (Cagliari), Kiliçsoy (Cagliari); David (Juventus). Técnico: Luciano Spalletti (Juventus).








































