Calciopédia
·15 de setembro de 2026
4ª rodada: vitória em Turim e nova virada em Milão mantêm Roma e Inter perfeitas na Serie A

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·15 de setembro de 2026

Entretenimento? Temos! A quarta rodada da Serie A manteve o campeonato no mesmo tom frenético das anteriores. A Inter voltou a sair atrás no placar, dessa vez diante da Udinese, mas transformou mais um susto em espetáculo e venceu por 5 a 3, chegando aos 12 pontos em 12 possíveis. Antes de a atual campeã entrar em campo, a Roma, por sua vez, não precisou de qualquer tipo de resgate. Passou pelo Torino com segurança, venceu a quarta em quatro partidas e segue mostrando que a largada extraordinária de Gian Piero Gasperini está longe de ser apenas empolgação passageira. Os nerazzurri e os giallorossi, portanto, terminaram a jornada como únicas equipes com 100% de aproveitamento justamente antes de se encontrarem no próximo sábado.
Noutro encontro envolvendo romanos e milaneses, Lazio e Milan fizeram um jogaço no Olímpico, no qual os biancocelesti tiveram um primeiro tempo praticamente perfeito e chegaram a abrir 2 a 0, antes de Ruben Amorim desmontar e remontar seu time no intervalo. A resposta veio com Moreira, autor dos dois gols que mantiveram os rossoneri invictos e tiraram os 100% dos capitolinos, que ainda não foram derrotados. Quem também não perdeu nesta Serie A é o Como, cada vez menos disposto a ser tratado apenas como intruso. Mesmo sem repetir o brilho de outras atuações, a equipe de Cesc Fàbregas venceu o Parma por 2 a 1, chegou aos 10 pontos e mostrou muita maturidade em uma vitória quase protocolar. Surpresa, esse sim, é o Cagliari, quinto colocado com nove.
Neste fim de semana é provável que nenhuma equipe precisasse tanto de uma vitória quanto a Fiorentina. A troca no comando teve efeito imediato: na reestreia de Paolo Vanoli, a Viola virou sobre o Venezia, fez quatro gols e finalmente saiu do zero. O responsável por transformar alívio em espetáculo foi Mastantuono, que desencantou na Serie A com uma tripletta e comandou uma vitória que, ao menos por uma rodada, colocou a crise no retrovisor. Napoli e Lecce também encontraram respostas importantes, enquanto o Sassuolo aproveitou uma noite caótica para derrotar a Juventus. E aqui mora uma das primeiras grandes interrogações do campeonato, já que, com sete pontos em quatro partidas, a Velha Senhora já se encontra em um buraco. Um abismo que, claro, ecoa um som muito conhecido e que passará a perseguir Luciano Spalletti a partir de agora: o clamor por Antonio Conte.
Na parte inferior da tabela, o cenário começa a ganhar contornos bem menos confortáveis. Bologna, Parma e Monza somam apenas um ponto, o Genoa conseguiu o primeiro justamente nesta rodada e o Venezia continua zerado depois de quatro derrotas. Ainda é setembro e qualquer conclusão definitiva seria precipitada, mas a classificação começa a separar com alguma nitidez quem transformou o mercado e o início de trabalho em resultado, quem ainda está procurando respostas e quem já corre o risco de passar boa parte da temporada olhando para trás. Confira tudo isso no resumo da jornada.
Gols e assistências: Carlos Augusto, Barella (Thuram), Thuram (Diouf), Esposito (Zielinski) e Bonny; Abankwah (Gómez), Ekkelenkamp (Davis) e Gueye (Bayo) Tops: Thuram e Barella (Inter) Flops: Kabasele e Karlström (Udinese)
Como continuar a elogiar a campeã? Quando parece que vai perder, a Inter demonstra uma facilidade descomunal para buscar os resultados. Depois de buscar uma virada absurda contra o Napoli, os nerazzurri repetiram a dose diante da Udinese – novamente depois de ficarem dois gols atrás – e venceram por 5 a 3 no San Siro. Com isso, tornaram-se a primeira equipe da história da Serie A a conseguir duas viradas consecutivas após estar perdendo por dois tentos. O poder de reação impressiona ainda mais porque Cristian Chivu não contou com Lautaro, poupado, nem Çalhanoglu, barrado por dores musculares nos adutores da coxa. O ataque, mesmo assim, funcionou; a defesa, por outro lado, deixou um belo alerta antes do confronto direto com a Roma.
Os primeiros 17 minutos foram quase irreconhecíveis para uma equipe que vinha de três vitórias no certame. A Inter entrou desligada, permitiu que Abankwah cabeceasse completamente livre para abrir o placar e, pouco depois, voltou a se complicar com uma sequência de erros que terminou no gol de Ekkelenkamp. O goleiro Martínez, inclusive, foi mal demais no lance – aumentando o cenário de contestação que paira sobre si. O 2 a 0, porém, pareceu finalmente acordar o San Siro e os próprios jogadores. Carlos Augusto iniciou a reação com um balaço de fora da área aos 25, enquanto Barella, capitão na ausência de Lautaro e o grande nome da noite, caiu, levantou e ainda encontrou forças para bater cruzado e empatar antes do intervalo. Em menos de 10 minutos, a Beneamata havia retomado as rédeas de uma partida que parecia estar escapando de suas mãos.
Depois do intervalo, não houve mais freio. Barella acelerou a jogada que terminou com Diouf encontrando Thuram para a virada. Esposito fez o quarto após boa combinação entre Jones e Zielinski, enquanto Bonny saiu do banco para completar o show. E, como se o roteiro já não fosse suficientemente expressivo, a Inter fez tudo isso depois de passar os primeiros 15 minutos em completa pane.
Mas nem uma vitória por 5 a 3 consegue esconder tudo. Gueye ainda marcou o terceiro da Udinese nos minutos finais, novamente aproveitando uma defesa exposta e outra intervenção pouco convincente de Martínez. São seis gols sofridos em nove dias, contando também os compromissos contra Real Madrid e Napoli – um contraste gritante com um ataque que segue produzindo em volume altíssimo. A Inter chega a 12 pontos em 12 possíveis, igualada à Roma, e agora viaja à capital para um confronto que vale a liderança isolada. Se o ataque nerazzurro continuar nesse nível, Chivu pode encarar qualquer adversário. Se a defesa continuar oferecendo tanto, talvez nem cinco gols sejam sempre suficientes.
Gols: Malen e Pisilli Tops: Malen e Mancini (Roma) Flops: Comuzzo e Lucas Perri (Torino)
A Roma continua o seu sonho – agora, mais consistente que nunca. Quatro rodadas, quatro vitórias e três delas sem sofrer gols para uma equipe que, mesmo quando não atropela, encontra maneiras de controlar os jogos e sair com o resultado. Em Turim, o 2 a 0 sobre o Torino teve uma atuação segura, mais uma assistência de Dybala e, claro, outro tento de Malen. O holandês chegou a seis na Serie A e segue na liderança da artilharia, agora marcando até deitado.
O Torino até começou com alguma disposição, mas rapidamente recuou demais e entregou o controle à Roma. Gian Piero Gasperini perdeu Ndicka e Wesley pouco antes da partida, mas Balerdi respondeu muito bem na defesa e Molina ocupou o lado esquerdo sem comprometer. Na frente, a conexão mais perigosa continuou sendo a mesma: Dybala e Malen. O holandês já havia ameaçado duas vezes e teve um gol anulado por impedimento antes de, aos 37 minutos, aproveitar um erro de Lucas Perri, uma recuperação de Mancini e um passe milimétrico da Joya para abrir o placar. O camisa 14 ainda precisou ganhar o lance no corpo e, já no chão, encontrou espaço para marcar.
Ignazio Abate tentou mudar o cenário no intervalo com Bragança e Cacciamani, e o Torino realmente apresentou um pouco mais de coragem. Ainda assim, quase tudo dependia de episódios isolados. Simeone teve a melhor chance, aparecendo cara a cara com Svilar, mas o goleiro fechou bem o ângulo. Balerdi também foi importante em duas recuperações decisivas quando os granata encontraram campo. A Roma perdeu um pouco de presença ofensiva depois das trocas, mas nunca pareceu verdadeiramente desorganizada. O Toro, por sua vez, voltou a mostrar um problema recorrente: consegue até chegar ao último terço, mas falta peso, criatividade e precisão para transformar as chances em resultado.
Quando o Torino finalmente se lançou de vez em busca do empate, levou o segundo. Já aos 94, Pisilli, mesmo sofrendo com cãibras, ainda encontrou forças para aparecer na área e finalizar cruzado, fechando o 2 a 0, se valendo da incrível passividade da zaga grená, que só ficou olhando o lance se desenrolar. A Roma chega a 12 pontos em 12 possíveis, com uma defesa que quase não concede e um ataque em que Malen vive fase absurda. Agora vem o primeiro grande teste de verdade desta equipe: a Inter, na capital. Os mandantes terão uma vantagem clara para tentar manter a invencibilidade, pois a frágil retaguarda da atual campeã terá pela frente justamente aquele que talvez seja o maior trunfo da Loba neste início de temporada – seu equilíbrio entre solidez defensiva e eficiência ofensiva.
Novamente com imposição e gol de Malen, os giallorossi venceram na Serie A e mantiveram 100% de aproveitamento (Arquivo/AS Roma)
Gols e assistências: Ramón (Paz) e Kaiki Bruno; Romero (Almqvist) Tops: Ramón e Perrone (Como) Flops: Sierro e Touré (Parma)
O Como não precisou ser brilhante para continuar vencendo. Em uma noite menos fluida do que aquelas que marcaram o início de temporada, a equipe de Cesc Fàbregas bateu o Parma por 2 a 1, chegou aos 10 pontos em quatro rodadas e manteve a invencibilidade na Serie A ao ganhar seu primeiro jogo em casa nesta edição do certame. Mesmo com alguns momentos de queda de intensidade, sobretudo depois do intervalo, os lariani ainda produziram bastante, controlaram a posse durante longos períodos e encontraram gols com dois nomes pouco óbvios, Ramón e o brasileiro Kaiki Bruno.
O Parma até começou melhor e obrigou o estreante Sánchez a trabalhar logo nos primeiros segundos, mas a pressão do Como rapidamente empurrou os visitantes para trás. Perrone tomou conta da organização, Yan Couto apareceu bastante pelo lado e Paz, Diao e Baturina voltaram a circular por trás de Kean. O primeiro gol saiu aos 22 minutos: O camisa 10 tentou uma finalização cruzada e Ramón só precisou empurrar a pelota para inaugurar placar.
A segunda etapa foi bem menos confortável para os mandantes. O Como perdeu parte da fluidez, o Parma conseguiu equilibrar a partida e chegou muito perto do empate quando Romero acertou a trave; no rebote, Sánchez ainda salvou a tentativa de Britschgi. Fàbregas percebeu a queda de ritmo, mexeu bastante e passou a administrar mais a posse do que buscar uma avalanche ofensiva. Ainda assim, quem resolveu apareceu aos 83: depois de duas defesas de Corvi, a bola sobrou limpa para o brasileiro Kaiki Bruno, que ampliou o placar sem dificuldades. Em sua primeira partida como titular na Serie A, o brasileiro já deixou o seu – e ainda havia desperdiçado uma boa oportunidade pouco antes.
Romero diminuiu nos acréscimos, mas era tarde demais para alterar o resultado. Mesmo abaixo do seu melhor nível, o Como continua conseguindo impor o próprio jogo. São três vitórias consecutivas na Serie A e 10 pontos em quatro rodadas. Ainda é cedo para euforia, principalmente devido ao calendário apertado, mas o time de Fàbregas parece candidato a competir novamente por vaga na Champions League, no mínimo. E, ao lado de uma Roma que também segue forte, começa a se colocar seriamente entre aqueles capazes de incomodarem a Inter na corrida pelo scudetto.
Gols e assistências: Cancellieri (Zaccagni) e Noslin; Moreira (Pulisic) e Moreira (Rabiot) Tops: Cancellieri (Lazio) e Moreira (Milan) Flops: Sutalo (Lazio) e Estupiñán (Milan)
Lazio e Milan entregaram um daqueles jogos que parecem ter duas partidas dentro da mesma noite. No primeiro tempo, os biancocelesti foram claramente superiores e construíram uma vantagem de 2 a 0 com autoridade; no segundo, Ruben Amorim mudou o time, aumentou drasticamente a intensidade e viu o Milan buscar o empate com dois golaços de Moreira. No fim, o 2 a 2 pareceu justo e manteve as duas equipes invictas na Serie A.
A Lazio começou impondo o ritmo, ocupando melhor os espaços e acelerando sempre que Nuno Tavares, Taylor e Zaccagni encontravam campo. O primeiro gol nasceu justamente dessa combinação: o português avançou por dentro, abriu para o italiano e o cruzamento encontrou Cancellieri mais atento que Estupiñán na segunda trave. O Milan até havia assustado cedo com Chukwueze, mas depois praticamente desapareceu ofensivamente. Maignan ainda evitou que Zaccagni ampliasse, Frattesi ficou muito perto de marcar pelo quarto jogo seguido e, aos 39, o holandês Noslin selou a superioridade romana ao aproveitar a jogada criada pelo compatriota Taylor e fazer o 2 a 0.
Ruben Amorim percebeu que precisava mexer, e muito. No intervalo, tirou Estupiñán, Modric e Loftus-Cheek para lançar Musah, Pulisic e Moreira. A mudança transformou completamente o Milan. Musah deu mais agressividade ao meio, Pulisic passou a atacar melhor os corredores e Moreira, que ainda vinha sendo muito discreto, virou o grande nome da noite. Aos 64, completou de primeira o cruzamento do norte-americano e diminuiu. Dois minutos depois, apareceu de novo na entrada da área para acertar outro belo chute de esquerda e empatar a partida.
A Lazio sentiu o golpe e passou a sofrer com a energia renovada dos rossoneri, enquanto Amorim ainda dobrou a aposta com Hutchinson e Camarda. Moreira chegou a sonhar com a tripletta, mas o placar ficou inalterado. A torcida celeste tem motivos para sorrir com Gennaro Gattuso. Apesar da entregada no segundo tempo, o domínio na primeira etapa não foi obra do acaso. O mesmo vale para Amorim, que também mantém o Milan invicto, sobretudo graças às suas alterações.
Kaiki Bruno marcou seu primeiro gol pelo Como e manteve o time invicto, com direito a permanência no G4 (Getty)
Gols e assistências: Adams (Busio) e Hainaut (Haps); Mastantuono (Jiménez), Mastantuono (Beto), Pellegrino (Fagioli) e Mastantuono Tops: Mastantuono e Fagioli (Fiorentina) Flops: Haps e Sohm (Venezia)
Bastou uma partida para a Fiorentina de Paolo Vanoli parecer bem diferente daquela que terminou a terceira rodada na lanterna, sob as ordens de Fabio Grosso. Justamente no reencontro do técnico com o Venezia, clube no qual também deixou boas lembranças, a Viola buscou a virada por 4 a 2, conquistou seus primeiros pontos na Serie A e finalmente respirou. E fez isso com uma atuação muito mais concentrada, agressiva e, principalmente, inspirada pelo talento de Mastantuono – que, até então, ainda não havia desencantado no campeonato.
Vanoli não se limitou à troca de comando e mexeu imediatamente na estrutura, adotando o 4-2-3-1 e utilizando Atta por dentro para abrir espaços para Mastantuono. A resposta foi imediata, a Fiorentina criou uma série de oportunidades nos primeiros 20 minutos, mas bastou uma displicência de Ndour para o fantasma das rodadas anteriores reaparecer. Busio aproveitou o presente e lançou Adams, que colocou o Venezia na frente aos 21. A diferença é que, desta vez, a Viola não desmontou emocionalmente. Mastantuono praticamente tirou dois gols da cartola em questão de minutos. Primeiro, passou por Sagrado, trouxe para o pé esquerdo e empatou aos 28; já aos 30, tomou a iniciativa após condução de Beto e colocou outra bola no cantinho de Stankovic.
O Venezia voltou mais agressivo do intervalo e teve chances para empatar, mas Vanoli também acertou quando recorreu ao banco. Pellegrino entrou no lugar de Beto aos 60 e precisou de apenas seis minutos para marcar, aproveitando o lançamento de Fagioli em um contra-ataque para fazer 3 a 1. Ainda faltava, porém, a cereja do bolo. Aos 84, Mastantuono apareceu novamente dentro da área e, após Stankovic defender sua primeira tentativa, contou com a sobra para completar a tripletta. Inclusive, aos 19 anos e 28 dias, o argentino de 19 anos e 52 dias tornou-se o jogador mais jovem argentino da história ao anotar três vezes num mesmo compromisso válido pelas grandes ligas. Ele também virou o mais novo atleta da Fiorentina a conseguir ao menos uma doppietta na Serie A, superando Desolati, que atingira o feito em 1974.
Hainaut ainda diminuiu para 4 a 2 no fim, mas já não havia tempo para estragar a noite violeta. A sequência de três derrotas ficou para trás, Vanoli começou sua nova passagem com o pé direito e Mastantuono transformou de uma vez só os 10 chutes sem gol das primeiras rodadas em uma atuação que justifica a expectativa que carrega. Para o Venezia, que briga para se manter na elite, alerta ligado: quatro partidas, quatro derrotas.
Gols e assistências: Esposito (Matic), Bowie (Bakola) e Adzic (Laurienté); Zhegrova e Zhegrova (Kolo Muani) Tops: Esposito e Matic (Sassuolo) Flops: Douglas Luiz e Bremer (Juventus)
Tem derrota que incomoda pelo resultado e tem tropeço que consegue ser pior pelo caminho escolhido para chegar até ele. A Juventus entrou nessa segunda categoria na Emília-Romanha. Depois de um primeiro tempo arrastado, os bianconeri chegaram a buscar o empate duas vezes com Zhegrova nos minutos finais, apenas para desmontarem completamente depois do segundo e entregarem ao Sassuolo o 3 a 2 na última bola. Foi também uma noite histórica por outro motivo: após mais uma janela marcada pela promessa de uma base mais nacional, pela primeira vez em uma partida de Serie A, a Velha Senhora começou sem nenhum italiano entre os 10 jogadores de linha. Vicario era o único representante do país num onze inicial assolado por lesões.
Durante uma hora, pouca coisa aconteceu. A Juve tinha a bola, mas quase nenhuma capacidade de transformar posse em agressividade, enquanto o Sassuolo esperava o momento certo para atacar os espaços. Aos 65, ele apareceu: Matic encontrou Esposito, que recebeu dentro da área e abriu o placar. Luciano Spalletti já havia colocado Zhegrova e Woltemade, e foi justamente o kosovar quem, finalmente, mudou a temperatura do jogo. Aos 82, aproveitou uma falha do compatriota Muric para empatar. Quando Bowie, também vindo do banco, acertou uma bela finalização aos 89 e recolocou os neroverdi na frente, parecia que a partida estava encerrada. Para os visitantes, de fato, parecia ter terminado – menos para Zhegrova. Aos 91, o camisa 11 recebeu de Kolo Muani e fez seu segundo, devolvendo à Juventus um ponto na marra.
O empate, porém, durou menos de três minutos. Em vez de respirar depois de buscar o 2 a 2 nos acréscimos, o time se lançou para frente de maneira completamente desorganizada e simplesmente abandonou a fase defensiva. No contra-ataque decisivo do Sassuolo, praticamente só Bremer, que errara no segundo neroverde, e Douglas Luiz aparecem tentando recompor uma equipe que havia acabado de salvar o jogo. Laurienté carregou a bola e encontrou Adzic – que pertence à própria Juventus – para fechar o placar de mais um jogo maluco na Serie A. Como se já não fosse cruel o suficiente, o gol do camisa 17 aconteceu exatamente um ano após aquele chute apoteótico que decidiu o Derby d’Italia na temporada passada. Vale destacar a bizarra falha de posicionamento e marcação do volante brasileiro no lance.
O gol do montenegrino ainda alimentou uma discussão desconfortável em Turim. Alguns jogadores que saíram recentemente começaram a temporada encontrando justamente os números que lhes faltaram em seu tempo no clube bianconero. Adzic soma três gols e uma assistência; Openda, dois tentos e um passe-chave; Vlahovic, quatro bolas nas redes; Licina, dois gols e uma assistência; e David, um tento. Os contextos são diferentes e quatro rodadas não servem para reescrever avaliações inteiras, mas a coincidência já é grande o bastante para provocar uma pergunta incômoda: quantos desses jogadores eram realmente o problema e quantos apenas estavam inseridos em um ambiente que não conseguia potencializá-los?
A Lazio fez um grande primeiro tempo, mas Moreira entrou na etapa final e, com doppietta, resgatou o Milan (Getty)
Gol e assistência: Lobotka (Favasuli) Tops: Favasuli e Lobotka (Napoli) Flops: Miranda e Libra (Bologna)
O Napoli precisava mais do resultado do que da atuação, e foi exatamente isso que conseguiu. Depois de três derrotas consecutivas, a equipe de Massimiliano Allegri venceu o Bologna por 1 a 0 no Diego Armando Maradona e voltou a respirar na Serie A. Não foi uma noite de grande futebol, longe disso. Os dois times passaram boa parte do jogo presos em uma disputa lenta, com poucas ideias e dificuldade para acelerar, mas os azzurri encontraram uma solução no segundo tempo e fizeram o suficiente para levar os três pontos.
O Bologna até assustou primeiro. Aos seis minutos, Theate marcou de cabeça após cobrança de falta, mas o gol foi anulado por impedimento. Depois disso, porém, o jogo perdeu ritmo rapidamente. O Napoli tentou assumir o controle, Højlund passou perto em uma cabeçada e Vergara também levou perigo, mas faltava continuidade às ações. Do outro lado, Bernardeschi era praticamente a única fonte de criatividade – o que não significou muita coisa.
Allegri mexeu no intervalo e encontrou justamente essa faísca. Lang entrou no lugar de Vergara e já aumentou a agressividade da equipe, enquanto Favasuli substituiu Politano e deu outro ritmo pelo lado. O Napoli começou a empurrar o Bologna para trás e, aos 65, construiu o único gol da noite: o jovem lateral, ex-Catanzaro, encontrou Lobotka dentro da área e o eslovaco, livre de marcação, só empurrou a pelota para vencer Pessina. Um raro gol do volante, mas bastante valioso para um time que precisava desesperadamente encerrar a sequência negativa.
O Bologna tentou reagir, mas quase sempre tarde demais. Mbangula ainda finalizou nos derradeiros minutos, sem realmente ameaçar Milinkovic-Savic, e o placar mínimo permaneceu até o apito final. Apenas um ponto em quatro rodadas para o time de Domenico Tedesco, que começou a corrida muito aquém das expectativas que cercam esse grupo. Já o Napoli entregou aquilo que dele se espera: resultado.
Gols e assistências: Scamacca; Mendy (Adopo) e Maldini (pênalti) Tops: Mendy e Romano (Cagliari) Flops: Kolasinac e Kossounou (Atalanta)
O Cagliari voltou a largar muito acima das expectativas. Depois de quatro rodadas, são três vitórias que marcam uma campanha já histórica – afinal, só uma vez, em 1970-71, quando defendiam o scudetto, os isolani tiveram início tão forte no certame. Os nove pontos conquistados põem os sardos no rol dos times interessantes deste começo de Serie A. E o triunfo em Bérgamo talvez seja o resultado mais significativo até aqui. Diante de uma Atalanta que vinha de duas vitórias pouco convincentes e já havia perdido para a Roma na rodada anterior, a equipe de Fabio Pisacane mostrou organização, agressividade e soube atacar justamente os momentos de instabilidade da Dea. Mendy marcou mais uma vez sobre os nerazzurri, enquanto Maldini decidiu contra um de seus antigos clubes.
O jogo começou equilibrado, mas o Cagliari parecia saber melhor onde queria chegar quando recuperava a bola. Aos 19 minutos, Zé Pedro encontrou o movimento de Adopo, que acelerou pela direita e serviu Mendy dentro da área. A defesa bergamasca chegou atrasada, e o atacante venceu Carnesecchi para marcar seu terceiro gol na carreira pela Serie A – todos eles sobre a Dea, diga-se de passagem. A Atalanta ainda apresentava dificuldades para dar continuidade às próprias ações, alternando bons momentos com longos períodos de circulação pouco incisiva, mas conseguiu empatar perto do intervalo. Scalvini acelerou uma cobrança de falta, De Ketelaere conduziu desde o meio-campo e a bola acabou chegando a Scamacca, que bateu cruzado para fazer o 1 a 1.
A igualdade não mudou a postura do Cagliari. Mendy chegou a marcar novamente logo no começo da segunda etapa, mas o gol foi anulado por impedimento, e a defesa nerazzurra continuou dando sinais de desconforto. Pouco depois, um toque de mão de Kolasinac dentro da área ofereceu a Maldini a oportunidade perfeita para aplicar a fatal lei do ex. O camisa 70 deslocou Carnesecchi e recolocou os visitantes na frente, anotando seu segundo gol consecutivo depois de também ter decidido contra o Lecce. A partir daí, Maurizio Sarri tentou aumentar o peso ofensivo, alterando o desenho da equipe e recorrendo a Raspadori e Krstovic, mas o time da Sardenha conseguiu sobreviver à pressão.
Samardzic ainda construiu uma jogada individual brilhante antes de finalizar para fora, e Kessié desperdiçou duas boas oportunidades na reta final, uma delas cara a cara com Caprile. Assim, o Cagliari deixou Bérgamo com mais três pontos e, tal qual como na temporada passada, pretende transformar a boa largada em uma vantagem importante para o restante do campeonato. A Atalanta, por outro lado, chega à segunda derrota consecutiva e começa a enxergar com mais clareza problemas que já estavam escondidos por trás dos dois primeiros resultados positivos.
Mastantuono desencantou e, com tripletta contra o Venezia, tirou a Fiorentina do sufoco (Getty)
Gols e assistências: Coulibaly (Ilic), Tiago Gabriel (Ilic) e Coulibaly (Danilo Veiga); Mangas (Birindelli) e Zeballos Tops: Coulibaly e Ilic (Lecce) Flops: Thiam e Lucchesi (Monza)
O Lecce resolveu cedo o confronto direto contra o descenso e, ainda assim, conseguiu transformar o fim em sofrimento. Foram três gols marcados antes mesmo de a primeira etapa chegar à metade, o suficiente para construir a base de uma vitória importantíssima por 3 a 2 sobre o Monza, que chegou a ameaçar os salentinos no apagar das luzes. Mesmo assim, a equipe de Eusebio Di Francesco chegou aos seis pontos e já soma duas vitórias contra adversários que devem disputar a mesma faixa da tabela, enquanto os brianzoli seguem com apenas um ponto e começam a pagar caro demais por uma defesa que ainda transmite pouca segurança.
O grande nome dos instantes iniciais foi Ilic. Aos 3, o sérvio cobrou escanteio e encontrou Coulibaly, que abriu o placar de cabeça. O roteiro se repetiu pouco depois: nova bola parada a cargo do ex-jogador do Torino, desta vez para Tiago Gabriel subir praticamente livre e fazer 2 a 0 aos 10. O Monza, apesar do baque, não abandonou o jogo e continuou encontrando espaço sobretudo pelos lados. Mangas diminuiu aos 19 depois do passe de Birindelli pela direita, mas a reação durou apenas um minuto. Danilo Veiga recuperou a bola e serviu Coulibaly, que anotou sua doppietta. Antes mesmo da metade da etapa inicial, o Lecce havia acertado três golpes e deixado a partida, a princípio, encaminhada.
O curioso é que o Monza até produziu bastante durante o primeiro tempo. Robinson, Mangas e Varela conseguiram incomodar Falcone, e o time de Ivan Juric teve oportunidades para reduzir novamente antes do intervalo. O problema estava no outro lado do campo: a cada desatenção defensiva, o Lecce parecia pronto para punir, e assim o fez.
Na segunda etapa, Di Francesco baixou as linhas e passou a administrar a vantagem, enquanto o Monza teve a posse sem a mesma capacidade de transformar volume em chances claras. Cutrone ainda perdeu uma oportunidade enorme quase embaixo da trave, até que Zeballos, em sua estreia, cobrou uma falta aos 88 e contou com um frango de Falcone para incendiar a partida. Os minutos finais viraram pressão total dos visitantes, mas o Lecce segurou.
Gols e assistências: Vásquez (Sow); Kvernadze (Schmid) Tops: Bijlow (Genoa) e Kvernadze (Frosinone) Flops: Colombo (Genoa) e Monterisi (Frosinone)
Demorou quatro rodadas, mas o Genoa finalmente colocou um ponto na conta. O empate por 1 a 1 no Luigi Ferraris ainda está longe de resolver os problemas de um time que começou a temporada sob forte pressão, tanto que as vaias após o apito final deixaram isso bem claro, mas ao menos interrompeu a sequência de três derrotas. Do outro lado, o Frosinone segue dando motivos para ser tratado como uma das boas surpresas deste início de Serie A, chegou aos sete pontos em quatro partidas e, durante boa parte do confronto, jogou como quem já está bastante confortável na elite.
O Genoa até chegou a balançar as redes cedo com Baldanzi, mas o lance foi anulado por impedimento. Quem fez valer a primeira grande oportunidade foi o Frosinone. Aos 13 minutos, Schmid encontrou Kvernadze e o georgiano se antecipou a uma defesa rossoblù bastante passiva para abrir o placar. A equipe de Massimiliano Alvini controlou bem o restante do primeiro tempo, dificultando a participação de Baldanzi e impedindo que Frendrup tivesse liberdade para avançar. O cenário poderia ter mudado antes do intervalo, quando um toque de mão de Cittadini levou ao primeiro pênalti assinalado nesta edição da Serie A. Colombo, porém, desperdiçou a cobrança.
Daniele De Rossi voltou com Junior Messias e encontrou o empate aos 49. Após cobrança de escanteio, Vásquez aproveitou o posicionamento ruim da defesa adversária e acertou um belíssimo chute para empatar a partida. O gol mudou o jogo, o Genoa cresceu, passou a incomodar com maior frequência e ainda promoveu a reestreia de El Shaarawy. Palmisani, goleiro do Frosinone, precisou aparecer contra Colombo e Vitinha, enquanto os ciociari também tiveram suas oportunidades de recuperar a vantagem com Kvernadze, parado por Bijlow.
Para apimentar ainda mais o jogo, o autor do gol, Vásquez, ainda recebeu o segundo amarelo aos 86 e deixou sua equipe com 10 jogadores. O Frosinone tentou aproveitar a superioridade numérica, mas Bijlow segurou a última boa tentativa de Calò e o placar não mudou. O ponto certamente serve mais ao Genoa do que os três zeros das rodadas anteriores, embora ainda haja muito para De Rossi arrumar.
Palmisani (Frosinone); Mancini (Roma), Balerdi (Roma), Carlos Augusto (Inter); Moreira (Milan), Fagioli (Fiorentina), Barella (Inter), Coulibaly (Lecce); Mastantuono (Fiorentina), Ilic (Lecce); Thuram (Inter). Técnico: Fabio Pisacane (Cagliari).







































