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·21 de junho de 2026
A Arbitragem e o Silêncio Que Favorece Quem Rouba o Benfica

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Há uma ironia amarga nisto tudo. O jornal do Bernardo Ribeiro, um dos rostos mais conhecidos do sportinguismo mediático em Portugal, viu-se obrigado a publicar aquilo que os benfiquistas repetem há temporadas: o Benfica é o clube mais prejudicado pela arbitragem na liga portuguesa. Não saiu numa publicação do Seixal. Não foi dito por Mourinho nem pelo presidente do Benfica. Saiu de onde ninguém esperava, e isso, por si só, diz tudo. A questão não é celebrar o óbvio.
A questão é perceber o contexto em que isto aparece. Na semana em que o Sporting se sentiu lesado, a comunicação social saiu em peso a pedir investigações, a falar em escândalos, a exigir respostas. Passou mais de um mês e só agora surge um estudo que coloca o Benfica no topo das vítimas do sistema. Sem manchetes. Sem indignação. Com a discrição reservada às notícias que incomodam quem manda no futebol português.
Mas há um problema que não vive nos escritórios da FPF nem nas salas de videoárbitro. Vive dentro da própria massa adepta. Existe uma corrente dentro do benfiquismo que trata qualquer denúncia de arbitragem como exibicionismo, como desculpa, como falta de classe. São os mesmos que preferem o silêncio confortável à luta incómoda. Tornaram-se, sem o perceber, os aliados involuntários de um sistema que ataca o clube sistematicamente. A divisão interna é exatamente o que esse sistema precisa para funcionar sem resistência.
Não há grandeza no silêncio quando o silêncio beneficia quem nos rouba. Há submissão.
O Benfica tem milhões de adeptos. Tem uma estrutura de comunicação. Tem dados, tem argumentos, tem a história recente do seu lado. O que falta é a coragem de usar tudo isso de forma sistemática e sem pedir desculpa a ninguém. A denúncia pública dos erros de arbitragem não é fraqueza, é estratégia. É pressão legítima sobre instituições que, na ausência dessa pressão, continuam a operar como sempre operaram.
A liga portuguesa tem um problema sério de credibilidade. O Benfica não o criou, mas pode ser o único clube com dimensão suficiente para o forçar a mudar. Isso exige comunicação agressiva, adeptos unidos e um clube que não tenha medo do barulho que faz quando defende o que é seu. O reconhecimento chegou de onde menos se esperava. Agora falta saber o que fazemos com ele.







































