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·17 de abril de 2026

A capital recupera o poder: a história do brasileiro que ameaça o fim da hegemonia do Ludogorets

Imagem do artigo:A capital recupera o poder: a história do brasileiro que ameaça o fim da hegemonia do Ludogorets

O futebol búlgaro pode conhecer um novo (ou velho?) campeão. Após 14 anos de hegemonia do Ludogorets, o Levski Sofia, segundo maior campeão da história do Campeonato Búlgaro, está perto de voltar ao topo do país. E com um brasileiro como grande protagonista. 

A história dessa campanha é contada através dos gols de Everton Bala. Mas a história de Everton Bala começa muito antes da torcida em Sofia se acostumar com as suas comemorações. A história do baiano de Apuiarés é como a de muitos brasileiros de família humilde que viram as portas se abrirem através do futebol. 


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"Nunca passei fome, graças a Deus, mas a família era muito humilde e tinha que fazer esforço grande para não passar fome", começou por contar o atacante, em entrevista exclusiva para oGol.

Depois de ser recusado em muitas peneiras, enfim, Everton Bala recebeu a primeira chance no futebol no Aliança. Pelo clube, foi o quinto na tabela de artilharia do Cearense sub-20 em 2017, com oito gols, em campanha que acabou nas quartas de final, com eliminação para o Fortaleza. 

Seu início no profissional, entretanto, foi em Pernambuco. Depois de Everton passar nos testes pelo Porto, de Caruaru, para a surpresa dele próprio.

"Passei uma semana de teste, e nessa semana, inclusive, eu fui muito mal. Não sei o que deu na cabeça do treinador na época que resolveu me deixar lá no clube para jogar no sub-20. Três meses depois, assinei o primeiro contrato profissional", recordou. 

O primeiro gol de Everton Bala como profissional foi pelo Flamengo de Pernambuco, contra o Campinense, pela Série D de 2018, seu primeiro campeonato nacional. Mas foi outra divisão que o fez dar passos além na carreira. 

De Mirassol até Sofia: amadurecimento

N São José, do Rio Grande do Sul, Everton marcou seu primeiro, e único até aqui, hat-trick na carreira.  Após ter disputado a Série C em 2021 pelos gaúchos, o atacante foi para o Mirassol e fez parte da campanha de acesso do Leão da Alta para a Série B em 2022. Presente no início do projeto que levou o clube até a Libertadores neste ano, Everton já previa tamanho sucesso. 

"Quando cheguei no Mirassol, que reparei na estrutura, tudo o que o clube proporciona ao atleta, não tinha dúvida nenhuma que ia chegar nesse nível. Já era uma estrutura absurda, imagina hoje em dia. Eles fizeram de tudo para deixar o atleta tranquilo, apenas focado em jogar o futebol de alta performance. Talvez tenha chegado nesse patamar até mais rápido do que imaginava, mas nunca duvidei, era questão de tempo estar na Série A, numa Libertadores, igual está agora", comentou. 

O período no clube, entretanto, foi marcado por lesões. O atacante chegou com uma lesão no adutor e em seguida sofreu uma lesão no tornozelo, que o traz incômodo, eventualmente, até hoje em dia. A falta de espaço entre os titulares fez o Mirassol o emprestar para o Brusque, onde Everton Bala conseguiu outro acesso em 2023. 

"Comecei o Paulista, fui titular contra o Santos. Depois, não tive sequência, o Brusque entrou em contato, e o Mirassol me emprestou para o Brusque. Tive uma sequência importante, fiz praticamente todos os jogos. A gente foi vice-campeão e conquistou o acesso", recorda o atacante, que fez 42 jogos na temporada e marcou 7 gols.

No retorno para Mirassol, a velha rotina de pouca minutagem. Everton Bala, então, sentiu a necessidade de uma mudança ainda mais abrupta, e aceitou o desafio de trocar o interior paulista por Sofia, na Bulgária. 

"Como eu não estava tendo sequência de jogos no Mirassol, eu já senti que precisava de novos ares, e eu sempre converso com meu agente e sempre falei que se chegasse proposta de fora, estaria muito interessado. Quando chegou o Levski, quando vi a estrutura, um time de camisa, tradição, torcida, não pensei duas vezes, porque era um novo clube para mim, era a Europa, novos ares, clima, estilo de jogo. Eu precisava evoluir, também, o meu futebol", refletiu. 

Mudança de chave: o (re) nascimento do artilheiro

E Everton Bala evoluiu muito dentro do jogo. Se tornou, na verdade, um atacante mais completo, capaz de atuar em praticamente todas as funções do ataque. 

"Onde estou hoje, foi exatamente o que eu precisava, porque no Brasil eu jogava em apenas uma função, de extremo pela esquerda. No Levski, começo a fazer diversas funções, ponta direita, esquerda, meia e falso 9. Então hoje, sou um jogador mais completo", garantiu. 

A presença de outros brasileiros no elenco ajudou Everton Bala na adaptação, embora o jogador confesse que tenha demorado cerca de três meses a se sentir confortável em campo. Com o tempo, porém, se adaptou ao estilo mais físico da liga, e fez a diferença em sua primeira temporada completa como garçom: o atacante foi o vice-líder em assistências, com dez passes para gol, contra 13 de Borislav Tsonev. Na atual temporada, entretanto, algo mudou... 

"Mudou a minha mentalidade. Meu agente sempre falou comigo: 'Cara, você tem de finalizar mais, estar mais perto do gol'. E fui mudando a mentalidade pouco a pouco, comecei a finalizar mais. Errava em alguns momentos, mas tentando finalizar. Para fazer gol, precisa finalizar. E além de procurar finalizar mais, ser mais protagonista, jogar mais próximo do gol. A partir do momento que mudei a cabeça nessa questão, evoluí bastante. Então dá para notar nessa temporada. Minha finalização sempre foi muito boa, mas eu finalizava pouco. Agora evoluí isso, e fiz gol até de cabeça, que não fazia muito", analisou. 

Na atual temporada, Everton Bala tem 17 gols em 29 jogos. O brasileiro é o artilheiro da Liga Búlgara. O último artilheiro brasileiro do campeonato foi Júnior Moraes, em 2011/12. Fernando Karanga chegou perto com a vice-artilharia em 2017/18, e Igor Thiago, hoje vice-artilheiro da Premier League pelo Brentford e convocado para a seleção, ficou em terceiro em 2022/23. O jogador brasileiro recebe um carinho especial por lá, confessa Everton. 

"Eles gostam bastante do jogador brasileiro, do estilo de jogo do jogador brasileiro, estilo alegre, ousado. Eles amam isso, tanto torcedores quanto imprensa. Tudo o que já ouvimos várias vezes, do "joga bonito", do "samba", eles gostam bastante. Até pelo sucesso que vários brasileiros tiveram aqui e foram vendidos para clubes de outros mercados". 

Everton Bala tem a concorrência de Mamadou Diallo e Chochev, que vem com um gol a menos. Apesar da disputa acirrada, o brasileiro coloca a Chuteira de Ouro como objetivo secundário na temporada. 

"A briga está acirrada (pela artilharia). Meu primeiro objetivo é ser campeão, com toda certeza, mas como estou brigando pela artilharia, também tenho isso como objetivo. O que não me atrapalha, porque o que mais quero é ser campeão. Se formos campeões e eu não for artilheiro, para mim, está ótimo", confessou. 

O Levski Sofia não é campeão desde 2008/09. O clube tem 26 títulos locais, só perdendo para o CSKA Sofia. Só que os times da capital viram o Ludogorets dominar o país na última década e meio, com uma hegemonia de 14 títulos seguidos. Algo que pode acabar na atual temporada. 

Everton Bala reforça a "mentalidade vencedora" do Levski, que desde que ele chegou projetou o título. Na atual temporada, o brasileiro viu uma equipe ativa no mercado para conseguir o objetivo. "Eles montaram um baita time". O fim da hegemonia do Ludogorets nunca esteve tão perto. 

"A gente está bem confiante, mas ao mesmo tempo mantendo a humildade. Sabemos que não acabou ainda, ainda restam seis jogos e precisamos muito vencer os jogos. Pensamos jogo a jogo, partida a partida, com calma e tranquilidade", garantiu. 

A equipe da capital soma dez pontos de frente para o Ludogorets, terminando a primeira fase do campeonato na ponta. Agora, os quatro primeiros colocados definem o título em um quadrangular final, mantendo a pontuação da primeira fase. A tradição da capital pode voltar a fazer a diferença na Bulgária. 

"Ganhar esse título vai ser muito importante para o Levksi Sofia, porque já são 18 anos sem ganhar a liga. Conquistar esse título vai gravar nosso nome na história desse clube. Os torcedores são muito apaixonados, é uma loucura aqui. Eles realmente vivem isso, é um estilo de vida para eles. Seja debaixo de chuva, sol, neve, em que clima for, eles estão sempre lá. Se tiver de pegar oito horas de ônibus, de carro, eles vão nos apoiar. Então esse título vai mudar muita coisa, e a gente está com essa responsabilidade", projetou Everton Bala

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