Coluna do Fla
·22 de setembro de 2026
A divergência de Botafogo, Vasco e Fluminense na votação pela redução de estrangeiros no futebol brasileiro

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·22 de setembro de 2026

A votação na CBF sobre a redução gradual de estrangeiros no Brasileirão expôs uma contradição entre os clubes cariocas. Botafogo, Vasco e Fluminense votaram a favor da medida, mesmo com elencos que reúnem mais jogadores estrangeiros do que o do Flamengo. Contudo, o Rubro-Negro foi o único representante do Rio de Janeiro a votar contra a decisão.
O Botafogo lidera o número de gringos entre os times do Rio, com 12 jogadores estrangeiros no elenco. Na sequência, aparecem Flamengo e Vasco, ambos com dez atletas na mesma condição. Já o Fluminense soma nove estrangeiros contratados. Assim, os quatro clubes cariocas somam, ao todo, 41 jogadores estrangeiros.
Mesmo com esse número elevado de gringos, Botafogo, Vasco e Fluminense apoiaram a redução gradual aprovada pela CBF. Dessa forma, o trio carioca contribuiu diretamente para a aprovação de uma regra que, no futuro, também vai limitar os próprios elencos. O Flamengo, por outro lado, rejeitou a proposta na assembleia com os demais clubes da Série A e da Série B.
Além do Flamengo, apenas Bahia e Londrina se posicionaram contra a redução de estrangeiros. Portanto, o Rubro-Negro integrou um grupo de apenas três clubes contrários à mudança em todo o país. Mesmo assim, a posição isolada entre os cariocas reforça o contraste com Botafogo, Vasco e Fluminense.
A decisão de Botafogo, Vasco e Fluminense chama atenção justamente pelo tamanho dos próprios elencos estrangeiros. Afinal, os três clubes já formaram grupos internacionais robustos antes da aprovação da nova regra. Entretanto, ao votar pela redução, o trio dificulta a montagem de elencos parecidos por parte de outras equipes nos próximos anos.
A regra aprovada pela CBF reduz o número de estrangeiros relacionados por partida, não o total de contratos do elenco. Assim, Botafogo, Vasco e Fluminense preservam boa parte da vantagem já construída, enquanto times menores perdem a chance de repetir o mesmo caminho no futuro. De qualquer forma, a votação carioca reforça a percepção de que a mudança favorece quem já está estabelecido no novo modelo.
Ainda assim, o Flamengo optou por um caminho diferente ao votar contra a redução. No entanto, a decisão do clube passa mais pela defesa de um mercado aberto do que pela preservação de um privilégio já conquistado, segundo a própria fala pública de dirigentes ligados ao Rubro-Negro sobre o tema.
— Como estrangeiro, que trabalha no Brasil, mas que já trabalhou em outras ligas, vou dar a minha opinião, embora respeite, como é óbvio, quem fez esses estudos. Não me parece que essa medida vá ajudar o futebol brasileiro, antes, pelo contrário, vai pôr a liga mais fraca, porque os jogadores vão continuar saindo —, disse Boto.
— Os melhores jogadores vão continuar a sair para a Europa muito novos, e os clubes não tendo a possibilidade de reter esses jogadores de valor, vão ter que jogar com jogadores com menos valia, e isso vai baixar a qualidade da liga brasileira —, acrescentou o dirigente português.















