Calciopédia
·07 de junho de 2026
A Itália encerrou ciclo interino de Silvio Baldini com vitória na Grécia

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·07 de junho de 2026

A Itália encerrou sua série de amistosos na data Fifa de junho com mais uma vitória por 1 a 0. Neste domingo, em Heraklion, na ilha de Creta, a equipe comandada interinamente por Silvio Baldini superou a Grécia graças a um gol de Esposito ainda no primeiro tempo. Assim como já havia ocorrido diante de Luxemburgo na última quarta-feira, a Nazionale experimental, formada majoritariamente por atletas da seleção sub-21, venceu pelo placar mínimo e embalada pelo seu centroavante, mas controlou boa parte do confronto e mereceu o triunfo antes das indesejadas férias – afinal, os italianos desejavam estar na América do Norte, disputando a Copa do Mundo.
Se o presente não é dos melhores para a Nazionale, ao menos existe esperança para o futuro. O amistoso em Creta ocorreu justamente no mesmo dia em que a Itália conquistou o título europeu sub-17 sobre a Bélgica, coincidência que reforçou uma discussão recorrente no futebol do país. Há anos, a base italiana produz talentos em quantidade suficiente para competir entre as melhores seleções do continente. O desafio continua sendo transformar esse potencial em carreiras consolidadas no futebol profissional e, posteriormente, na seleção principal. A qualidade existe e a garotada que entrou em campo na Grécia ratificou isto.
Baldini promoveu apenas duas alterações em relação à equipe que derrotara Luxemburgo dias antes. Ekhator e Ahanor ganharam vaga entre os titulares nos lugares de Cherubini e Favasuli, enquanto Esposito voltou a liderar o ataque. Do outro lado, o técnico Ivan Jovanovic reformulou amplamente a escalação grega após o compromisso anterior contra a Suécia. Vlachodimos substituiu Tzolakis no gol, Hatzidiakos entrou na defesa no lugar de Mavropanos, toda a linha de meio-campo foi reformulada e Douvikas assumiu a referência ofensiva na vaga de Pavlidis.
O amistoso também ficaria marcado por um momento histórico para a seleção italiana, que começou na convocação. Afinal, pela primeira vez, seis jogadores afrodescendentes integraram o mesmo grupo da Nazionale: Ahanor, Ndour, Koleosho, Ekhator, Mane e Fini. Neste domingo, porém, Ahanor, Ndour, Koleosho e Ekhator formaram a escalação inicial, configurando a equipe mais negra já utilizada pela Itália. No segundo tempo, Mane substituiu Ahanor e Fini entrou na vaga de Ekhator, fazendo com que os seis atletas participassem da mesma partida, algo inédito na história da Nazionale. Por mais que o governo de extrema direita do país endureça leis contra imigração e cidadania, dificultando a integração de descendentes de outros povos na sociedade italiana, as mudanças se impõem.
Koleosho teve boas oportunidades contra Luxemburgo e Grécia, mas não balançou as redes (Arquivo/FIGC)
Antes de a bola rolar em Creta, houve um minuto de silêncio em homenagem ao ex-zagueiro grego Oikonomou, falecido aos 33 anos em um acidente automobilístico. O defensor teve passagem pelo futebol italiano, onde atuou por clubes como Cagliari, Bologna, Spal, Bari e Sampdoria.
A Itália começou melhor e criou a primeira oportunidade logo aos 4 minutos. Comuzzo encontrou Ekhator em profundidade, mas o atacante pegou mal na bola e concluiu para fora, ainda que diante de Vlachodimos. O lance serviu como prenúncio de um primeiro tempo em que os italianos demonstraram organização, intensidade e superioridade técnica, limitando as ações ofensivas dos donos da casa.
O gol da vitória saiu aos 18 minutos. Ekhator participou novamente ao servir Esposito, que dominou e finalizou em direção ao gol. A bola ainda desviou em Hatzidiakos antes de morrer nas redes de Vlachodimos. O atacante chegou ao quinto gol em apenas nove partidas pela seleção principal e manteve um início de trajetória impressionante. Além disso, tornou-se apenas o quarto jogador da história da Nazionale a marcar em seus três primeiros jogos como titular, igualando as marcas de Annibale Frossi, Riccardo Carapellese e Omar Sívori. O último a conseguir tal feito havia sido justamente Sívori, em 1961 – ou seja, há distantes 65 anos.
A vantagem poderia ter aumentado antes do intervalo. Aos 36 minutos, Esposito recebeu em profundidade e avançou praticamente sozinho contra a defesa adversária, mas finalizou sem força e facilitou a defesa de Vlachodimos. Ainda assim, o domínio italiano era evidente. A Grécia quase não ameaçou Donnarumma, que teve atuação bastante tranquila durante os primeiros 45 minutos.
Com duas vitórias obtidas graças a gols de Esposito, Baldini encerrou seu ciclo interino com 100% de aproveitamento (Arquivo/FIGC)
A etapa complementar começou com nova oportunidade clara dos visitantes. Aos 47 minutos, Fini lançou Koleosho, que bateu de primeira e acertou o travessão. Pouco depois, aos 60, Lipani apareceu bem pela esquerda e encontrou Esposito dentro da área. O centroavante escorou para Pisilli, cuja conclusão foi bloqueada e posteriormente defendida pelo goleiro grego.
O cenário mudou aos 68 minutos. Reggiani, que havia entrado havia apenas 13 minutos para substituir Comuzzo, deixou o campo expulso ao derrubar Douvikas quando o atacante avançava livre em direção ao gol. Com um homem a menos, Baldini reorganizou a equipe, sacrificando Fini e promovendo ajustes defensivos para preservar a vantagem. Favasuli entrou na lateral direita, o que fez Mane – que substituíra Ahanor – jogar no centro da zaga, em sua função de origem. O treinador também refrescou o meio-campo ao sacar Lipani e dar espaço a Dagasso.
A reta final foi a fase mais delicada da partida para a Itália, que se defendeu bem na maior parte do tempo. Aos 84, Zafeiris acertou a trave após Chiarodia rebater fraquinho um cruzamento rasteiro para a área italiana. Quatro minutos depois, Pavlidis obrigou Donnarumma a realizar uma intervenção segura, cedendo escanteio. Já nos acréscimos, o próprio Zafeiris voltou a assustar, mas viu Mane bloquear sua finalização e afastar o perigo. Antes, na casa dos 86, Favasuli chegou a tentar responder com dribles e um chute forte, que Vlachodimos espalmou em corner.
Com duas vitórias por 1 a 0 em dois amistosos, Baldini encerrou sua breve passagem à frente da seleção principal deixando impressões positivas. Os resultados importavam apenas para o ranking da Fifa e o interino conseguiu 100% de aproveitamento. Além disso, a excursão serviu para oferecer minutos e experiência internacional a uma geração que representa parte importante do futuro da Nazionale. O talento continua aparecendo em abundância nas categorias de base e a próxima missão da Itália será transformar essas promessas em protagonistas permanentes no mais alto nível.
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