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·28 de setembro de 2026

A jovem Itália respondeu à derrota na estreia e goleou a Turquia pela Nations League

Imagem do artigo:A jovem Itália respondeu à derrota na estreia e goleou a Turquia pela Nations League

No embate entre os dois países que sediarão conjuntamente a Eurocopa de 2032, a Itália apresentou, diante da Turquia, uma resposta convincente depois da derrota para a Bélgica na estreia da Nations League. Sob chuva intensa no estádio Atatürk de Bursa, os azzurri dominaram a adversária desde os primeiros minutos e venceram por 4 a 1, com gols de Bastoni, Frattesi, Kayode e Pio Esposito. As muitas modificações promovidas por Roberto Mancini no onze inicial surtiram efeito e a seleção amenizou as merecidas críticas que sofreu após a queda no Olímpico.

O estádio Atatürk de Bursa, conhecido pelo design arrojado de sua fachada, que reproduz a cabeça de um crocodilo, recebeu duas seleções necessitadas de respostas. Em má fase desde a Copa do Mundo, a Turquia de Vincenzo Montella – que só ganhara uma vez nos quatro compromissos anteriores – havia perdido em casa para a França na primeira rodada, enquanto a Itália de Mancini chegava pressionada depois de uma atuação ruim no Olímpico e da derrota por 2 a 0 para a Bélgica. Por pelo menos 90 minutos, os dois técnicos deixariam de lado uma amizade iniciada em 1996-97, quando formaram uma prolífica dupla de ataque na Sampdoria.


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A mandante Turquia teve que lidar com problemas importantes. Lesionados, Çalhanoglu e Yildiz eram desfalques, enquanto o goleiro titular Çakir estava suspenso depois da expulsão contra a França. Bayindir assumiu a posição. Montella ainda promoveu outras mudanças, com Kabak na defesa, Kökçü no meio e Elmali pela esquerda, preservando a centralidade em Güler, a principal esperança dos donos da casa.

Do outro lado, Mancio decidiu administrar o elenco e não levou toda a delegação para a Turquia. Dez dos 33 convocados permaneceram treinando no CT de Coverciano, entre eles Barella, Mancini, Coppola, Ricci e Maldini, seguindo um programa específico para evitar que toda a equipe fosse submetida ao desgaste da viagem antes dos próximos compromissos. Zaniolo, que já havia se juntado ao grupo com um problema muscular, também deixou a concentração e foi liberado para voltar à Udinese.

A escalação italiana teve oito mudanças em relação à derrota contra a Bélgica – Donnarumma, Tonali e Pio Esposito eram os únicos remanescentes. O 4-3-3 de Mancini trazia uma novidade particularmente simbólica, já que Pio e Sebastiano Esposito foram titulares ao lado de Raspadori no ataque. Os dois se tornaram a quarta dupla de irmãos a disputar uma mesma partida pela Itália, depois de Giuseppe e Felice Milano, que estiveram juntos em três ocasiões entre 1912 e 1913; Aldo e Luigi Cevenini, em 1915; e Filippo e Simone Inzaghi, duas vezes em 2000. Havia 26 anos, portanto, que isso não ocorria. Mais significativo ainda foi o fato de que fazia 111 anos, desde os Cevenini, contra a França, que dois irmãos não começavam um jogo pela Nazionale.

Contando com as estreias de Kayode, Ruggeri e Sebastiano Esposito, além da aparição de Fagioli como controlador no meio-campo, a Itália não precisou de muito tempo para mostrar que a noite seria diferente daquela vivida no Olímpico. Aos 5, Raspadori recebeu de Tonali e finalizou, embora sem encontrar o alvo. Três minutos depois, Pio Esposito obrigou Bayindir a trabalhar: recebeu dentro da área, bateu cruzado com a direita e viu o goleiro turco espalmar para escanteio. O primeiro gol saiu na sequência do corner. Çelik tentou afastar a bola, furou na hora de efetuar o corte e a pelota sobrou para Bastoni. O zagueiro girou dentro da área e bateu para vencer o arqueiro. A vantagem era merecida pelo início agressivo da Nazionale.

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A Itália dominou a Turquia e marcou três gols em menos de meia hora, o que não ocorria desde 2021 (Getty)

Aos 15, Pio Esposito voltou a aparecer. Frattesi ganhou um rebote e a bola acabou sobrando para o atacante, sozinho na área. Kabak chegou no momento exato para evitar a finalização. A bola ainda chegou a Raspadori, mas a defesa turca conseguiu afastar para escanteio. A pressão italiana continuou e produziu o segundo gol aos 22 minutos, com uma bela jogada coletiva – talvez a melhor da peleja. O lance começou com Frattesi, passou pela participação de Pio e chegou a Raspadori, que serviu Kayode. O chute do lateral não foi dos mais fortes, mas Bayindir falhou ao não conseguir segurar a bola. Frattesi apareceu para aproveitar o rebote e completar para as redes.

A Turquia conseguiu responder aos 24 minutos. Yilmaz ganhou profundidade, esperou a chegada de Uzun e tocou para o meia-atacante, que finalizou por cima. Foi a primeira oportunidade mais clara dos donos da casa e uma rara brecha em uma defesa italiana que, até então, praticamente não havia sido incomodada.

Kayode, porém, voltaria a ser protagonista apenas três minutos depois. Se havia participado diretamente da construção do segundo gol e aparecido para finalizar a jogada, agora repetiria praticamente a mesma sequência. Raspadori recebeu, Pio Esposito fez a proteção e deixou o lateral novamente em condições de bater de direita dentro da área. Desta vez, o ítalo-nigeriano não perdoou: acertou o canto de Bayindir e fez 3 a 0, marcando também seu primeiro gol pela seleção principal logo em sua estreia. Uma jogada praticamente fotocopiada da anterior, mas com um desfecho diferente para o jogador que já era um dos nomes da noite em Bursa.

Ao colocar a bola na rede, Kayode respaldou a escolha por Mancini como técnico da seleção. A Itália não marcava três gols nos primeiros 30 minutos de uma partida desde setembro de 2021, ainda na primeira passagem de Mancio pelo comando da Nazionale. Nos períodos de Luciano Spalletti e Gennaro Gattuso, além do interino Silvio Baldini, o feito não se repetiu – e o comandante ainda terminaria a noite com outra satisfação.

A Itália jogava com uma fluidez que havia faltado completamente na estreia contra a Bélgica. Raspadori encontrava espaços, Pio Esposito funcionava como referência e também participava da construção, enquanto Kayode oferecia profundidade pela direita. Outros jogadores também apareciam bem, a exemplo de Fagioli, e a Nazionale seguia empurrando a Turquia para as cordas. Aos 28, Ruggeri avançou pela esquerda e cruzou para Pio, que acabou antecipado por Demiral. Aos 34, Kayode novamente apareceu pela direita e encontrou Seba Esposito na área, mas o atacante girou sem conseguir acertar o gol.

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Grande nome do triunfo, o ítalo-nigeriano Kayode marcou em sua estreia pela seleção (Getty)

Raspadori, especialmente, teve uma atuação de destaque. O encaixe com os irmãos Esposito funcionou bem, e o atacante participou de boa parte das combinações ofensivas italianas. Mancini o retiraria no intervalo para a entrada de Cambiaghi, mas a primeira etapa havia representado provavelmente a melhor de suas atuações pela Nazionale. Do outro lado, Montella também mudou e fez logo três substituições. Bardakci entrou no lugar de Demiral, Yüksek rendeu Kökçü e Aktürkoglu entrou na vaga de Uzun. As alterações surtiram algum efeito imediatamente.

Aos 47 minutos, a Turquia diminuiu. Uma bola longa ganhou velocidade na área, Ruggeri perdeu Aktürkoglu de vista e o atacante encontrou Yilmaz, que apareceu livre na área e completou para o gol vazio. A torcida, que havia começado a vaiar a equipe turca durante o domínio italiano, voltou a acreditar na reação.

A resposta, porém, foi imediata e particularmente dolorosa para os donos da casa, servindo de gatilho para uma nova enxurrada de vaias provenientes das tribunas. Aos 50, Cambiaghi iniciou um contra-ataque veloz e acionou Tonali. O meio-campista bateu de direita e acertou a trave. No rebote, Pio Esposito concluiu de cabeça para a meta desguarnecida e fez 4 a 1. Em apenas 11 jogos pela seleção, o atacante de 21 anos já tem seis gols com o manto azzurro. Números impressionantes.

O gol foi um balde de água fria para a Turquia, ao passo que a chuva apertava em Bursa. A seleção turca, entretanto, continuou a jogar melhor, como demonstrara depois do intervalo, e começou a encontrar espaços, enquanto a Itália recuou e passou a apostar mais nos contra-ataques. Defensivamente, os azzurri já não apresentavam a mesma segurança da primeira etapa.

Aos 54, Yilmaz caiu na área depois de um erro de Scalvini, que permitiu ao atacante ganhar a frente. O árbitro Michael Oliver, porém, percebeu a simulação do atacante depois que ele adiantou muito a bola ao passar por Donnarumma e lhe mostrou o cartão amarelo. Pouco depois, o próprio Yilmaz chegou a marcar novamente, com uma bela finalização de direita que tocou na trave antes de entrar. O gol, contudo, foi anulado por impedimento de Aydin, que estava em posição irregular e interferia na visão do arqueiro italiano. Depois desse período de afã, a Itália ajustou o posicionamento e passou a sofrer tanto quanto na etapa inicial – quase nada.

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Pio Esposito voltou a balançar as redes e celebrou ao lado do irmão Sebastiano: dupla bateu marcas históricas nesta noite (Anadolu/Getty)

Durante a etapa complementar, Mancini mexeu bastante na equipe. Sebastiano Esposito deixou o campo aos 63 minutos, dando lugar a Doumbia, levando Frattesi a atuar mais aberto pela direita. Mais tarde, Di Lorenzo entrou no lugar do próprio meia laziale, e Kayode avançou para fazer a sua função. Scamacca e Romano também renderam Pio e Fagioli.

A Turquia, apesar da larga desvantagem no placar, tentou se manter minimamente motivada e ainda tentou buscar o segundo gol. Aos 80, Güler protagonizou uma de suas jogadas características, mas não conseguiu finalizar. A bola chegou a Aydin, que encontrou Aktürkoglu em ótima condição. O atacante, porém, bateu por cima diante de Donnarumma.

Depois disso, a Itália conseguiu controlar novamente a partida. A seleção de Mancini reduziu os espaços, ganhou duelos, fez desarmes importantes e passou a cadenciar o ritmo. A equipe visitante não permitiu que o jogo voltasse a ficar realmente em aberto mesmo diante das tentativas da Turquia e o jogo terminou mesmo com 4 a 1 no placar.

Além do 3 a 0 em menos de meia hora, o que não acontecia desde a primeira gestão de Mancini, a goleada em Bursa também recuperou outra marca da primeira passagem do treinador pela seleção. A Itália não vencia uma partida fora de casa por pelo menos três gols de diferença desde novembro de 2019, quando derrotou a Bósnia por 3 a 0 – ou seja, quase sete anos. Para além dos números, houve uma série de respostas coletivas e individuais. O encaixe funcionou mesmo sem vários medalhões, Pio Esposito confirmou o bom momento, Raspadori se destacou com sua movimentação, Fagioli contribuiu para que a equipe se apresentasse muito mais dinâmica e Kayode transformou sua estreia em uma noite para guardar na memória. Só boas notícias numa data Fifa que começou com questionamentos.

A vitória deixou a Itália com três pontos no Grupo A1 da Nations League e a mesma pontuação da Bélgica, que perdeu para a França na segunda rodada da competição. Os franceses, por sua vez, lideram a chave isoladamente, com seis pontos, enquanto a Turquia permanece zerada. Os belgas levam vantagem sobre os italianos no confronto direto e ocupam a segunda posição. O próximo compromisso azzurro será contra os Bleus, no Stade de France, em Saint-Denis – um teste de outra dimensão e de muita rivalidade para uma equipe que, depois da derrota em Roma, encontrou em Bursa a resposta de que precisava.

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