Calciopédia
·22 de janeiro de 2026
A Juventus quebrou tabu contra o Benfica e se garantiu nos playoffs da Champions League

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·22 de janeiro de 2026

Depois do tropeço diante do Cagliari no fim de semana da Serie A, que freou uma possível escalada da Juventus de Luciano Spalletti, a reação veio em tom categórico. Em Turim, após 33 anos, a Velha Senhora enfim afastou um dos fantasmas mais persistentes de sua história continental ao superar o Benfica, rival que sempre lhe causara desconforto no cenário europeu. Foi a primeira vitória italiana no duelo pela Champions League e apenas a segunda sobre os encarnados, o que não ocorria desde as quartas de final da Copa Uefa de 1992-93. O 2 a 0 da sétima rodada assegura matematicamente a classificação à próxima fase e ainda mantém aberta, embora cercada de obstáculos, a possibilidade de avanço direto às oitavas.
Os escassos, mas marcantes triunfos dos bianconeri nos últimos anos quase sempre passam por um nome questionado e subestimado, mas invariavelmente decisivo: McKennie. O meia é hoje, ao lado de Vlahovic, o jogador que mais marcou na competição europeia pelo elenco atual da Velha Senhora, com nove gols. Se é um jogo grande ou determinante, ele costuma aparecer – desde o voleio contra o Barcelona em sua temporada de estreia ao desafogo diante do Pafos na sexta rodada desta edição 2025-26, passando pelo segundo gol da vitória de hoje contra o Benfica. É justo destacar não apenas a atuação, mas o espaço conquistado pelo norte-americano. Entre tantas incertezas, todos os treinadores que passam por Turim veem nele não só uma ferramenta versátil, mas um pilar da equipe – confiança sempre correspondida em campo.
Spalletti parece ter encontrado um 11 ideal, agora com poucos desfalques por lesão – apenas Rugani e Vlahovic. Além disso, conseguiu aplicar o esquema 4-2-3-1, tão especulado desde seu desembarque em Turim. Di Gregorio esteve no gol, seguido por Kalulu, Bremer, Kelly e Cambiaso. Thuram e o capitão Locatelli deram sustentação para que McKennie, Miretti e Yildiz servissem David. Desde os primeiros minutos, o confronto se revelou intenso, ainda que truncado. A Juventus assumiu a iniciativa territorial, tentando acelerar pelos lados com Yildiz e Cambiaso, enquanto o Benfica de José Mourinho respondeu com uma posse paciente, esperando algum vacilo bianconero.
Thuram iniciou a vitória dos bianconeri sobre o Benfica (Arquivo/Juventus FC)
Di Gregorio precisou intervir cedo em finalização de Sudakov, enquanto Trubin apareceu bem em chute colocado de Yildiz, ambos antes dos 10 minutos de jogo. O equilíbrio marcou boa parte da etapa inicial, apesar da pressão consistente exercida pelos italianos, que não se sustentou por muito tempo. Os portugueses cresceram gradualmente e obrigaram a Juve a se defender. Além das tentativas de longa distância, quase sempre sem representar perigo real ao goleiro juventino, Bremer contou ao seu lado com um Kelly maduro. Se nas primeiras rodadas da competição ele comprometeu, neste momento vive uma fase segura: é outro nome beneficiado pela chegada de Spalletti.
O zagueiro inglês, inclusive, aos 22 minutos, fez um corte providencial em finalização de Pavlidis que fatalmente abriria o placar, num lance surgiu de uma confusão na saída de bola entre Locatelli e Bremer. A melhor chance da Juventus até então apareceu em jogada ensaiada de escanteio, quando, após desvio de McKennie, a pelota sobrou limpa para Miretti, que cabeceou por cima da meta benfiquista. A partida começou a mudar de figura logo no início do segundo tempo. O camisa 21 deixou o campo no intervalo para a entrada de Conceição, alteração que mudou drasticamente o panorama da peleja, apesar do bom início português.
Após alguns sustos dos encarnados, quase sempre protagonizados por Aursnes, a Juventus respondeu. Em uma escapada dos mandantes, Kalulu encontrou McKennie entrando na área, e o camisa 22 finalizou em cima de Trubin, que fez a defesa – porém, foi um aviso claro do que estava por vir poucos instantes depois. Aos 55 minutos, Thuram recuperou uma bola disputada por David, conduziu para dentro da área e finalizou rasteiro no canto do goleiro para inaugurar o marcador e consagrar uma atuação madura da Juve. O gol desorganizou o Benfica, que passou a correr atrás do prejuízo e deixou espaços em excesso. A equipe italiana, mais segura do que em compromissos recentes, soube controlar o ritmo e não se lançou ao ataque de maneira desordenada, administrando a vantagem com muita inteligência.
Outro clima: com mais confiança, a Velha Senhora já começa a virar a página na temporada (Arquivo/Juventus FC)
O segundo golpe veio pouco depois, aos 64 minutos, em um roteiro já conhecido para jogos grandes em Turim. McKennie, após boa tabela com David, entrou na área novamente e dessa vez guardou o seu, ampliando o placar e praticamente selando o destino da fria noite italiana. Spalletti, então, passou a mexer no time para administrar o desgaste e proteger o resultado. As entradas de Koopmeiners no lugar de Locatelli e outras alterações pontuais deram novo fôlego ao conjunto e ajudaram a Juventus a manter o controle do jogo. Do outro lado, o Benfica apresentou melhora com as mudanças promovidas por Mourinho, especialmente com a entrada de Barrenechea, ex-bianconero, que deu mais dinâmica à saída de bola e ajudou os portugueses a empurrarem o confronto para o campo ofensivo nos momentos finais.
Apesar da reação encarnada, que incluiu muita pressão territorial e um pênalti desperdiçado por Pavlidis, que escorregou na hora da batida, a Juventus não perdeu o domínio do jogo. Soube sofrer quando necessário, fechou os espaços e confirmou uma vitória que vai muito além dos três pontos. Não apenas o tabu de 33 anos foi quebrado, como a Velha Senhora conseguiu devolver o placar aplicado pelos portugueses há um ano, na última partida da fase de liga da Champions League passada, também em Turim. Classificada, viva na briga por vaga direta nas oitavas e com um desempenho que devolve a confiança ao elenco, a Juve encerra a sétima rodada com a sensação de que, ao menos nesta noite europeia, reencontrou o peso de sua camisa no continente.
Ao fim da sétima rodada, a Juventus aparece na 15ª posição, dividindo seus 12 pontos com a rival Inter e ficando um atrás da Atalanta, que soma 13, fechando a sequência italiana na tabela. Como citado anteriormente, graças à terceira vitória consecutiva da Velha Senhora, a classificação direta às oitavas, embora complexa, segue palpável. A última aventura bianconera nesta primeira fase será contra o Monaco, fora de casa. Antes disso, haverá um confronto direto e decisivo pela Serie A: receberá o Napoli, em duelo de muita rivalidade. Já o Benfica, com esta derrota, viu suas chances de playoffs praticamente se esvaírem, já que ocupa apenas a 29ª posição, com seis pontos, e decidirá sua vida contra o Real Madrid.







































