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JB Filho Repórter

·22 de agosto de 2026

A melhor explicação que consegui sobre o salário de R$ 500 mil no Grêmio

Imagem do artigo:A melhor explicação que consegui sobre o salário de R$ 500 mil no Grêmio
  • O Grêmio definiu uma nova política salarial para tentar reorganizar a folha do elenco. A direção trabalha com R$ 500 mil mensais como uma espécie de teto para novas contratações e também para algumas futuras renovações. A ideia lembra o movimento realizado por Romildo Bolzan no início de sua gestão, quando o clube também estabeleceu um limite para salários, mas existe uma diferença importante: agora o Grêmio admite exceções. Portanto, não significa que ninguém mais poderá receber acima dos R$ 500 mil. Jogadores considerados fundamentais, como Carlos Vinícius, poderão ultrapassar bastante essa faixa.
  • Na prática, eu vejo esses R$ 500 mil muito mais como uma base para a construção da nova folha do que como um teto absolutamente rígido. O Grêmio quer sair daquela realidade em que praticamente qualquer jogador de maior nome chegava custando R$ 800 mil, R$ 1 milhão ou mais. O clube enfrenta dificuldades financeiras, acumulou operações que deram errado tanto na gestão anterior quanto na atual e está justamente tentando retirar contratos pesados do elenco. Então, quando for ao mercado por um jogador que não seja considerado fora da curva, a conversa deve começar nesta faixa dos R$ 500 mil. É o fim daquele “show do milhão”, em que salários de sete dígitos começaram a virar quase uma regra dentro do futebol brasileiro.
  • Carlos Vinícius é um exemplo claro de como funcionarão as exceções. O centroavante recebe atualmente algo na faixa dos R$ 800 mil e dificilmente renovará por menos de R$ 1 milhão. O Grêmio já quitou aproximadamente R$ 8 milhões que estavam pendentes com o atleta e seu empresário justamente para chegar à negociação do novo contrato sem dívidas antigas na mesa. Existia uma cláusula de renovação automática que aumentaria um pouco os vencimentos, mas a própria direção entendeu que esse reajuste seria insuficiente para um jogador que recebeu sondagens e propostas muito superiores de outros clubes. Por isso, o novo acordo deverá representar uma valorização real. Minha projeção continua sendo de algo próximo de R$ 1,5 milhão mensais, talvez um pouco mais dependendo de luvas, direitos de imagem e outros componentes.
  • E faz sentido existir uma exceção nesse caso. Não adianta criar uma regra financeira e ignorar completamente o mercado. Se um dos principais jogadores do time recebe ofertas muito maiores e decide permanecer no Grêmio, o clube precisa encontrar um valor que também mantenha esse atleta motivado. O erro seria transformar essas exceções novamente em regra. Carlos Vinícius pode ganhar acima do teto porque é tratado como peça fundamental. O mesmo vale para contratos que já existem, como o do goleiro Weverton, na faixa dos R$ 800 mil. O Grêmio não vai simplesmente chegar ao jogador no meio do vínculo e cortar seu salário para R$ 500 mil.
  • A mudança deve aparecer com mais força nas próximas negociações. Pavón, por exemplo, recebe entre R$ 700 mil e R$ 800 mil, enquanto Amuzu está perto dos R$ 900 mil. Os dois têm contratos que precisarão ser discutidos e é justamente aí que a direção pretende aplicar essa nova lógica. Se quiserem permanecer, o Grêmio tentará construir acordos mais próximos dessa nova realidade financeira, sem repetir automaticamente os vencimentos atuais ou conceder grandes aumentos. Isso não significa que necessariamente ambos aceitarão, mas mostra que o clube não pretende continuar renovando contratos pesados simplesmente para manter jogadores no elenco.
  • E existe um argumento bastante interessante para sustentar essa política. Duas das contratações recentes que mais deram retorno ao Grêmio foram justamente jogadores baratos. Diego Caito chegou do Goiás recebendo aproximadamente R$ 75 mil mensais, enquanto Wallace, contratado junto ao CRB, está na casa dos R$ 30 mil. Evidentemente não significa que todo jogador barato vai dar certo e que basta contratar atletas de salários pequenos para montar um grande time. Mas mostra que salário alto não é sinônimo de qualidade e que existe mercado para encontrar boas alternativas sem comprometer milhões todos os meses.
  • Por isso talvez seja melhor imaginar a nova estrutura como uma pirâmide salarial. A maior parte do elenco ficaria até os R$ 500 mil. Alguns atletas mais valorizados poderiam chegar aos R$ 700 mil ou R$ 800 mil. E, no topo, ficariam pouquíssimos nomes realmente decisivos, como pode acontecer com Carlos Vinícius. Dessa maneira, o clube consegue premiar quem realmente entrega sem permitir que praticamente todo reforço chegue automaticamente com salário milionário.
  • Essa política também explica algumas decisões recentes. Arthur, por exemplo, teria uma exigência na casa dos R$ 2,5 milhões mensais para retornar, algo que o Grêmio não pretende bancar. Braithwaite também possui um contrato extremamente pesado e a direção gostaria de encontrar uma solução para reduzir esse custo. A prioridade agora é justamente retirar da folha aqueles compromissos que ficaram muito acima da capacidade financeira atual do clube.
  • A comparação com o período de Romildo é inevitável, mas existem diferenças. Naquela época, o teto de aproximadamente R$ 150 mil era praticamente inegociável. O Grêmio abriu mão de jogadores e recusou negócios por diferenças relativamente pequenas justamente porque entendia que quebrar a regra para um atleta faria toda a estrutura salarial perder sentido. Agora, a direção pretende ser mais flexível. Os R$ 500 mil serão uma referência, mas jogadores considerados realmente diferenciados poderão ultrapassar esse valor.
  • A estratégia faz sentido desde que o Grêmio tenha critério para definir quem merece estar acima dessa faixa. O problema dos últimos anos não foi simplesmente ter jogador ganhando R$ 1 milhão. Foi ter muitos jogadores recebendo cifras desse tamanho sem entregar futebol correspondente. Se Carlos Vinícius renovar por R$ 1,5 milhão e continuar decidindo partidas, existe uma justificativa esportiva. O que não pode acontecer é voltar a ter meia dúzia de jogadores nessa faixa apenas porque esse virou o preço normal para contratar qualquer nome conhecido.
  • O objetivo da direção, portanto, não é acabar completamente com os salários milionários. É acabar com a banalização deles. R$ 500 mil passa a ser a referência para a maior parte das negociações e qualquer valor significativamente acima disso precisará ter uma justificativa muito clara. Para um Grêmio que precisa reduzir custos e organizar as próprias contas, talvez esse seja um dos movimentos mais importantes dos próximos anos.
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