Portal dos Dragões
·28 de setembro de 2026
A metamorfose de William Gomes: é muito mais do que apenas um agitador no FC Porto

In partnership with
Yahoo sportsPortal dos Dragões
·28 de setembro de 2026

Há um novo William Gomes no Dragão. Depois de uma época de explosão ofensiva, na qual ajudou a compensar a ausência de Samu, o extremo de 20 anos surge agora mais completo, sem perder o desequilíbrio, a finta interior e os golos de assinatura. Na estratégia de Francesco Farioli, o compromisso defensivo ganhou peso, sobretudo pela capacidade de “saltar para cima” dos adversários.
William Gomes já não vive apenas da magia nos pés. O brasileiro tornou-se uma peça fundamental do FC Porto, ao ponto de ter “deslocado” o amigo Pepê para o outro flanco, e acrescentou ao talento natural uma disponibilidade sem bola que ajuda a definir a identidade coletiva da equipa.
A mudança começa na pressão alta, uma das imagens de marca de Francesco Farioli. William usa a velocidade e uma capacidade física que ainda não tinha exibido desta forma para encurtar espaços, condicionar a construção contrária e abafar a saída de bola no último terço.
O extremo passou, assim, de agitador ofensivo a primeiro elemento de uma engrenagem defensiva. Continua a procurar o lance capaz de levantar o estádio, mas fá-lo agora sem se desligar das exigências coletivas.
Os números no campeonato dão expressão concreta à metamorfose. William soma 15 desarmes, mais do que os dois defesas-centrais titulares, Bednarek e Kiwior, juntos, que totalizam 13.
Grande parte destas recuperações acontece em zonas adiantadas, abrindo caminho a transições rápidas e perigosas perante estruturas defensivas em desequilíbrio. O jogador dos lances espetaculares tornou-se também um motor de intensidade, mostrando como o talento pode ganhar outra dimensão quando é colocado ao serviço da equipa.
No clássico com o Benfica, essa faceta ficou especialmente vincada. William assumiu o papel que, no passado, Samu desempenhava: caiu sobre os adversários, forçou o erro e terminou o encontro com quatro recuperações de bola, uma interceção e um corte.
Um dos momentos que ficou na retina dos adeptos mostrou a extensão desse compromisso. Com o resultado ainda sem golos, o extremo percorreu dezenas de metros até à própria área para impedir Prestianni de finalizar.
Mais do que um gesto isolado, o lance condensou a transformação do brasileiro. A capacidade para criar perigo continua intacta, mas está agora acompanhada por uma disponibilidade para perseguir, recuperar e proteger a equipa.
A condição física reforça essa leitura. Perto do final da primeira parte, William atingiu uma velocidade de 36,8 quilómetros por hora para intercetar um passe de Circati e ficou perto de bater Samuel Soares.
O pico surgiu já com quase 45 minutos nas pernas e ajuda a explicar o excelente momento físico da equipa de Francesco Farioli. É também um reflexo do trabalho desenvolvido ao longo de uma pré-temporada muito exigente.
A evolução desportiva tem correspondência na valorização do jogador. O CIES atribuiu a William Gomes um valor de mercado de 50,3 milhões de euros, colocando-o como o sétimo futebolista mais valioso do campeonato português.
Com contrato até 2029 e uma cláusula de rescisão de 80 milhões de euros, o extremo está protegido no Dragão. Ainda assim, a SAD pondera apresentar-lhe em breve uma nova proposta, procurando ajustar o salário ao rendimento demonstrado.
Em paralelo, está a ser avaliada a possibilidade de adquirir os 20 por cento dos direitos económicos que continuam a pertencer ao São Paulo. O objetivo passa por aumentar a dimensão de um eventual encaixe financeiro futuro.
No último defeso, chegaram várias sondagens de clubes espanhóis, italianos e ingleses, mas nenhuma se transformou numa proposta concreta. No final da época, o cenário poderá ser diferente: quanto mais completo se torna William Gomes, mais difícil será ignorar o seu impacto.







































