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·21 de agosto de 2026
A saída do Palmeiras para fazer caixa sem vender jogadores do elenco

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Leila Pereira prometeu criatividade para fechar as contas de 2026 sem desmontar o time. A criatividade agora tem endereço: o Palmeiras pretende avançar já na próxima semana em negociações envolvendo atletas emprestados e jogadores fora do giro de Abel Ferreira, buscando destinos definitivos que virem receita sem tocar na equipe que segue viva nas três competições da temporada.
A lógica é simples de enunciar e difícil de executar. O clube tem uma meta de vendas alta no orçamento, um semestre muito abaixo do previsto e uma promessa pública de não negociar titulares. Sobra, portanto, uma única gaveta para mexer: a dos atletas que estão fora da estrutura principal do elenco.
O orçamento aprovado para 2026 prevê receita total de R$ 1,2 bilhão, com quase R$ 400 milhões vindos da venda de jogadores, e projeta superávit de R$ 11,2 milhões no fim do ano. A realidade do primeiro semestre foi outra: o Palmeiras arrecadou R$ 432,3 milhões, ante os R$ 619 milhões previstos, e fechou o período com déficit contábil de R$ 124 milhões, quando a projeção falava em R$ 19 milhões.
R$ 87,3 milhões
É o que o Palmeiras arrecadou com transferências e receitas diversas no primeiro semestre de 2026, contra pouco mais de R$ 200 milhões previstos no orçamento para o mesmo período.
Palmeiras
O motivo do rombo não foi gasto descontrolado, e sim uma escolha. O clube recebeu ofertas e recusou quase todas para preservar o elenco. Flaco López teve proposta de R$ 116 milhões do Spartak de Moscou negada, e o Aston Villa se dispôs a pagar cerca de R$ 175 milhões por Allan sem que a diretoria abrisse conversa.
É aí que entram os emprestados. O Palmeiras mantém percentuais econômicos de mais de cem atletas espalhados por outros clubes, além de um grupo de jogadores que voltou de empréstimo e não se encaixou no elenco profissional. Transformar essas fichas em dinheiro não muda o time de Abel e ainda libera folha salarial.
Operações desse tipo já apareceram no balanço deste ano em escala menor, com vendas parciais e empréstimos com opção de compra que preservam fatias de direitos econômicos para o futuro. O ponto fraco do modelo é evidente: são negócios de milhões, não de dezenas de milhões. Para chegar perto da meta orçamentária, o clube precisaria de muitas operações desse porte — ou de gatilhos e percentuais de vendas antigas caindo na conta no segundo semestre.
A vaga nas quartas de final aliviou parte da pressão. Com a classificação sobre o Cerro Porteño, o Palmeiras superou a meta orçamentária da competição e acumulou R$ 25,84 milhões em prêmios continentais. Somando os R$ 9 milhões da Copa do Brasil e os R$ 5 milhões do título paulista, a temporada já rendeu quase R$ 40 milhões só em premiação — e cada fase adiante vale mais.
Tenho que ter criatividade. Todo ano, eu passo por isso. Então, às vezes a base me ajuda em negociações. O meu desejo é não negociar nenhum jogador. Preciso manter o clube equilibrado financeiramente. Sou uma mulher criativa. Dou um jeito.
Leila Pereira, presidente do Palmeiras
A frase resume a aposta da gestão: bancar o time forte até o fim do ano e cobrir a diferença com prêmios, base e negócios de segunda linha. Se der certo dentro de campo, a decisão de segurar as estrelas vira acerto histórico. Se não der, o mercado de janeiro chega com a conta inteira em aberto.







































