Central do Timão
·10 de setembro de 2026
“A torcida merece da gente a entrega total”, diz Diniz após empate do Corinthians na Libertadores

In partnership with
Yahoo sportsCentral do Timão
·10 de setembro de 2026

O Corinthians deixou a Argentina com a disputa por uma vaga nas semifinais da Conmebol Libertadores completamente aberta. Na noite da última quarta-feira (9), o Timão empatou por 1 x 1 com o Estudiantes, no Estádio Jorge Luis Hirschi, em La Plata, pelo confronto de ida das quartas de final. Kaio César marcou o gol alvinegro no início da segunda etapa.
Após a partida, Fernando Diniz concedeu entrevista coletiva e abordou diferentes pontos da atuação corinthiana. O treinador explicou a escolha por Pedro Raul no lugar de Gui Negão durante a etapa final, destacou o momento vivido por André Carrillo e analisou a renovação da Seleção Brasileira.

Foto: Rodrigo Coca / Agência Corinthians
O comandante também ressaltou a postura da equipe diante do Estudiantes, agradeceu o apoio da Fiel presente em La Plata e apontou a Libertadores como a competição mais difícil de ser conquistada no continente.
Diniz explica escolha por Pedro Raul e disputa com Gui Negão
Na reta final do confronto, Gui Negão chegou a retirar o colete e se preparar para entrar em campo. Diniz, no entanto, optou pela entrada de Pedro Raul. Segundo o treinador, a característica assumida pelo jogo naquele momento pesou na decisão.
“Eu acho que é uma disputa muito saudável. Ali, pelo tempo que faltava, a gente tinha uma preocupação com a bola parada. A gente cresceu um pouquinho, porque já tinha saído o Carrillo, embora tenha entrado o Charles. Mas, no fundo, para a opção de hoje, o que pesou mais foi que, nos últimos 15 minutos, a gente estava saindo só com bola longa. Então, era importante ter o Pedro Raul. Para este jogo, especificamente, achei melhor. Mas foi por conta disso. Eles estão em pé de igualdade, disputando a posição. É uma questão de sensibilidade, na hora do jogo, de colocar um ou outro.”
Carrillo recebe elogios pelo crescimento
Questionado pela Central do Timão sobre a participação de André Carrillo no meio-campo, Diniz descartou que a estratégia tenha sido montada especificamente ao redor do peruano. O técnico, porém, destacou a evolução apresentada pelo jogador ao longo dos últimos meses.
“Não foi uma coisa focada no Carrillo. Acho que o Carrillo tem melhorado dia a dia, jogo a jogo. É um jogador com quem eu tenho uma conexão bem especial desde quando cheguei aqui. Ele é um cara com experiência internacional, um jogador extremamente técnico e, principalmente depois da parada da Copa para cá, vem crescendo muito. Embora seja um jogador de 35 anos, ele tem saúde física. Acho que precisava de estímulos para poder avançar na produtividade dele.”
Diniz também valorizou a contribuição do camisa 19 nos dois lados do campo e considerou positiva a atuação diante do Estudiantes.
“E não só esse jogo contra a Chapecoense, ele jogou muito bem também. O Carrillo é um jogador bonito de se ver jogar. Eu gostei dele no jogo todo hoje, pelo tempo que esteve em campo, jogou muito bem. Na minha opinião, estava muito atento no sistema defensivo, fazendo coberturas importantes e, com a bola, praticamente não errou nada no jogo todo. É um cara que está em um momento muito bom. E é muito bom ver o Carrillo poder brilhar de novo.”
Diniz aprova renovação da Seleção Brasileira
A quarta-feira também ficou marcada pela convocação da Seleção Brasileira. Carlo Ancelotti chamou três jogadores do Corinthians: Hugo Souza, Matheuzinho e Breno Bidon.
Ao comentar o novo ciclo da equipe nacional, Diniz, que já trabalhou com diferentes atletas presentes na lista, valorizou a renovação pensando na próxima Copa do Mundo.
“Eu fico muito feliz de ver esse pessoal. Obviamente, os jogadores com quem a gente teve alguma participação, a gente fica mais feliz ainda. E, quanto à convocação em si, eu acho muito importante esse período de renovação, porque a próxima Copa é daqui a quatro anos. A Seleção Brasileira tem que pensar em Copa do Mundo. Eu gostei particularmente da convocação e, principalmente, dos convocados do Corinthians.”
“É o que a torcida merece”
O apoio dos corinthianos em La Plata também foi assunto da entrevista. Mesmo depois de quatro derrotas consecutivas pelo Campeonato Brasileiro, torcedores viajaram à Argentina para acompanhar o primeiro confronto das quartas de final.
Diniz afirmou que a postura apresentada diante do Estudiantes deve ser tratada menos como uma resposta e mais como uma obrigação diante do apoio recebido pelo elenco.
“Eu acho que, mais do que uma resposta, é o que a torcida merece. Eu acho que é o que a torcida merece da gente: a entrega total, absoluta e irrestrita em todos os jogos. Acho que a gente tem que procurar fazer isso. Jogar bem tecnicamente é algo que a gente treina para fazer, é importante também, senão a gente não cria e não faz gol, como foi no segundo tempo. Mas essa entrega que os jogadores tiveram faz uma simbiose com a torcida, em que todo mundo ganha.”
O treinador ainda destacou o barulho produzido pela Fiel mesmo atuando fora de casa e pediu que a equipe consiga reproduzir dentro de campo a intensidade demonstrada nas arquibancadas.
“E a torcida do Corinthians merece. Todo mundo sabe, é uma coisa muito diferente. Teve momentos aqui em que a torcida do Corinthians fez mais barulho do que o estádio todo. Então, a gente tem que procurar jogar nesse ritmo da torcida, nessa questão anímica, na vontade, no desejo de ganhar, de não desistir nunca, de ir até o final. Então, estou muito feliz. Eles poderiam, de fato, como você falou, agradar ao torcedor, responder e jogar junto com a torcida, e a torcida junto com o time. É muito bom quando isso acontece.”
Diniz aponta Libertadores como competição mais difícil do continente
Campeão da Libertadores com o Fluminense em 2023, Diniz também foi questionado sobre o grau de dificuldade do torneio em comparação com o Campeonato Brasileiro.
Para o treinador, o formato eliminatório, a presença dos principais clubes do continente e fatores como viagens e altitude tornam a competição continental especialmente complexa.
“São campeonatos muito diferentes. Eu acho que o campeonato mais difícil de ganhar, para mim, é a Libertadores, que é o desejo de todo mundo. Se você pegar os times brasileiros e contar o número de Campeonatos Brasileiros que eles têm e de Libertadores, é muito difícil ganhar a Libertadores. Acho que soma todo mundo. São os melhores do Brasil, os melhores do Uruguai, os melhores da Argentina, os melhores da Colômbia.”
Na sequência, Diniz fez uma comparação com o futebol europeu para explicar sua avaliação.
“Então, é o mesmo que falar se é mais difícil ganhar a Premier League ou a Champions League. Eu acho que a Champions League é mais difícil. O Campeonato Brasileiro é muito difícil, é um campeonato que tem um formato diferente, são 38 partidas. Mas, pela dificuldade de ganhar, pelo aspecto competitivo, pelas viagens e pela altitude, a Libertadores é o campeonato mais difícil que tem para se ganhar no continente.”
Técnico revela mensagem dada no intervalo
O Corinthians foi para o intervalo perdendo por 1 x 0, mas conseguiu empatar logo aos três minutos da etapa final. Diniz explicou que não enxergava uma atuação ruim antes do intervalo e procurou incentivar os jogadores a explorarem mais suas características individuais.
“A mensagem eu deixei para os jogadores. Para mim, eles já estavam bem no jogo. Faltava colocar para fora o talento de cada um, individualmente. Acho que eles ficaram mais à vontade no segundo tempo, desfrutaram mais do jogo e conseguiram produzir não só o gol, mas outras oportunidades também.”
Ao direcionar uma mensagem aos corinthianos, o treinador voltou a agradecer pelo apoio.
“E, ao torcedor corinthiano, a primeira coisa é agradecer por tudo que ele faz pela gente o tempo todo. E dizer que a gente vai se dedicar ao máximo para trazer alegrias para ele o tempo todo.”
Diniz vê poder econômico como diferencial brasileiro
Por fim, o treinador analisou a presença crescente dos clubes brasileiros nas fases decisivas da Libertadores e apontou o poder financeiro como um dos principais fatores para a diferença atual em relação aos argentinos.
“É uma oportunidade histórica. E uma das coisas que o Brasil hoje tem é um poder econômico de investimento maior que a Argentina. Então, o Brasil pega jogadores que, às vezes, a Argentina não consegue pegar. Mas o River agora está se reforçando no nível em que se reforçam Flamengo ou Palmeiras. A diferença econômica acho que faz com que o Brasil consiga, neste momento, ter jogadores que custam mais dinheiro.”
Diniz ampliou a comparação ao citar algumas das principais potências do futebol europeu.
“E, no fundo, é assim no mundo inteiro. A Premier League consegue ser o melhor campeonato porque lá tem mais dinheiro para investir. O PSG também tem um time multicampeão porque tem muito dinheiro, o Manchester City, e por aí vai. Então, acho que o poder econômico hoje no Brasil, em relação ao futebol argentino, faz uma certa diferença.”
Com o 1 x 1 em La Plata, Corinthians e Estudiantes voltam a se enfrentar na próxima quarta-feira (16), às 21h30 (de Brasília), na Neo Química Arena. Uma vitória no tempo normal coloca o Timão nas semifinais, enquanto um novo empate leva a decisão para os pênaltis.
Antes disso, o Alvinegro retoma o Campeonato Brasileiro. No domingo (13), às 16h, visita o Flamengo, no Maracanã, pela 27ª rodada. O Corinthians ocupa a 12ª colocação, com 32 pontos, oito vitórias, oito empates e dez derrotas, além de 27 gols marcados e 27 sofridos.







































