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·05 de janeiro de 2026
A tragédia de Figueiredo

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Aos 21 anos, Figueiredo já tinha um currículo de gente grande no Flamengo. Em 1981, foi campeão da Libertadores, formando com Mozer a dupla de zaga em dois dos três jogos das finais contra o Cobreloa – no desempate, foi substituído por Marinho. No Mundial Interclubes, viu do banco de reservas a vitória por 3 a 0 sobre o Liverpool. Em 1982 e 1983, conquistou o Campeonato Brasileiro. Entre outros títulos.
Até que um acidente aéreo em 20 de dezembro de 1984 pôs fim à carreira e à vida do zagueiro de 23 anos.
Claudio Figueiredo Diz nasceu em São Paulo no dia 23 de dezembro de 1960. Filho de António Lago Diz, um espanhol fanático por futebol, e de Suzana Figueiredo, começou a jogar ainda criança nos dentes-de-leite do Palmeiras. Foi no Parque Antárctica que aprendeu a admirar Luís Pereira, seu principal ídolo como zagueiro.
Foi também com o incentivo do pai que Figueiredo trocou São Paulo pelo Rio de Janeiro aos 15 anos. Chegou ao Flamengo, onde pertenceu a uma geração que revelou nomes como Leandro e Mozer. Foi promovido ao time principal em 1981, aos 20 anos.
No entanto, em um elenco repleto de astros, Figueiredo teve dificuldade para se firmar. Tinha que superar primeiro a concorrência de Rondinelli; depois de Mozer e Marinho. Tentava compensar com a dedicação em treinos e jogos, e não raro se machucava. Mesmo assim, como coadjuvante, foi empilhando taças atrás de taças.
Em 1984, veio a grande chance com a chegada de Zagallo ao Flamengo. Mas também vieram as contusões: quebrou o maxilar, depois fraturou o pulso em um jogo. Com isso, Leandro se firmou na zaga como um dos melhores nomes do time. A Figueiredo, restou o banco de reservas até o fim.
No último jogo da vida, em 1º de dezembro de 1984, entrou em campo na derrota por 2 a 1 para o Fluminense pela Taça Rio. Assumiu uma vaga na zaga depois que Leandro foi deslocado para o meio-campo. Vestiu a camisa 10.
Em 20 de dezembro, quatro dias depois do término do Campeonato Carioca de 1984, um monomotor modelo Corisco de prefixo PT-NJS 193 decolou do Rio de Janeiro com destino a Salvador. Figueiredo viajava acompanhado de Nilton Gomes de Oliveira, irmão do atacante Bebeto, e da modelo Viviane Ramos. O piloto era Moacir da Costa Gomes Neto.
A viagem faria uma escala para abastecimento em Vitória (ES), mas não chegou até lá. Enquanto sobrevoava a região do Pico da Caledônia, entre as cidades de Nova Friburgo (RJ) e Cachoeiras de Macacu (RJ), o avião atingiu uma rocha com a asa dianteira e se projetou para frente, batendo contra outra rocha. Os quatro ocupantes morreram na hora.
Os destroços só foram encontrados no dia seguinte, dando início a uma complexa operação de resgate. Enquanto dois alpinistas de Nova Friburgo subiram a montanha para auxiliar, militares do Para-Sar (Esquadrão Aeroterrestre de Salvamento) desceram com cordas até o local. A equipe só chegou ao local no dia 23. Os dois primeiros corpos foram içados em sacos plásticos, ainda sem identificações.
Após o transporte das primeiras vítimas, o helicóptero que auxiliava na operação precisou abastecer. Ao tentar voltar, encarou uma forte ventania entre as rochas. Mesmo assim, os pilotos responsáveis conseguiram manter a aeronave na fenda até que os outros dois corpos fossem içados. Mesmo em meio ao luto, os militares foram celebrados no regresso.
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Segundo o major Airo, do Para-Sar, o plano de voo havia sido traçado de três a cinco quilômetros fora da rota, o que teria afetado também o cálculo da altitude do voo. Os familiares das vítimas não acompanharam o resgate, então o reconhecimento dos corpos ficou a cargo de dois legistas.
O corpo de Figueiredo foi levado de helicóptero ao Rio de Janeiro. No mesmo dia em que completaria 24 anos, foi sepultado na Capela 7 do cemitério São João Batista. Cerca de mil pessoas acompanharam o velório, realizado com o caixão fechado.
O pai, Antonio, estava inconsolável. O irmão, também chamado Antônio, chorava muito. “Não quero ver meu irmão morto”, lamentava a irmã Silvana, que não se aproximou do caixão. “Eu não vou mais ter sossego na minha vida”, desabafava a mãe, Suzana.
Ao Flamengo, restou cumprir o contrato de Figueiredo pagando os salários do jogador até fim. A torcida se despediu cantando o hino do clube. Andrade, Adílio, Jorginho, Cantarelli, Tita e Zagallo lamentavam a partida prematura do zagueiro.
“Figueiredo encarnava a fibra rubro-negra”, lamentava Zico. “Para ele, treino era jogo. Em um treino coletivo, ele entrou duro demais e eu reclamei, mas no fim entendi. Ele era assim mesmo. Suas características eram de um jogador que não gostava de perder e lutava muito dentro de campo. Tenho certeza de que ele ainda iria conquistar muitos títulos com o Flamengo.”
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