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·07 de agosto de 2026
A volta dos Millonarios? River tenta estancar crise com campeões do mundo e mercado recorde de R$ 329 milhões

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Nunca antes os Millonarios fizeram tão jus ao apelido. Em uma janela recorde no futebol argentino, o River Plate trouxe três campeões do mundo e gastou 64 milhões de dólares, cerca de R$ 329 milhões, para estancar a crise que tem marca negativa centenária como sinal de alerta.
E vamos voltar mesmo muitas décadas atrás para contextualizar uma substantivação de um adjetivo que virou sinônimo de orgulho em Nuñez. Mas nem sempre foi assim... Tal qual o apelido de Gallinas, o torcedor do River tornou a alcunha de Millonarios, usada inicialmente de forma pejorativa, um motivo de orgulho. E a história do apelido data de quase um século atrás.
No início da década de 1930, com o início da profissionalização do futebol argentino, o River fez contratações galácticas no contexto competitivo local para aquela época. Vieram nomes como Carlos Peucelle, Bernabé Ferreyra, Angel Bossio, Alberto Cuello e Carlos Santamaría, totalizando 105 mil pesos em investimentos. O clube acabou campeão da liga e da Copa em 1932 e adotou anos mais tarde, com orgulho, a alcunha de Millionarios.
Avançamos quase 100 anos e, apesar de profissional, o futebol argentino continua com vícios amadores. Se liderava com sobra o posto de país com mais títulos da Libertadores, a Argentina viu o Brasil, com sete títulos seguidos, igualar as 25 conquistas.
Apesar das campanhas da Argentina com Lionel Scaloni, impulsionadas por Messi, o futebol argentino não consegue esconder a decadência de seus clubes. Dos formatos esdrúxulos da Liga Argentina a crises financeiras intermináveis em camisas de entortar varal.
O próprio River viveu o vexame de um rebaixamento que, ao mesmo tempo, marcou um recomeço. Com Marcelo Gallardo, os Millonarios voltaram ao topo da América, mas tiveram uma recaída recente que nem o comandante conseguiu evitar.
De fora da atual Libertadores, o River perdeu os últimos cinco jogos por competições nacionais, a pior série desde 1911. O time de Eduardo Coudet, ex-Galo e Inter, é o único entre os 30 de um superlotado campeonato a não conquistar nenhum ponto no Clausura. É o único, também, que não marcou qualquer gol nas três partidas da competição.
Para tentar estancar a crise, o River aproveitou a condição econômica superior aos rivais e buscou a saída no mercado. Até o momento, gastou R$ 329 milhões em nove caras novas, incluindo três campeões mundiais.
O reforço mais recente, ainda por anunciar, é também a maior compra da história do futebol argentino. Algumas fontes variam um pouco quanto a valores: o Diario Olé garante a transferência fechada em 20 milhões de dólares, enquanto o Marca estipula o valor em euros. De qualquer forma, Almada é uma transferência recorde para o futebol argentino.
Campeão do mundo em 2022 pela Argentina, Almada fez o River superar a queda de braço nos bastidores com o Flamengo, a grande potência financeira no mercado sul-americano. O meia é um dos três campeões do mundo novidades nesta janela.
Os Millonarios trouxeram ainda do futebol europeu o zagueiro Nicolás Otamendi, que estava livre no mercado após não renovar com o Benfica. Também campeão do mundo, Ángel Correa chegou do Tigres do México por 15 milhões de dólares. Montiel, que já estava no clube, completa o quarteto campeão mundial.
Mais Millonarios que nunca no mercado, os argentinos pagaram ainda 7 milhões de dólares ao Getafe pelo uruguaio Mauro Arambarri; 6 milhões ao Vélez por Tobías Andrade; 6 milhões ao Olympiacos por Francisco Ortega; 2,5 milhões ao Inter por Rafael Santos Borré e 500 mil dólares por Giovanni González, lateral ex-Krasnodar.
Lucas Beltrán chegou da Fiorentina por empréstimo, mas com uma obrigação de compra estipulada em 6,7 milhões de dólares. O atacante também chegou a ser cobiçado pelo mercado brasileiro, mas resolveu voltar para a Argentina.
Usando uma artimanha comum no Brasil, o River tenta estancar a crise com (muito) dinheiro. Não é a primeira vez que o faz, mas dessa vez com cifras ainda mais ambiciosas. Resta saber, agora, se o dinheiro pode comprar felicidade em Nuñez...







































