Nosso Palestra
·17 de julho de 2026
Abel é homenageado e destaca sonho no Palmeiras: ‘Voltar a ganhar Libertadores’

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·17 de julho de 2026

O treinador Abel Ferreira foi homenageado nesta sexta-feira (17), na sala de troféus do Nubank Parque, pela Presidente Leila Pereira. Comandante com mais títulos na história do Palmeiras, o português ganhou um espaço no local com seus pertences e frases marcantes em sua passagem no clube.
Com contrato até o final de 2027, Abel Ferreira já conquistou um título na atual temporada. O Campeonato Paulista conquistado diante do Novorizontino foi o décimo primeiro do treinador à frente do Palmeiras.
Após ser homenageado pelo Palmeiras, Abel Ferreira concedeu entrevista coletiva e fez uma reflexão sobre sua trajetória no clube. O treinador relembrou a conversa que teve com o então presidente Maurício Galiotte antes de assumir o comando da equipe e destacou a continuidade do projeto com Leila Pereira.
Quando um presidente entrevista um treinador, acho que deve fazer mesmo, para saber de tudo. Logicamente o presidente deve fazer perguntas e o treinador também. E uma das minhas foi exatamente o que o clube queria para o presente e o futuro.
O português lembrou que Galiotte não condicionou seu trabalho à conquista imediata de títulos.
Quando chegamos, o Galiotte não me pediu títulos, mas acima de tudo aquilo que era a visão do clube: apostar na base, ser competitivo. Logicamente o Palmeiras vai sempre lutar por títulos, mas acreditávamos que conseguiríamos fazer o clube crescer de forma sustentável.
Abel também ressaltou a sequência do planejamento durante a gestão de Leila Pereira.
Depois veio a Leila, com uma ambição muito forte, uma equipe mais sólida, processos sólidos. Fomos criando conexão e pensamento. A presidente, apesar de chegar mais tarde ao futebol, sempre foi muito forte na parte financeira. Hoje o clube é sólido em tudo, competitivo. O treinador tem tudo o que quer. Sabemos que um clube como o Palmeiras precisa lutar por títulos.
Questionado se mudaria alguma decisão tomada desde que chegou ao Verdão, Abel foi direto.
A verdade é que não me arrependo. Não gosto de olhar para trás. O maior risco é não arriscar. Tenho, acima de tudo, muita gratidão. Sou português com muito orgulho, mas o Brasil e o Palmeiras fazem parte da minha vida e da minha história.
Abel também explicou por que segue no comando do clube mesmo após receber propostas ao longo dos últimos anos. Segundo ele, o ambiente interno e a confiança da diretoria são fatores determinantes.
O que me faz continuar no Palmeiras é a nossa diretoria e a presidente. Tenham certeza disso. É muito difícil encontrar um clube que tenha presidentes como a Leila. É raro.
O treinador comparou a realidade do futebol brasileiro com grandes clubes europeus.
Hoje vemos cada vez menos o treinador exercer o seu papel com continuidade. O Chelsea ganhou o Mundial e, três meses depois, o treinador foi mandado embora. Hoje ele está no Manchester City. O que quero dizer é que trabalhamos com projeto, com relacionamento, com confiança e continuidade.
Para Abel, manter o sucesso por tantos anos é um desafio ainda maior do que conquistar títulos.
Ganhar uma vez é difícil, mas ganhar de forma consistente é desgastante. O que me faz continuar são as relações humanas dentro do clube. Eu e minha comissão fazemos tudo o que for preciso para merecer o lugar onde estamos, não só pela confiança da presidente, mas também da torcida e dos jogadores.
Mesmo após as conquistas acumuladas no Palmeiras, Abel admitiu que ainda tem um objetivo especial.
Tenho um sonho de voltar a ganhar a Libertadores. Ano passado bateu na trave e sabemos por que bateu na trave. Esse ano vamos tentar mais uma vez. Não posso garantir, mas é o meu maior sonho. Continuar ganhando títulos. Quero sentir esse prazer, esse sabor. É rápido, mas é isso que nos move.
Abel também fez questão de elogiar o coordenador das categorias de base, João Paulo Sampaio, apontando-o como uma peça fundamental no desenvolvimento do Palmeiras.
Ele faz muito parte de tudo. Nosso coordenador da base. Alguns de vocês lembram que, na minha chegada, ele estava junto. É um profissional extraordinário.
O treinador revelou que confia plenamente na avaliação do dirigente sobre os jovens talentos.
Alguns jogadores passam pela gente e ele diz: ‘Esse não vai descer’. E eu respondo: ‘Talvez não, não vai descer’.
Por fim, Abel destacou que o Palmeiras consegue conciliar a pressão por resultados com o desenvolvimento das Crias da Academia.
Quando cheguei, o clube já tinha uma estrutura forte. Com a entrada da Leila, tudo continuou a crescer, com mais reforços e um elenco mais competitivo. Mas a base faz parte desse processo. Alguns dizem que em clubes muito exigentes não há espaço para a base. Não há clube no Brasil com tanta exigência quanto o Palmeiras. E aqui temos coragem de apostar, cuidar e apoiar esses moleques.
Questionado sobre a vitória mais marcante e a derrota mais dolorida de sua trajetória no Palmeiras, Abel Ferreira evitou escolher um jogo específico e reforçou que vive focado no presente.
Vitória foi a última (risos). Não consigo dizer da derrota, sinceramente. Não me lembro. Estou sempre pensando no que vem a seguir.
O treinador destacou que a rotina no futebol é feita de conquistas e frustrações, e que os momentos difíceis também fazem parte da construção de uma equipe vencedora.
Já ganhamos muito e perdemos muito. São 11 títulos, mas também já perdemos seis ou sete. É a nossa vida. Não são só rosas, tem muito espinho, muito osso para roer. Isso molda o nosso caráter. Nos momentos bons, a onda leva. Nos difíceis, mostramos quem realmente somos. Minha última memória é sempre o último jogo.
Durante a homenagem recebida pelo Palmeiras, Abel explicou o significado de alguns dos objetos expostos, que representam momentos importantes de sua trajetória no clube.
A sapatilha tem a ver com a frase ‘todos somos um’. Aquela camiseta é a solidária. Como bom português, trouxe um vinho. Fiz questão de colocar uma bandeira do Brasil e outra de Portugal juntas. Tem também um livrinho, um cofrinho de 2023, onde juntávamos nossos pontos, e o livro, que começou como uma ideia e conseguimos concretizar aqui.
Ao falar da família, o treinador revelou que o contato com a mãe segue sendo um momento especial, apesar da distância de Portugal.
Quando falo com minha mãe, sempre conversamos sobre a mesma coisa. Ela pergunta se estou bem, se meus meninos estão bem e como estão os meus jogadores. É muito bom poder falar com ela. Sem o telefone seria difícil.
Abel encerrou demonstrando a saudade dos familiares.
Não disse nada para ela sobre isso. Ninguém da minha família está aqui. Todos estão em Portugal. Estou cheio de saudades.
Líder do Campeonato Brasileiro, o Palmeiras agora concentra totalmente as atenções na retomada das competições oficiais. O próximo compromisso será na quarta-feira (22), às 19h30, contra o Coritiba, em Curitiba, pela 19ª rodada do Brasileirão.







































