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·27 de agosto de 2026
Abel explica relação com Palmeiras e fala sobre futuro

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Perguntado sobre o legado que gostaria de deixar no Brasil, Abel Ferreira interrompeu a pergunta antes de respondê-la: “eu não me estou a despedir, nem me vou despedir”. Depois, na coletiva que se seguiu ao 3 a 0 no Santos, explicou por que segue no Palmeiras — e usou três dos maiores clubes do mundo para marcar a diferença.
Eu não vou encontrar em lado nenhum, nem no Barcelona, nem no Real Madrid, nem no City. O que eu encontro aqui, para a minha realização pessoal como treinador, é poder pegar na caneta e riscar como risca a nossa presidente.
Abel Ferreira
O treinador descreveu o desenho de poder que, segundo ele, torna o trabalho possível: “estou num clube onde três pessoas organizam, uma decide e três trabalham para o clube: Barros, Abel e a nossa presidente Leila”. A decisão final, fez questão de dizer, é dela — “ela é que carrega no enter”.
As razões para ficar, resumiu, são duas. “A primeira é que o Brasil abraçou e acolheu o treinador e, mais do que o treinador, a família do treinador. A segunda é que eu amo trabalhar no Palmeiras.”
Sobre o legado, Abel disse que só o tempo dirá — “talvez daqui a 15, 20 anos” —, mas cravou uma frase: “eu vou deixar o clube muito melhor do que o que eu encontrei. Isso eu tenho a certeza absoluta. Não sei quando é que eu vou deixar, mas vou deixar o clube, quando eu deixar, muito melhor do que quando o encontrei”.
Ele chegou ao Palmeiras em 2020 e descreve o período por processos, e não por taças: “desde que eu cheguei ao Palmeiras, a única constante que existe é a mudança”. Segundo o treinador, foi assim que o clube construiu uma cultura — “para se criar uma cultura tem que se criar hábitos; para se criar hábitos é preciso uma exigência; e para criar exigência é preciso processos”.
Na mesma entrevista, Abel avisou Flaco López — que marcou duas vezes e vive a melhor fase — a não acreditar no que vier depois de uma noite assim: “quer o elogio, quer a crítica, são impostores. O problema é que às vezes nós acreditamos”.
O argumento serviu também para ele: “não sou pior nem melhor porque ganhei ou perdi ao Fluminense”, disse, lembrando a derrota por 3 a 2 no Maracanã, duas semanas atrás. E completou com uma comparação: “se pegarem no Guardiola, que é um dos melhores treinadores do mundo, e o meterem numa equipa média, ele não vai ganhar. Não há milagres”.
Abel citou ainda as vendas recentes como parte do que considera o trabalho do clube: “estes sete, oito ou nove jogadores que nós vendemos (…) são jogadores que a seleção brasileira pode aproveitar. Já alguém pensou nisso? Não trabalhamos só para o Palmeiras, trabalhamos também para o futebol brasileiro”.
A entrevista aconteceu depois da vitória por 3 a 0 sobre o Santos, no dia em que o clube completou 112 anos. A ficha da partida está na página do jogo.
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