Portal do Palestra
·17 de agosto de 2026
Abel Ferreira rebate crítica ao seu trabalho: “Perdemos um jogo, não perdemos o título”

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A derrota de 3 a 2 para o Fluminense no Maracanã, no sábado (15), pela 23ª rodada do Brasileirão, terminou em uma das coletivas mais tensas de Abel Ferreira desde que chegou ao Palmeiras. O treinador interrompeu perguntas, acusou a imprensa de construir narrativa, listou o que o time conquistou nos últimos anos e, diante de um repórter que questionava a qualidade do próprio trabalho, cortou a linha de conversa: “E vamos acabar aqui.”
O jogo explica o clima. O Palmeiras esteve à frente do placar duas vezes — Gustavo Gómez abriu a contagem e Maurício recolocou o Verdão em vantagem aos 82 minutos — e viu o Fluminense virar na reta final. Foi a quarta partida sem vitória, sequência que antecede a decisão de quarta-feira (19) contra o Cerro Porteño, em Assunção, pela volta das oitavas da Libertadores.
A primeira faísca veio quando um jornalista pediu uma mensagem ao torcedor e citou o jejum de quatro jogos. Abel aceitou a crítica ao desempenho, mas rejeitou o tamanho do diagnóstico. Segundo o treinador, a leitura que circula não corresponde à posição real da equipe na temporada: “às vezes a forma como tu me perguntas parece que perdemos o título hoje”, disse. E completou: “Não, perdemos um jogo, não perdemos o título.”
Na sequência, o técnico foi mais longe e disse que não aceitaria a moldura da pergunta: “não vou deixar que vocês queiram criar narrativas”. Antes disso, porém, assumiu cada ponto da derrota.
Sim, jogamos mal. Sim, cometemos erros individuais e coletivos neste jogo. Sim, perdemos um jogo. Sim, temos todos que fazer mais e melhor. Ponto.
Abel Ferreira, em coletiva no Maracanã após a derrota para o Fluminense
O momento mais áspero veio quando um repórter perguntou, de forma direta, se não era possível fazer melhor com o elenco do Palmeiras, citando o orçamento do clube e sustentando que há pelo menos dois anos a equipe não joga bem nem alcança resultados satisfatórios. Abel devolveu a provocação antes de responder: “Estás-me a fazer uma pergunta? Muito simples, faz-me uma pergunta direta.”
Quando a pergunta veio no formato que ele pediu, o treinador concordou que dá para fazer melhor — e em seguida puxou a própria régua. Enumerou o vice-campeonato brasileiro, o título paulista e a final da Libertadores no período em discussão, e devolveu ao interlocutor: “O que é que você quer que o Palmeiras ganhe sempre todos os anos? Basta olhar para a história. Olhe para a história do Palmeiras.”
A troca ainda subiu de tom quando o repórter insistiu no argumento. “Se você quiser fazer um artigo de opinião, amanhã faz um artigo de opinião. Você não está a fazer uma pergunta, você está a dar uma opinião”, respondeu Abel, antes de encerrar aquele bloco de perguntas. Mesmo ali, ele repetiu a autocrítica: “temos que fazer todos muito melhor, o treinador e os jogadores”.
Na parte técnica, o treinador foi específico. Disse que uma equipe como o Palmeiras não pode estar ganhando por 2 a 1 aos 82, 83 minutos e sair derrotada, porque as tarefas defensivas em bola cruzada são claras e treinadas: quem marca quem, quem acompanha o lateral que cruza, quem fica com o atacante na área. “Isso foi claramente uma falha individual e coletiva da nossa equipa”, avaliou, lembrando que “para fora, a responsabilidade é sempre minha”.
Ele detalhou ainda o terceiro gol, que considera o mais evitável: uma tabela em que o jogador que dá o passe aparece em movimento de segunda linha e precisava ser acompanhado, com um atacante recém-entrado livre na área. “Ficamos a olhar para a bola e esquecemos de acompanhar”, resumiu. O goleiro Carlos Miguel virou alvo da torcida depois da virada, mas a explicação do treinador colocou o problema na cobertura coletiva.
Questionado sobre as novas regras de arbitragem que estrearam na rodada, Abel disse gostar do que viu no papel — “gosto das regras que dá dinâmica, dá fluidez ao jogo” — mas avaliou que o campo do Maracanã anulou o efeito, no pior gramado que viu desde que chegou ao Brasil. “É difícil também jogar bom futebol com um gramado como este”, afirmou.
Sobre o lance de mão de Agustín Giay reclamado pelo Fluminense, o treinador afirmou não ter assistido à reprodução e repetiu o critério que cobra da arbitragem: “Se o Giay toca na bola com a mão sem tocar na cabeça, é pênalti. Se o Giay toca na cabeça e vai da cabeça à mão, não é pênalti. Há dúvidas?”
A agenda transforma a irritação em urgência. O Verdão decide a vaga nas quartas da Libertadores nesta quarta-feira (19), às 19h, no Estádio Ueno La Nueva Olla, com transmissão apenas pelo streaming. A ida terminou 1 a 1, e qualquer empate leva a decisão para os pênaltis. Depois vêm o Vasco, no domingo (23), no Nubank Parque, e o clássico com o Santos, no dia 26, pela ida das quartas da Copa do Brasil.
O treinador já projetou o Paraguai ainda no Maracanã: “vamos agora recuperar a nossa equipa e preparar-nos para fazer tudo o que nós pudermos para estar na próxima fase. Esse é o nosso objetivo.” A reação também foi cobrada internamente — Abel, elenco, diretoria e Leila Pereira se reuniram antes do treino de domingo — e a viagem terá desfalques, com a lesão muscular de Ramón Sosa confirmada em exames e Andreas Pereira suspenso. No Brasileirão, apesar do jejum, o Palmeiras segue líder com 48 pontos.







































