Aconteceu algo muito mais importante do que os pênaltis perdidos pelo Carlos Vinícius
O empate sem gols entre Grêmio e Palestino não foi só mais um resultado ruim. Foi daqueles jogos que escancaram um problema que já vem se arrastando há tempo demais. Não é sobre um lance específico, não é sobre um jogador isolado. É sobre um time que, hoje, simplesmente não joga.
A situação na Sul-Americana começa a ficar bem preocupante. Neste momento, o Grêmio não está nem indo direto, nem para a repescagem. É terceiro colocado do grupo, numa campanha muito abaixo do que se imaginava. E não dá pra dizer que foi “só hoje”. O desempenho vem sendo repetido. Muda peça, muda escalação, muda tentativa tática… e o resultado prático segue o mesmo.
O técnico Luís Castro até tentou algumas alternativas. Preservou jogadores, mexeu nas peças, testou nomes em funções diferentes. Teve Caio Paulista pela esquerda, Dodi mais por dentro, Willian aberto, Mec centralizado. No papel, até dá pra discutir ideia. Dentro de campo, não funcionou. Nem antes das mudanças, nem depois.
O único momento de possível virada no jogo acabou virando símbolo da noite. O pênalti perdido três vezes pelo Carlos Vinícius vai, naturalmente, chamar atenção. E vai ter crítica, vai ter comparação, vai ter debate. Mas focar só nisso é ignorar o principal: o Grêmio não constrói, não pressiona, não cria padrão.
Não tem jogada pela direita, não tem jogada pela esquerda, não tem pressão alta consistente, não tem saída limpa, não tem volume ofensivo organizado. É um time que até pode ter posse de bola, pode até finalizar em número razoável, mas sem transformar isso em domínio real.
E aí entra um ponto importante. Já estamos em maio. Não é início de trabalho. Não é adaptação curta. Já passou tempo suficiente pra se enxergar alguma identidade mais clara. E isso ainda não apareceu.
O próprio Luís Castro já mostrou, em outros momentos da carreira, que precisa de tempo — e também de peças. Lá atrás, no Botafogo, a virada de chave veio junto com reforços importantes. Aqui, até pode acontecer algo parecido. Mas, hoje, o que se vê é um time distante do que se espera.
No meio disso tudo, até surgem lampejos individuais. O Mec tenta dar alguma lucidez, o Caio Paulista apareceu em alguns momentos, o Tetê sofreu o pênalti. Mas é muito pouco para um time que precisa entregar bem mais.
No fim das contas, o empate sem gols não é só um resultado ruim. Ele reforça uma sensação que já está ficando difícil de ignorar: o Grêmio ainda não encontrou o seu jogo. E, pior, não dá sinais claros de que está perto disso.