Território MLS
·12 de agosto de 2026
Alexis Sánchez chega ao CF Montréal e vestirá a camisa 10 na MLS

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·12 de agosto de 2026

Aos 37 anos, histórico atacante chileno chega em transferência livre para reforçar uma equipe que apresentou evolução durante a temporada e ainda busca encontrar sua melhor formação ofensiva.
O CF Montréal acertou a contratação de Alexis Sánchez. Aos 37 anos, o histórico atacante chileno chega à MLS em transferência livre e será o novo camisa 10 da equipe canadense.
O número ajuda a mostrar a importância que o Montréal espera que Alexis tenha dentro de campo. Não significa, porém, que o chileno desembarque no Canadá para carregar a equipe ou assumir imediatamente o posto de grande protagonista. Aos 37 anos, será necessário observar sua adaptação à MLS, sua condição física durante a sequência da temporada e, principalmente, como Philippe Eullaffroy pretende utilizá-lo.
A expectativa é grande, naturalmente. Além de toda a repercussão que acompanha um jogador de sua carreira, Alexis chega a um Montréal que possui bons jogadores ofensivos e pode encontrar no chileno uma peça para acrescentar qualidade e eficiência a um setor que ainda busca sua formação ideal.
Barcelona, Arsenal, Manchester United, Inter de Milão, Olympique de Marseille, Udinese e Sevilla fazem parte de uma carreira construída praticamente inteira no mais alto nível do futebol europeu.
Pela seleção chilena, Alexis se tornou um dos maiores jogadores da história do país e foi um dos protagonistas da geração que conquistou duas vezes a Copa América, em 2015 e 2016.
Na última temporada europeia, defendendo o Sevilla, o atacante marcou quatro gols e distribuiu duas assistências. São números naturalmente distantes daqueles apresentados durante seu auge na Europa, mas que também ajudam a entender o momento da carreira em que chega à MLS.
O Montréal não está contratando o Alexis Sánchez do Arsenal ou do Barcelona. Está contratando um jogador de 37 anos, ainda muito bem preparado fisicamente para sua idade, com enorme qualidade técnica e que pode exercer diferentes funções no ataque, mas que precisará ter suas características atuais consideradas na montagem da equipe.
Essa talvez seja a principal questão futebolística envolvendo sua chegada.
Philippe Eullaffroy manteve boa parte da estrutura ofensiva que já era utilizada por Marco Donadel, mas modificou principalmente a composição do meio-campo. Sem um camisa 10 definido, o treinador passou a utilizar um trio mais conservador, normalmente com Victor Loturi, Sean Longstaff e Samuel Piette.
Com isso, os jogadores dos lados passaram a ter ainda mais importância na construção ofensiva.
Hennadii Synchuk, Noah Streit e Wikelman Carmona são algumas das opções para essas posições. Synchuk e Carmona possuem características naturais de jogadores mais centralizados, mas podem atuar pelos lados e foram utilizados dessa maneira dentro da estrutura do Montréal. Carmona, lesionado, ainda não conseguiu ter minutos sob o comando de Eullaffroy.
Até Daniel Ríos, centroavante de origem, já apareceu aberto durante a temporada. Antes disso, Iván Jaime era uma das principais opções para ocupar espaços mais centralizados, mas retornou ao Porto depois de o Montréal não concretizar sua permanência.
O jogo pelos lados, portanto, continua tendo bastante importância para Eullaffroy, e a chegada de Alexis não necessariamente precisa mudar isso.
O chileno possui uma carreira inteira atuando também a partir dos corredores e pode perfeitamente ser utilizado como um dos jogadores abertos. A dúvida está em quanto essa função exigiria fisicamente de um atleta de 37 anos dentro da atual estrutura do Montréal.
Alexis sempre foi um jogador fisicamente privilegiado e continua chegando à MLS em boas condições para sua idade. Ainda assim, existe uma diferença entre estar bem fisicamente aos 37 anos e conseguir assumir durante toda uma temporada as mesmas responsabilidades de um ponta mais jovem, principalmente em uma equipe que gosta de pressionar o adversário no campo ofensivo.
Por isso, vejo como uma possibilidade interessante aproximá-lo mais do centro.
Isso não obrigaria Eullaffroy a abandonar seus pontas. O Montréal pode continuar ocupando os corredores com jogadores ofensivos e, ao mesmo tempo, trabalhar com Alexis mais próximo de um centroavante, dando ao chileno liberdade para buscar a bola, participar da construção e aparecer em diferentes regiões do último terço.
Se Alexis for utilizado de maneira mais central, Prince Owusu aparece como um companheiro bastante interessante.
O centroavante soma 11 gols e seis assistências em 20 partidas na temporada e é atualmente o jogador mais eficiente do Montréal no ataque. Enquanto diferentes atletas conseguem contribuir para a criação, Owusu é quem melhor vem transformando a produção ofensiva da equipe em participações diretas em gols.
O Montréal possui qualidade para criar por diferentes caminhos. Synchuk é um jogador tecnicamente interessante, Longstaff possui qualidade no último passe, Loturi vem apresentando boas atuações e Luca Petrasso também consegue participar da construção vindo de trás. Com o retorno de Carmona, Eullaffroy ainda recuperará outra opção importante para o setor ofensivo.
Alexis acrescenta mais uma possibilidade a esse grupo e também pode aumentar a eficiência da equipe. Durante a carreira, nunca foi um atacante limitado à finalização. É um jogador que gosta de participar, sair da referência, receber entre linhas e criar oportunidades para quem aparece ao seu redor.
Ter Owusu atacando a área enquanto Alexis ganha liberdade para circular pode, portanto, ser uma das alternativas. Daniel Ríos também oferece outra opção para essa função, caso Eullaffroy queira manter um centroavante ao lado do chileno.
Tudo isso ainda depende, obviamente, da visão do treinador e de como Alexis chegará fisicamente. Utilizá-lo pelos lados continua sendo uma possibilidade, assim como diferentes formações podem aparecer durante os jogos. A contratação simplesmente aumenta o número de soluções disponíveis.
Uma das características positivas do Montréal nesta temporada é justamente o trabalho sem a bola. A equipe consegue pressionar no campo ofensivo e possui um elenco fisicamente interessante para sustentar essa proposta.
Esse contexto pode ajudar bastante um jogador de 37 anos.
Alexis ainda pode participar da pressão e nunca foi um jogador acomodado sem a bola, mas não existe necessidade de exigir que tenha o mesmo volume defensivo de atletas muito mais jovens. O Montréal possui jogadores capazes de assumir uma parcela maior desse trabalho e permitir que o chileno seja utilizado de maneira mais racional.
Isso também explica por que considero o encaixe interessante. Alexis não está chegando a uma equipe que precisa que ele faça absolutamente tudo. O Montréal já possui uma estrutura de pressão, tem jogadores criativos e conta com um centroavante produzindo bons números. A função do chileno será acrescentar aquilo que ainda consegue oferecer, principalmente tecnicamente, sem que todo o funcionamento da equipe passe a depender dele.
Também é importante contextualizar o momento da equipe.
O Montréal apresentou uma melhora considerável depois da saída de Marco Donadel e da mudança no comando técnico. Com Philippe Eullaffroy, conseguiu em determinado momento construir uma boa sequência, incluindo vitórias por 4 a 1 sobre o New York Red Bulls, 1 a 0 contra o New York City FC e 2 a 0 diante do Orlando City.
Os resultados voltaram a ficar mais difíceis depois da Copa do Mundo, mas a sequência de adversários também precisa ser considerada.
O retorno aconteceu diante do Toronto FC, em um clássico canadense que terminou empatado em 0 a 0. Depois, o Montréal enfrentou o Nashville, líder da classificação geral, e perdeu por apenas 1 a 0, em um gol de pênalti. Na sequência veio o Inter Miami, segundo colocado da classificação geral, e novamente a derrota aconteceu pela diferença mínima e em uma cobrança de pênalti. Depois disso, ainda conseguiu empatar com o New England Revolution, uma das equipes que ocupavam a parte de cima da Conferência Leste.
Isso não transforma derrotas em bons resultados, mas ajuda a entender por que olhar somente para a posição do Montréal na tabela pode produzir uma impressão equivocada sobre o nível atual da equipe.
O Montréal não tem um time ruim. Principalmente ofensivamente, existem peças interessantes e uma ideia que começou a apresentar resultados depois da mudança de treinador. O que ainda falta é encontrar maior regularidade e transformar boas atuações em uma sequência mais consistente.
A pausa para a Leagues Cup pode ajudar justamente nesse processo.
Existe uma tendência natural de olhar para o tamanho da carreira de Alexis e imediatamente criar uma expectativa enorme sobre aquilo que ele fará na MLS. O caminho provavelmente precisa ser mais cauteloso.
Ele tem 37 anos e está entrando em uma competição diferente, com características próprias, viagens longas e uma exigência física que também precisará ser administrada. Não sabemos ainda se Eullaffroy o utilizará centralizado, aberto, ao lado de Owusu ou até alternando entre diferentes funções dependendo do adversário.
Ao mesmo tempo, a camisa 10 deixa claro que o Montréal espera mais do que repercussão fora de campo. Alexis ainda possui qualidade para criar, finalizar e melhorar jogadores ao seu redor, e encontra no Canadá uma equipe que não precisa ser reconstruída inteiramente para recebê-lo.
O Montréal já vinha evoluindo, possui bons jogadores ofensivos e consegue executar um trabalho de pressão que pode diminuir parte da exigência defensiva sobre o chileno. A chegada de Alexis acrescenta experiência e uma qualidade técnica diferente, além de oferecer novas possibilidades para um ataque que já tem em Prince Owusu um jogador vivendo uma temporada muito eficiente.
Por isso, mais do que esperar que Alexis Sánchez chegue para transformar sozinho o CF Montréal, será interessante acompanhar como um jogador com uma carreira tão grande consegue se adaptar aos 37 anos e quanto sua chegada pode acrescentar a uma equipe que já estava tentando encontrar seu caminho antes dele.







































