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·10 de agosto de 2026
Análise: empate do Palmeiras expõe um problema que Abel precisa resolver antes da Libertadores

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·10 de agosto de 2026

Verdão teve volume contra o Internacional, mas produziu pouco, voltou a sofrer diante de um adversário fechado e deixou uma sensação incômoda antes do mata-mata continental
Não acho que o empate por 0 a 0 com o Internacional seja motivo para qualquer tipo de desespero. O Palmeiras continua líder do Campeonato Brasileiro, chegou aos 48 pontos e segue fazendo uma campanha muito forte.
Mas uma coisa é analisar a tabela. Outra é analisar futebol.
E o futebol apresentado no domingo deixou algumas preocupações.
O Palmeiras terminou a partida com 17 finalizações e apenas três no gol. É um número que resume bastante o que vimos no Nubank Parque: houve presença no campo ofensivo, houve tentativa, houve pressão, mas faltou qualidade para transformar tudo isso em chances realmente claras.
Foi aquele jogo em que o time parece estar sempre perto de fazer alguma coisa, mas quase nunca faz.
Para mim, o maior problema esteve no primeiro tempo.
O Palmeiras entrou com três zagueiros, Allan e Piquerez ocupando os lados, Marlon Freitas e Andreas Pereira no meio, além de Maurício, Ramón Sosa e Jhon Arias mais à frente.
No papel, há jogadores suficientes para criar.
Na prática, faltou dinâmica.
O Internacional conseguiu tirar velocidade do Palmeiras, Alan Patrick recuava para participar da construção e o meio-campo palmeirense passou alguns momentos sem saber exatamente até onde deveria pressionar. O próprio Abel admitiu depois que seus jogadores ficaram em dúvida entre avançar ou recuar na marcação.
Isso deixou o jogo confortável demais para o adversário.
E aqui existe uma questão que vem me incomodando: quando o Palmeiras precisa assumir completamente a responsabilidade de criar o jogo, ainda encontramos momentos de muita previsibilidade.
A bola gira.
Vai para um lado.
Volta.
Vai para o outro.
Cruzamento.
Recomeça.
Contra equipes que oferecem espaço, temos jogadores rápidos e técnicos capazes de machucar qualquer adversário. O problema aparece quando o outro time decide colocar praticamente todo mundo atrás da linha da bola.
Se teve alguém que procurou mudar a história do jogo, foi Allan.
Jogando aberto pela direita, ele tentou o drible, acelerou jogadas e terminou como o jogador do Palmeiras que mais finalizou: foram cinco tentativas. A melhor aconteceu ainda no primeiro tempo e acabou bloqueada praticamente sobre a linha.
Isso diz bastante.
Em uma partida com Arias, Andreas, Maurício e Sosa em campo, foi Allan quem mais conseguiu oferecer um pouco de imprevisibilidade.
Não considero isso necessariamente uma crítica aos outros individualmente. É mais uma demonstração de como o coletivo teve dificuldades.
Jhon Arias, por exemplo, continua sendo um jogador importantíssimo para o funcionamento desse novo Palmeiras e novamente contribuiu muito sem a bola. Terminou o jogo com quatro desarmes, mas dessa vez não conseguiu finalizar.
Sosa também esteve abaixo do que pode entregar. Saiu no início da segunda etapa sem uma finalização registrada.
Essa foi uma pergunta que fiquei fazendo durante o jogo.
Abel colocou Flaco López e Vitor Roque aos 12 minutos do segundo tempo, nos lugares de Maurício e Ramón Sosa. A partir daí, o Palmeiras passou a ter mais presença dentro da área. Vitor Roque, principalmente, participou mais das finalizações e chegou a obrigar Matheus Cunha a trabalhar.
É fácil analisar depois que o jogo terminou, claro.
Mas contra um adversário tão fechado, senti falta de uma referência ofensiva durante boa parte da partida.
Não necessariamente porque um centroavante resolveria sozinho o problema, mas porque você precisa ocupar os zagueiros adversários, criar movimentos dentro da área e abrir espaços para quem vem de trás.
O Palmeiras tinha posse, mas muitas vezes não tinha onde colocar a bola.
Com Flaco e Vitor Roque, pelo menos aumentou a sensação de que alguma coisa poderia acontecer.
Ainda assim, continuamos falando mais de volume do que de grandes oportunidades.
E talvez esse seja o ponto principal da minha análise.
Não estou preocupado especificamente com o empate contra o Internacional.
Estou preocupado com o tipo de dificuldade que ele mostrou.
O próprio Abel reconheceu que o Palmeiras esteve tecnicamente abaixo e resumiu a partida citando o mérito defensivo do adversário e a falta de inspiração da equipe.
Só que adversário fechado não pode ser uma surpresa para o Palmeiras.
Muito pelo contrário.
Quanto mais forte e dominante você é, mais vai encontrar equipes jogando dessa maneira.
Principalmente no Nubank Parque.
Os adversários vão fechar espaço, baixar as linhas, esperar um erro e tentar sobreviver.
Cabe ao Palmeiras descobrir como desmontar isso.
Não pode depender apenas de uma jogada individual, de uma bola parada ou de um cruzamento que encontre alguém no meio da área.
É justamente por isso que esse empate merece atenção.
Na quarta-feira, o Palmeiras recebe o Cerro Porteño no Nubank Parque pelo jogo de ida das oitavas de final da Libertadores. A volta será disputada no dia 19 de agosto, em Assunção.
E mata-mata muda tudo.
No Brasileirão, você empata uma partida, lamenta dois pontos e continua o campeonato.
Na Libertadores, uma atuação pouco inspirada dentro de casa pode obrigar você a decidir uma classificação fora.
É outro peso.
Não espero um Cerro Porteño vindo para São Paulo disposto a trocar ataques com o Palmeiras durante 90 minutos.
Portanto, o problema apresentado diante do Internacional precisa ser estudado agora.
Também não gosto dessa necessidade que existe no futebol de transformar qualquer tropeço em crise.
O Palmeiras é líder do Brasileiro.
Tem um elenco muito forte.
Tem opções.
Tem jogadores capazes de decidir partidas grandes.
E tem um treinador que já mostrou inúmeras vezes capacidade para encontrar soluções.
Mas elogiar tudo quando vence e fingir que nada aconteceu quando joga mal também não ajuda.
O próprio Abel perguntou aos jogadores depois da partida se aquilo era o melhor que eles poderiam fazer. A resposta, evidentemente, é não.
O Palmeiras pode jogar muito mais.
O empate contra o Internacional não muda o que penso sobre a força deste time em 2026.
Mas serviu como aviso.
Na quarta-feira, começa uma competição diferente.
Não basta controlar a bola.
Não basta empurrar o adversário para trás.
Não basta finalizar 15, 17 ou 20 vezes.
O Palmeiras precisa voltar a transformar domínio em perigo.
E perigo em gol.
Na Libertadores, essa diferença costuma separar quem continua sonhando de quem fica pelo caminho.
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