Portal do Palestra
·23 de agosto de 2026
Análise: No mata-mata, Palmeiras tem que redobrar a atenção

In partnership with
Yahoo sportsPortal do Palestra
·23 de agosto de 2026

Existe um número que resume a noite do Palmeiras contra o Vasco melhor do que o 4 a 1: cinco. Foram cinco finalizações no alvo em 13 tentativas, e quatro delas viraram gol. Léo Jardim fez uma defesa na partida inteira. Isso não é domínio — é conversão de outro mundo, e conversão de outro mundo não se planeja.
A distinção importa porque o placar largo está encobrindo um problema que o Palmeiras carrega há semanas e que voltou a aparecer inteiro nos primeiros 45 minutos: contra adversário que entrega a bola e fecha os dois blocos, este time ainda não tem um plano que não dependa de talento individual.
O primeiro tempo terminou 0 a 0 e não foi injustiça. O Palmeiras teve 57% de posse, 544 passes e nenhuma finalização perigosa. Tentou o caminho mais previsível — 14 cruzamentos no jogo inteiro, um único certo — contra uma defesa que terminou a partida com 36 cortes. Santiago Sosa, sozinho, fez 17 intervenções defensivas.
O desenho de Arthur, com três zagueiros e dois alas, criou largura mas não profundidade. Andreas Pereira e Arthur ficaram com a bola nos pés e ninguém entre as linhas: Allan começou aberto pela direita e Maurício partia de trás. Sem alguém atacando o espaço entre zagueiro e lateral, a posse virou estatística.
Abel Ferreira sacou Barboza e colocou Murilo no intervalo, sem lesão nem cartão pelo meio. Não trocou o desenho: trocou a velocidade da primeira fase. O Palmeiras voltou tirando a bola do fundo em menos toques, e a diferença apareceu em dez minutos.
O primeiro gol nasceu justamente daí. Flaco López recebeu de Allan a 25 metros e, em vez de procurar o cruzamento que não funcionava, bateu de canhota no ângulo esquerdo. O terceiro, de Maurício, veio de uma transição em que Andreas Pereira dispensou o passe lateral. Nos dois lances o adversário estava organizado — o que mudou foi a decisão de quem tinha a bola.
O argentino terminou com três finalizações, duas no alvo e dois gols, do mesmo jeito e no mesmo canto: fora da área, pé esquerdo, ângulo esquerdo de Léo Jardim. É a assinatura de um jogador em confiança, e é também a evidência mais clara da tese: o Palmeiras venceu porque um jogador decidiu resolver de longe, não porque encontrou a porta de entrada.
Vitor Roque cobrou o pênalti com frieza e sofreu seis faltas, mais do que qualquer outro em campo — sinal de que a marcação individual sobre ele funcionou até o Vasco perder a linha. Jhon Arias entrou aos 26 e deu a assistência do quarto em vinte minutos de jogo.
Agustín Giay fez 10 intervenções defensivas, o maior número do Palmeiras na partida, e sofreu quatro faltas. Escalado como terceiro zagueiro pelo lado direito, ele acumulou as duas funções sem que o time perdesse a linha — foi ele, e não Gustavo Gómez, quem apagou os incêndios do primeiro tempo. Num jogo que a narrativa vai registrar como goleada, é a atuação que ninguém vai lembrar em três dias.
Aos 49 do segundo tempo, com o jogo resolvido, Facundo Colidio subiu na pequena área e cabeceou sem oposição. É o terceiro gol que o Palmeiras sofre nos acréscimos em quatro jogos — 90+3 contra o Cerro Porteño, 90+2 contra o Fluminense e agora 90+4. Carlos Miguel fez três defesas e não teve responsabilidade em nenhum dos três.
Não é fadiga de fim de jogo apenas: é uma queda de concentração na última bola alçada que já custou pontos e pode custar uma eliminação. A ficha completa da partida registra o padrão lance a lance.
O Palmeiras recebe o Santos na quarta, às 21h30, no Nubank Parque, pelo jogo de ida das quartas de final da Copa do Brasil. É provável que encontre um adversário disposto a fazer exatamente o que o Vasco fez: entregar a posse, fechar os espaços e esperar o erro.
A diferença é que mata-mata não perdoa uma noite de conversão mediana. Se Flaco López não estiver em dia de acertar o ângulo de fora da área, o Palmeiras vai precisar de uma resposta que ainda não mostrou — e essa resposta passa por alguém atacando o espaço entre os zagueiros, não por mais um cruzamento. A leitura do treinador sobre o jogo fica disponível na página de coletivas de Abel Ferreira, e o desfecho da rodada está no relato do 4 a 1 sobre o Vasco.
O 4 a 1 é o placar mais enganoso do Palmeiras nesta temporada. O time não resolveu o problema de furar bloco baixo: ele contornou o problema com dois chutes de fora da área de Flaco López. É uma solução legítima e decisiva, mas não é repetível por decreto. Contra o Santos, na quarta, o Palmeiras vai encontrar outro adversário disposto a entregar a bola — e a pergunta que a goleada não respondeu continua de pé: o que este time faz quando ninguém acerta o ângulo de fora da área?
O mesmo jogo, comentado em vídeo: por que a virada não veio da troca no intervalo, e o buraco que o time leva para a reta final.
Ao vivo


Ao vivo


Ao vivo


Ao vivo

































