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·15 de agosto de 2026

Análise: O Palmeiras e seus erros cruciais

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Vai ficar a imagem do cabeceio de Germán Cano aos 47 do segundo tempo, com o Maracanã caindo e o Palmeiras parado dentro da própria pequena área. É a cena que resume a tarde, mas não é onde a derrota foi decidida. O Palmeiras perdeu esse jogo bem antes — no momento em que aceitou passar noventa minutos defendendo a própria área e tratou o 2 a 1 aos 37 do segundo tempo como se fosse a solução, quando ele era apenas um prazo mais curto para o problema aparecer.

Três gols, três bolas de dentro da área

Vale olhar de onde saiu cada gol do Fluminense. O de Hulk, aos 42, foi cabeceio no meio da área depois de cruzamento de Canobbio. O de Kevin Serna, aos 40 do segundo tempo, foi finalização de muito perto numa sobra que ninguém afastou. O de Cano, no último lance, foi outro cabeceio de dentro da pequena área, com cruzamento de Martinelli. Nenhum chute de fora. Nenhuma jogada individual. Três bolas na área, três gols.


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Isso não é azar, é padrão. O Fluminense cruzou 19 vezes na partida. O Palmeiras precisou fazer 27 cortes e 13 interceptações, e Carlos Miguel ainda fez três defesas. Quando um time se propõe a resolver a tarde inteira dentro da própria área, contra um adversário que insiste no mesmo caminho, a conta chega. Chegou três vezes.

O 3-4-3 funcionou por 42 minutos — e a diferença estava na bola

Abel Ferreira escolheu o desenho que sustentou a liderança, com Agustín Giay pelo lado direito do trio de zaga e Bruno Fuchs no banco, como mostrou a escalação divulgada antes do jogo. E funcionou: o gol de Gustavo Gómez aos 10 veio de uma bola parada bem trabalhada, e por quarenta minutos o Fluminense não achou o caminho.

O que nunca apareceu foi a posse. O Palmeiras ficou com 40,1% da bola e completou 260 passes certos contra 430 do adversário. Um time que defende bem e não segura a bola depende de que o adversário erre ou canse. O Fluminense não fez nem uma coisa nem outra: manteve os 19 cruzamentos até o fim e ganhou os dois últimos duelos aéreos que importavam.

Maurício acertou. O plano depois dele, não

Não estou dizendo que as substituições foram ruins. Foram boas: Maurício entrou aos 28 do segundo tempo e marcou nove minutos depois, num lance que começou com Flaco López girando de costas para a defesa. A leitura de Abel foi certa e o banco decidiu o jogo a favor do Palmeiras. É raro isso acontecer e é justo registrar.

O problema é o que veio depois. Aos 37 do segundo tempo, o time que precisava segurar oito minutos no Maracanã já tinha perdido Joaquín Piquerez no intervalo por causa do amarelo, tinha Ramón Sosa saindo lesionado aos 35 e Felipe Anderson entrando no lugar dele, e tinha acabado de tirar Andreas Pereira. Ou seja: o Palmeiras chegou aos minutos finais tendo que defender cruzamento com uma equipe que ele havia montado, minutos antes, para atacar. As cinco alterações estavam gastas. Não havia mais como recompor.

Ficar na frente aos 37 não deu ao Palmeiras o controle do jogo. Deu a obrigação de defender por oito minutos exatamente aquilo que ele já não estava conseguindo defender há uma hora — e sem as peças para isso. O gol de Serna veio três minutos depois. O de Cano, sete.

O que isso significa daqui pra frente

O Palmeiras continua líder, com 48 pontos, e ninguém vai trocar uma campanha de 23 jogos por uma tarde ruim no Rio. Mas há um detalhe incômodo: é a segunda derrota por 3 a 2 em dez dias. A outra foi em Fortaleza, na volta das oitavas da Copa do Brasil, quando os 3 a 0 da ida seguraram a classificação e o placar adverso passou quase despercebido. Aqui não havia jogo de ida para compensar.

Com o Flamengo dois jogos atrás e uma sequência dura pela frente, segundo a tabela definida pela CBF, o Palmeiras vai precisar decidir se quer continuar vencendo desse jeito. Dá para ser campeão defendendo a própria área — o time de Abel já provou isso mais de uma vez. O que não dá é chegar aos oito minutos decisivos com as cinco substituições gastas, três delas ofensivas, e sem nenhuma troca possível para proteger a área — Bruno Fuchs estava no banco e ficou lá.

Análise do Portal

A derrota no Maracanã não foi um acidente de acréscimos. Foi a conta de uma tarde inteira com 40% de posse, 19 cruzamentos sofridos e 27 cortes na própria área. O gol de Maurício aos 37 do segundo tempo não corrigiu esse desenho — apenas transferiu para os oito minutos finais um problema que existia desde o primeiro tempo.

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