Portal do Palestra
·13 de agosto de 2026
Análise: o Palmeiras só lembrou de atacar quando ficou com um a menos

In partnership with
Yahoo sportsPortal do Palestra
·13 de agosto de 2026

Vou começar pela parte incômoda: eu assisti a 73 minutos de Palmeiras com a bola e não senti, em nenhum momento, que o gol estava perto. Sessenta e um por cento de posse. Vinte e uma finalizações. Sete no alvo. E a sensação, do primeiro ao último minuto no Nubank Parque, de que aquilo ia terminar em zero. Não terminou. Terminou pior.
Porque o gol veio, sim — só que veio depois que o time perdeu um jogador. E é isso que eu não consigo tirar da cabeça desde o apito final.
Andreas Pereira foi expulso aos 73. Aos 80, Abel Ferreira mexeu três vezes de uma só vez. Aos 82, Flaco López apareceu nas costas da zaga com o passe de Marlon Freitas. Nove minutos entre ficar com dez e fazer o gol que o time não tinha feito em uma hora e treze com onze.
Coincidência? Eu acho que não. Com um a menos, o Palmeiras parou de tentar administrar a partida e passou a jogá-la. Trocou o passe lateral pelo passe vertical. Deixou de esperar a defesa paraguaia se abrir sozinha e foi por cima dela. O time ficou pior no papel e melhor em campo — e isso diz algo sobre o que ele vinha fazendo antes.
O número bonito da súmula esconde o jogo. Roffo fez cinco defesas. Cinco. Teve a chance clara que Jhon Arias perdeu e que virou assunto antes mesmo do apito final, e teve muita finalização que não incomodou ninguém. Volume não é perigo. Posse não é domínio. E um time que finaliza vinte e uma vezes para marcar uma não está sendo azarado: está sendo previsível.
O detalhe que mais me pesa é que já vimos esse filme neste mesmo estádio. O Cerro Porteño já tinha vencido aqui na fase de grupos, com o mesmo roteiro: fechar, aguentar, esperar o erro. Eles não inventaram nada nesta quarta-feira. Nós é que continuamos entregando o que eles pedem.
O 1 a 1 não é fruto de má sorte nem de uma falha isolada. É o resultado previsível de um time que controla a bola sem ameaçar o adversário e que, por isso, chega ao fim de cada jogo dependendo de um lance perfeito para não se complicar.
Vai sobrar para o goleiro, e é injusto. Carlos Miguel errou no lance do empate, ponto — não tem defesa possível para isso. Mas o goleiro só teve a chance de decidir a partida porque o time deixou a partida em aberto até os 90. Quem cria vinte e uma vezes e faz um gol está transferindo o resultado para o último minuto. Uma hora o último minuto cobra.
Fico com raiva quando leio que faltou sorte. Não faltou sorte. Faltou objetividade em quase todo o segundo tempo, sobrou paciência onde não cabia, e a equipe só encontrou o caminho quando a urgência foi imposta de fora, por um cartão vermelho. Um time grande não deveria precisar disso. Todos os números da noite só confirmam o que deu para sentir em campo.
Não quero ver posse de bola. Quero ver o Palmeiras entrando na área. Quero Vitor Roque e Flaco López recebendo de frente para o gol e não de costas, no meio da rua. Quero a bola chegando em velocidade pelos lados, como chegou nos dez minutos em que estávamos com um a menos.
No La Nueva Olla, dia 19, não vai ter conforto: qualquer vitória deles nos elimina e um novo empate leva para os pênaltis. É um jogo que exige exatamente o que faltou aqui. E se o time precisar de outro vermelho para lembrar disso, aí o problema não é de estratégia — é de identidade. Dá a sua nota para cada jogador e me diga se você viu a mesma coisa que eu.
Ao vivo







































