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·20 de agosto de 2026

Análise: O Palmeiras venceu o Cerro quando parou de tentar dominá-lo

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O que me chamou atenção em Assunção não foi o gol. Foi o placar de posse de bola. Em 2026, o Palmeiras já havia enfrentado o Cerro Porteño três vezes, com média aproximada de 67% da bola e 47 finalizações somadas — e não venceu nenhuma delas. Nesta quarta-feira, 19 de agosto, ficou com 43% da posse, finalizou 13 vezes e ganhou por 1 a 0. Está nas quartas de final da Libertadores. Não consigo ver isso como coincidência.

O problema nunca foi o volume

O Portal publicou na manhã do jogo um levantamento com os números dos três encontros anteriores: 47 finalizações, 67% de posse média e nenhuma vitória. A pergunta era se o Cerro tinha decifrado o Palmeiras. A resposta que o jogo deu é mais específica do que um sim ou um não: o Cerro decifrou o Palmeiras que quer mandar na partida. Não decifrou o Palmeiras que decide não mandar.


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Porque, quando a bola ficou com eles, os paraguaios também não souberam o que fazer com ela. Foram 57% de posse, 20 cruzamentos tentados e quatro certos. Dez finalizações, três no alvo. O Cerro é um time bom para jogar contra quem se expõe e ruim para construir contra quem se fecha — e o Palmeiras passou o jogo inteiro oferecendo exatamente o segundo cenário.

Abel Ferreira tinha avisado que não pretendia mudar o time por causa do campo estreito da Nueva Olla. Manteve o desenho com três zagueiros e dois centroavantes. Mas mudou o que interessava: a altura do bloco e a disposição de ficar sem a bola. Trinta e um cortes contra vinte e um dizem mais sobre o plano do que qualquer formação escrita no papel.

As duas vezes em que Roffo trabalhou

Aqui vem a parte que não dá para maquiar. O ataque do Palmeiras não apareceu. Das 13 finalizações, três acertaram o alvo — e as duas jogadas em que Manuel Roffo precisou trabalhar de verdade tinham a mesma assinatura: cruzamento de Jhon Arias e cabeçada de zagueiro. O gol de Gustavo Gómez aos 41 e a defesa no cabeceio de Murilo aos 60. Entre os dois, ainda houve um terceiro cabeceio de Gómez que passou raspando.

Os dois centroavantes terminaram a noite sem acertar o gol uma única vez. Vitor Roque teve um chute bloqueado aos 6, um para fora aos 49 e saiu aos 74. Flaco López teve um bloqueado aos 64, levou amarelo e passou o resto do tempo brigando sozinho contra três zagueiros. Um time que precisa dos zagueiros para marcar não resolveu nada no ataque; adiou.

O que mudou de verdade foi o fim de jogo

E é por isso que, para mim, a classificação vale mais pelo que aconteceu depois dos 85 do que pelo que aconteceu aos 41.

Quatro dias antes, no Maracanã, o Palmeiras estava 2 a 1 na frente aos 37 do segundo tempo e perdeu por 3 a 2, com o gol da virada aos 47. Três dias antes disso, no Nubank Parque, abriu 1 a 0 aos 82 com um jogador a menos e cedeu o empate nos acréscimos. Era um time que sabia entrar no jogo e não sabia sair dele. Chegou a Assunção com quatro partidas sem vencer.

Nesta quarta, Facundo Tello deu sete minutos de acréscimo. O Cerro conseguiu três escanteios seguidos entre os 85 e os 87. Aos 88, Jonatan Torres cabeceou livre dentro da área. Aos 90+2, Pablo Vegetti finalizou de dentro da área. Nas duas, Carlos Miguel defendeu — o mesmo goleiro que havia falhado no gol de empate da ida e que vinha sendo cobrado desde a derrota para o Fluminense.

Não é uma correção tática. É uma correção de temperamento, e essas costumam demorar mais para chegar do que as outras. O time aguentou sete minutos de bola na área sem entrar em pânico, com cinco substituições já feitas e um gol de vantagem. Nos dois jogos anteriores em que esteve exatamente nessa situação, não aguentou.

O que eu tirei do jogo

O Palmeiras não resolveu o ataque em Assunção — resolveu o fim de jogo. Depois de três encontros tentando dominar o Cerro com 67% de posse e nenhuma vitória, venceu com 43% da bola e um gol de escanteio. A leitura de Abel foi correta e o time finalmente segurou um resultado. Continua sendo um time que depende dos zagueiros para marcar, e isso vai cobrar preço em setembro.

O que isso ainda não resolve

Reconhecer o mérito da noite não obriga ninguém a fingir que o problema acabou. Um time que sai de campo com três finalizações no alvo, dois centroavantes zerados e o gol saindo da cabeça do zagueiro não pode repetir esse roteiro toda semana. Contra o Cerro, num campo apertado e diante de um adversário obrigado a se lançar, funcionou. Contra adversários que também sabem se fechar, não vai funcionar.

Nas quartas o Palmeiras enfrenta o vencedor de Mirassol e LDU Quito, que decidem a vaga nesta quinta-feira, 20 de agosto. Os jogos ficaram para 8 a 10 de setembro, na ida, e 15 a 17 de setembro, na volta. São quase três semanas, com Brasileirão pelo meio, para transformar essa noite em ponto de partida em vez de exceção.

Falei sobre isso também na análise em vídeo desta classificação. Por ora, o que ficou é isto: o Palmeiras foi ao Paraguai, ganhou um jogo que os números diziam que não ganharia e aguentou o que vinha não aguentando. Já é bastante. A ficha completa da partida está na página do jogo, e o relato lance a lance, em como o Verdão conquistou a vaga em Assunção.

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