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·17 de junho de 2026

Ancelotti ignora pressão popular e aposta em amadurecimento de Endrick na Seleção

Imagem do artigo:Ancelotti ignora pressão popular e aposta em amadurecimento de Endrick na Seleção

O debate em torno de Endrick ganhou força após a estreia do Brasil na Copa do Mundo, quando o atacante permaneceu no banco de reservas diante do Marrocos. Contudo, enquanto parte dos torcedores pede mais espaço para o jovem de 19 anos, Carlo Ancelotti adota uma postura cautelosa e resiste à ideia de transformá-lo em salvador da equipe.

A estratégia do treinador italiano não é novidade. Antes dele, Dorival Júnior também preferiu administrar a ascensão do atacante. Há dois anos, durante a Copa América disputada nos Estados Unidos, o então comandante da Seleção demorou a dar sequência ao jogador, mesmo após o impacto imediato causado nos amistosos contra Inglaterra, Espanha e México.


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Naquela ocasião, Endrick só ganhou protagonismo nas quartas de final, quando substituiu o suspenso Vini Júnior diante do Uruguai. A atuação discreta coincidiu com a eliminação brasileira nos pênaltis e reforçou a percepção de que o desenvolvimento do atacante exige tempo.

Os números ajudam a explicar a cautela. Desde a estreia pela Seleção principal, em 2023, Endrick disputou 17 partidas. Apenas duas vezes começou entre os titulares. Em uma delas, contra o Paraguai pelas Eliminatórias, sequer voltou para o segundo tempo. Ao todo, soma 534 minutos em campo, com quatro gols e uma assistência.

Mesmo assim, o atacante segue cercado de expectativa. Em março, precisou de pouco mais de 15 minutos em campo para convencer Ancelotti e assegurar presença na lista para a Copa do Mundo. Ainda assim, o treinador já deixou claro que enxerga sua evolução dentro de um processo mais amplo.

Cobranças vão além dos gols

A visão de Ancelotti também remete aos tempos de Real Madrid. Mesmo quando o brasileiro decidiu partidas na Copa do Rei e chamou atenção pela eficiência ofensiva, o técnico evitava lhe oferecer sequência imediata entre os titulares.

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Ancelotti adotou a mesma estratégia com Endrick no Real Madrid – Foto: Angel Martinez/Getty Images

Nos bastidores da Seleção, a avaliação segue a mesma linha. A comissão entende que o atacante precisa ampliar sua participação em diferentes momentos do jogo, contribuindo não apenas dentro da área, mas também na construção das jogadas, na pressão sem bola e nos aspectos táticos.

Outro ponto frequentemente discutido internamente é a capacidade de manter concentração durante períodos mais longos da partida. A cobrança existe, embora seja tratada como algo natural para um jogador que ainda atravessa as primeiras etapas de sua carreira profissional.

Curiosamente, avaliações semelhantes já apareceram em outros ambientes. No Lyon, onde Endrick viveu boa fase, o técnico português Paulo Fonseca chegou a afirmar que esperava mais do brasileiro mesmo diante dos números positivos.

CBF busca reduzir peso sobre Endrick

Além das questões técnicas, existe uma preocupação dentro da CBF com o tamanho da expectativa criada em torno do jogador. A ideia é evitar que uma eventual entrada na equipe venha acompanhada da obrigação de resolver problemas coletivos ou carregar o ataque brasileiro sozinho.

A confiança no talento de Endrick permanece alta. Internamente, não há dúvidas de que ele terá espaço ao longo da competição e poderá ser importante em diferentes momentos. O cuidado está justamente em não acelerar etapas que poderiam aumentar a pressão sobre um atleta ainda em formação.

Durante a Copa do Mundo, inclusive, o comportamento do atacante tem recebido elogios. Integrantes da delegação destacam a maturidade com que ele lida com a concorrência e com o desejo de atuar. A percepção é de um jogador mais leve, integrado ao grupo e confortável no ambiente da Seleção.

Por isso, entre o clamor popular e a paciência defendida pela comissão técnica, Ancelotti mantém sua convicção. O treinador acredita que Endrick será útil para o Brasil, mas dentro de um contexto favorável ao seu crescimento. E a expectativa é que o próximo capítulo dessa trajetória aconteça já nesta sexta-feira (19/6), às 21h30 (de Brasília), quando a Seleção enfrenta o Haiti pela segunda rodada do Grupo C da Copa do Mundo.

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