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·13 de setembro de 2026
André Silva ou Giménez? O (bom) problema que Farioli tem entre mãos

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·13 de setembro de 2026

O FC Porto venceu este sábado o Casa Pia, por 1-4, em Rio Maior, consolidando a liderança isolada da Liga Betclic depois de um pequeno susto inicial. Para lá do resultado, a partida deixou uma imagem particularmente interessante, uma vez que os dois avançados atualmente disponíveis, André Silva e Santiago Giménez, marcaram na reviravolta dos dragões. O primeiro, ainda na primeira parte, fez o empate a passe de Pablo Rosario; o segundo, já depois de render o companheiro de posição, converteu uma grande penalidade que selou o resultado.
Com Samu ainda a recuperar de lesão, sem data confirmada de regresso, e depois da saída de Deniz Gül do clube, o FC Porto ficou dependente de dois pontas de lança disponíveis para preencher a posição de referência do ataque, cada um deles com uma história, um momento físico e um perfil bem distintos. André Silva tem sido a opção preferencial de Farioli desde o início da época; Giménez chegou mais tarde, sem pré-época, e tem sido gerido com cautela redobrada. A vitória em Rio Maior não resolveu esse dilema, mas tornou-o mais visível neste momento. Neste sentido, e face às circustâncias atuais do FC Porto, quem deve assumir a titularidade?
Aos 30 anos, André Silva vive uma segunda vida no FC Porto, clube que representou na formação e de onde saiu em 2017, por 38 milhões de euros, num negócio que podia chegar aos 40 milhões mediante objetivos, rumo a uma carreira internacional que passou por Milan, Sevilha, Eintracht Frankfurt, RB Leipzig, Real Sociedad, Werder Bremen e, mais recentemente, Elche, onde foi o melhor marcador da equipa, com dez golos, na última temporada.
Em junho, quase dez anos depois de deixar a Invicta, regressou como jogador livre para reencontrar o clube que o formou. O presidente André Villas-Boas não escondeu a emoção no dia da apresentação, descrevendo o momento como o «regresso a casa de um filho que saiu demasiado cedo». O internacional português assinou por uma época, com outra de opção, e cláusula de rescisão fixada em 30 milhões de euros.
O início de temporada tem confirmado que a aposta fazia sentido. Farioli tem-no elogiado publicamente pela forma física e pela atitude, chegando a brincar, na antevisão ao jogo com o Moreirense, com o volume de trabalho do avançado: «O André está numa forma incrível. Brincámos com ele porque em Viseu correu 12 quilómetros, quase com os números do Froholdt.» Depois do jogo com o Casa Pia, o golo do empate elevou para três o número de tentos de André Silva na Liga esta época, um contributo relevante para um jogador que, à partida, surgia sobretudo como opção de rotação para os primeiros meses da temporada.
Se André Silva representa continuidade e conhecimento da casa, Santiago Giménez é a aposta mais arriscada e, também por isso, a mais escrutinada. O avançado mexicano, de 25 anos, nascido em Buenos Aires mas internacional pelo México, chegou ao Porto por empréstimo do Milan, perto do fecho do mercado de verão, sem taxa de cedência para o clube português, com uma opção de compra fixada em 18 milhões de euros, acrescida de dois milhões em bónus, que poderá tornar-se obrigatória mediante o cumprimento de determinadas metas desportivas.
A carreira de Giménez tem uma curva bem definida: destacou-se de forma notável no Feyenoord, onde apontou 65 golos e 12 assistências em 105 jogos, números que motivaram o Milan a investir 32 milhões de euros na sua contratação, em 2025. Em Itália, porém, a história foi bem mais discreta, marcada por problemas físicos sucessivos, com destaque para uma lesão no tornozelo direito que acabou por exigir uma intervenção cirúrgica, e um registo de apenas sete golos e cinco assistências em 37 jogos oficiais ao longo das duas épocas que passou no clube.
Chegou à Invicta sem pré-época e ainda a recuperar de uma lesão no tornozelo direito sofrida no Mundial 2026, onde teve um papel secundário na seleção mexicana. Nas primeiras declarações como jogador do FC Porto, revelou uma conversa direta com Farioli durante a negociação: «Assegurou que me queria ter no plantel. Disse-me algo muito importante: que este é o melhor grupo de que já fez parte, que é uma autêntica família.» Estreou-se pela equipa a 4 de setembro, frente ao Moreirense, ainda com poucos minutos, e o golo em Rio Maior, o primeiro com a camisola azul e branca, surge como o primeiro sinal tangível de que o processo de adaptação começa a dar frutos.
No rescaldo da vitória sobre o Casa Pia, Farioli foi direto ao comentar o momento dos dois avançados, sem esconder a satisfação por ambos terem contribuído para o resultado: «É positivo que hoje ambos tenham marcado. O André no início e o Santi quando entrou tiveram um impacto positivo na equipa. É sempre bom quando os avançados marcam.»
A frase seguinte, no entanto, deixa perceber a hierarquia atual dentro do plantel, ainda que sem fechar portas a Giménez: «O André tem-nos dado até agora uma grande continuidade e uma grande atitude em tudo o que faz. Estamos felizes pelo trabalho que estes rapazes estão a fazer.» O elogio a André Silva surge associado a conceitos como continuidade e atitude, precisamente aquilo que Giménez ainda não teve oportunidade de demonstrar de forma regular, dado o contexto físico com que chegou ao clube. Já sobre o mexicano, a mensagem de Farioli tem sido sistematicamente a mesma desde a contratação: paciência. Nas antevisões aos jogos com o Moreirense e com o Casa Pia, o treinador insistiu que é preciso «ir dia a dia» e que o objetivo passa por «pôr o Santi o mais em forma possível», reconhecendo que o verão do avançado «não foi fácil» e que os últimos dois anos, marcados por lesões, «também foram algo complicados».
Para lá da gestão física, há uma diferença de perfil entre os dois avançados que ajuda a explicar as escolhas de Farioli e que deverá continuar a pesar nas próximas semanas. André Silva encaixa com naturalidade no modelo que o treinador italiano tem procurado construir: é um avançado que gosta de jogar em apoio, que se movimenta bem entre linhas e que participa ativamente na construção, características já identificadas antes mesmo da sua contratação. Essa capacidade de ligação, associada ao ritmo de trabalho sem bola que Farioli tem elogiado publicamente, torna-o mais compatível, para já, com um sistema que assenta em bastante circulação de bola e em triangulações constantes no último terço, como o próprio treinador explicou depois do jogo com o Casa Pia ao descrever a forma como a equipa teve de se adaptar a um relvado difícil e a um adversário mais fechado.
Giménez, pelo contrário, apresenta um perfil mais finalizador do que associativo. O seu maior trunfo está no posicionamento dentro da área e na leitura do momento exato para atacar o espaço, não tanto na construção do jogo a partir da frente. É um avançado que pode beneficiar mais da qualidade do que os companheiros conseguem criar do que propriamente de uma participação constante na construção, o que faz dele, neste momento, uma opção potencialmente útil para entrar em jogos já desgastados, contra defesas recuadas e cansadas.
Esta distinção tática, mais do que uma simples questão de forma física, pode vir a ditar como Farioli gere a dupla nas próximas semanas. Um equilíbrio que poderá manter-se mesmo depois de o avançado mexicano recuperar por completo a condição física, a menos que o rendimento em campo obrigue Farioli a repensar essa lógica.
Para já, o cenário mais provável passa por uma gestão semana a semana, ditada tanto pela forma física de Gimenez como pelo calendário apertado que aguarda os dragões, com compromissos europeus a somarem-se aos da Liga. André Silva surge, neste momento, como a opção mais fiável para Farioli, pela continuidade demonstrada e pela subida de rendimento desde o início da época. Gimenez, por seu lado, tem no golo em Rio Maior um primeiro argumento para reivindicar mais confiança, mas o caminho até à titularidade indiscutível ainda passa, sobretudo, por recuperar o ritmo físico que a passagem por Milão lhe retirou. Resta ao treinador italiano gerir esta abundância ofensiva, sabendo que, com a chegada de Samu, o problema, em vez de resolvido, poderá tornar-se ainda mais complexo.







































