Portal dos Dragões
·22 de setembro de 2026
André Villas-Boas descarta regresso aos bancos e explica cláusula de Francesco Farioli: “É um pouco mais caro do que eu era quando fui para o Chelsea”

In partnership with
Yahoo sportsPortal dos Dragões
·22 de setembro de 2026

André Villas-Boas afastou um regresso aos bancos e reafirmou que está inteiramente concentrado na presidência do FC Porto. Numa participação no The Obi One Podcast, apresentado por John Obi Mikel, o dirigente explicou a ligação que o levou à liderança do clube e elogiou Francesco Farioli, cuja cláusula de rescisão é de 20 milhões de euros. Sobre o treinador portista, garantiu: “Acreditamos muito nele e ele em nós.”
Perante o antigo médio do Chelsea, André Villas-Boas percorreu as várias etapas de uma vida ligada ao FC Porto, do adepto ao treinador e, agora, presidente. O fio condutor foi claro: liderar os azuis e brancos não representa uma passagem circunstancial, mas o cumprimento de um destino que começou a ganhar forma quando ainda treinava o Zenit.
A ideia de chegar à presidência nasceu de uma mensagem inesperada e foi crescendo até se transformar numa candidatura. Villas-Boas apresentou esse caminho como uma missão ao serviço dos sócios e do futuro do clube.
“Era o meu destino. Isso começou quando eu treinava o Zenit. Uma funcionária do FC Porto mandou-me uma mensagem a dizer que, um dia, eu seria presidente do FC Porto. A mensagem mexeu muito comigo.”, recordou. “A partir daí fui assimilando cada vez mais essa ideia. O FC Porto pertence aos sócios e eu candidatei-me em 2024 contra um presidente histórico que ganhou todos estes magníficos troféus [aponta para os sete troféus internacionais]. Ganhei as eleições e o meu propósito é servir o FC Porto e deixá-lo melhor do que estava quando assumi. Seria mais um sonho realizado.”
A evocação sublinha a dimensão pessoal que Villas-Boas atribui ao cargo. A presidência surge, nas suas palavras, como a continuação natural de uma relação antiga com o FC Porto, e não como mais uma etapa profissional.
Foi nesse enquadramento que descartou voltar a ser treinador. O antigo técnico separou definitivamente os dois papéis e colocou toda a energia no projeto que agora lidera.
“Não, na verdade não. Eu separei as coisas, dediquei a minha vida a este projeto, a servir o FC Porto. Nasci como adepto do FC Porto, lembro-me de ir aos jogos nos ombros do meu tio, aos 6 anos.”, afirmou. “Ocupei vários cargos no clube e, quando Mourinho chegou, virei seu adjunto como analista. Saí e voltei como treinador principal, ganhei a Liga Europa, o campeonato… Agora voltei como presidente, tenho uma ligação muito especial com este clube. Isso é um propósito de vida que preciso cumprir. É o destino.”
A resposta fecha a porta ao banco de suplentes e reforça a centralidade da presidência. Villas-Boas não tratou a decisão como uma pausa na carreira de treinador, mas como uma escolha de vida.
A conversa passou depois para Francesco Farioli, atual treinador do FC Porto. Villas-Boas elogiou o italiano e defendeu que os técnicos mais jovens olham cada vez mais para a estabilidade e para as condições dos projetos antes de decidirem o passo seguinte.
“Sim, é muito bom. É especial. Se vai ser difícil segurá-lo? Hoje em dia, ao encontrarem os projetos certos, os treinadores tendem a ser muito mais cautelosos. Esse clube oferece estabilidade, condições de treino e a vantagem cultural e competitiva de um grande clube europeu.”, analisou. “Acho que os técnicos estão a começar a escolher mais os projetos do que os próprios clubes. A Premier League atrai cada vez mais os melhores talentos, nós disputamos talentos até com os clubes do Championship, mas pensando na carreira, um técnico jovem como Farioli, aos 38 anos, quer escolher bem o seu próximo passo. Antecipámos a renovação em dezembro do ano passado, antes de conquistarmos o título. Acreditamos muito nele e ele em nós. Isso é muito bom.”
O elogio combina confiança no treinador com uma leitura pragmática do mercado. Para o presidente portista, a capacidade de retenção não depende apenas do nome do clube, mas também da solidez do contexto oferecido a Farioli.
A cláusula de rescisão do italiano, fixada em 20 milhões de euros, foi abordada com uma comparação à própria saída de Villas-Boas para o Chelsea. O dirigente justificou o valor através da qualidade e do talento do treinador.
“É um pouco mais caro do que eu era quando fui para o Chelsea.”, observou. “A cláusula dele é de 20 milhões de euros. Grandes profissionais, com muito talento, valem muito dinheiro. Por isso fixámos uma cláusula de 20 milhões de euros.”
A comparação, feita em tom direto, traduz a avaliação que a estrutura portista faz de Farioli. Mais do que um número contratual, a cláusula funciona, no discurso de Villas-Boas, como uma medida do investimento e da confiança depositados no treinador.















