Central do Timão
·06 de janeiro de 2026
António Oliveira revisita passagem pelo Brasil e revela desejo de retornar ao Corinthians

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·06 de janeiro de 2026

O técnico português António Oliveira falou sobre o período recente longe do futebol, analisou sua trajetória no Brasil e comentou, de forma detalhada, a passagem pelo Corinthians. Atualmente em Lisboa, o treinador vive um raro intervalo sem compromissos profissionais após cinco anos consecutivos trabalhando no futebol brasileiro.
Em entrevista ao ge, o treinador falou sobre comandar equipes como Cuiabá, Athletico-PR, Sport, Remo e Corinthians, António tem aproveitado o momento para descansar e retomar a convivência familiar, algo que, segundo ele, não era possível diante da rotina intensa da profissão.

Foto: Marcos Ribolli
“Estou a aproveitar algo que já há muito tempo não fazia: desfrutar do meu tempo em família, com os meus filhos, com a minha mulher, acompanhar os meus pais. É sempre muito difícil estar longe de casa e de quem amamos. Agora penso em descansar e ouvir propostas que ofereçam confiança ao treinador e projetos sustentados.”
Mesmo vivendo em Portugal, o treinador não descarta novos desafios fora do país. António destacou que sua relação com o futebol brasileiro aconteceu de forma natural, sem planejamento prévio, e que hoje avalia projetos com critérios mais específicos.
“Pela minha trajetória, é evidente que o Brasil está no meu radar, mas não foi nada premeditado. As coisas foram acontecendo desde que cheguei ao Santos, em 2020 (como auxiliar). Hoje o futebol é global, e eu escolho projetos que tenham confiança no treinador, organização, responsabilidade e tempo para que as coisas aconteçam”, disse.
Nos últimos meses, António teve passagens curtas por Sport e Remo. No clube pernambucano, comandou a equipe em quatro partidas, enquanto no time paraense permaneceu por menos de três meses. Apesar da curta duração, afirmou não se arrepender das escolhas feitas.
“Em nenhum momento me arrependo. Sabia dos riscos. Sempre entrei em projetos extremamente desafiantes. Fiz o melhor possível dentro dos recursos e do tempo. Mas sou um treinador de processo, e sem estabilidade não há crescimento.”
Ao comentar a experiência no Sport, António relembrou o cenário delicado encontrado ao assumir a equipe, que ocupava a última colocação do Campeonato Brasileiro. O clube acabou sendo rebaixado para a Série B de 2026.
“O clube estava extremamente instável, com dois pontos em sete rodadas. Emocionalmente abalado e com pressão natural. Houve evolução clara, reconhecida internamente, mas era preciso resultado imediato, e o calendário pesou muito.”
O treinador também abordou a percepção em torno dos técnicos portugueses no Brasil, impulsionada pelo sucesso de nomes como Abel Ferreira e Jorge Jesus. Segundo António, o reconhecimento abre oportunidades, mas também eleva o nível de cobrança.
“Abre portas, mas aumenta a expectativa. Nem todos são Abel ou Jesus. Há bons e maus treinadores em Portugal e no Brasil. O treinador português evoluiu muito e, quando se adapta rápido ao contexto brasileiro, normalmente tem longevidade.”
Questionado sobre declarações xenofóbicas feitas por Emerson Leão e Oswaldo de Oliveira, António afirmou ter se sentido incomodado, mas tratou o episódio como algo pontual.
“Foi uma intervenção infeliz e deselegante, mas pontual. Sempre fui bem recebido no Brasil, que faz parte da minha vida.”
Na avaliação do português, o futebol brasileiro avançou em termos de estrutura, mas ainda sofre com problemas de gestão em diversos clubes. Para ele, a presença de dirigentes qualificados é fundamental para a consolidação de trabalhos a longo prazo.
“Tive dois anos brilhantes no Cuiabá, que para mim é referência em gestão desportiva e financeira. O Palmeiras é outro exemplo. O problema de muitos clubes é a incapacidade de avaliar o processo. Mudam muito, vivem sob pressão externa e procuram bodes expiatórios.”
Ao falar especificamente do Corinthians, António classificou a passagem pelo clube como uma das experiências mais marcantes de sua carreira. Contratado para substituir Mano Menezes, ele foi o primeiro treinador da gestão de Augusto Melo.
“Assumir o Corinthians foi uma das maiores responsabilidades do futebol brasileiro. O clube vivia um momento muito instável dentro e fora de campo. Jogámos organizados, competitivos, passamos todas as fases eliminatórias, fomos primeiros na Sul-Americana.”
O treinador também destacou a relação com a torcida alvinegra e afirmou que nutre o desejo de retornar ao Parque São Jorge no futuro.
“Tem uma torcida fenomenal, fantástica, que aprendi a amar. Um torcida que carrega qualquer treinador, qualquer jogador para a frente, tenho respeito absoluto pelo clube, pelos jogadores e pela torcida. Dei tudo o que tinha todos os dias e digo-lhe de uma forma muito franca que um dia gostaria de regressar.”
Durante sua passagem, António comandou o Corinthians em 27 partidas, com 12 vitórias, oito empates e sete derrotas, alcançando 54% de aproveitamento. Segundo ele, fatores extracampo impactaram diretamente o desempenho da equipe.
“As saídas do Cássio, do Paulinho e a lesão do Fagner pesaram. O início do Brasileiro penaliza muito se os resultados não aparecem. Mas saio de consciência tranquila: construímos identidade e competitividade.”
O treinador também explicou a decisão de barrar Cássio, que antecedeu a saída do goleiro do clube. De acordo com António, a escolha foi técnica e teve como objetivo proteger o atleta.
“Sempre quis contar com o Cássio. A decisão de o tirar foi técnica, mas também para o proteger, porque ele atravessava um momento emocional difícil. A saída do clube foi entre ele e a direção.“
Sobre Carlos Miguel, que assumiu a titularidade naquele período, António revelou frustração com a saída do goleiro pouco tempo depois.
“Ele sabe que me decepcionou. Deixou-me com o bebê na mão. Tínhamos acordado que faria os oito jogos até a parada. Mas aprendeu com o erro, e temos ótima relação.”
António também comentou o cenário financeiro e administrativo atual do Corinthians, mesmo após as conquistas do Campeonato Paulista e da Copa do Brasil em 2025.
“Um dia a conta iria chegar. É um gigante com potencial tremendo, mas erros de gestão levaram a um momento caótico. Espero que estabilize.”
Por fim, mesmo afastado dos gramados, o técnico mantém uma rotina intensa de estudos, acompanhando jogos e tendências do futebol, especialmente no Brasil.
“É impossível cortar o futebol. Estudo o jogo, diferentes formas de defender, atacar, sair de pressão, bolas paradas. Compilo tudo que foi treinado e jogado. É momento de reflexão”, concluiu.
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