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·18 de agosto de 2026

Após acessos, briga por título na Série D esquenta com SAFs e clubes associativos

Imagem do artigo:Após acessos, briga por título na Série D esquenta com SAFs e clubes associativos

A Série D definiu no último final de semana os quatro clubes semifinalistas e que conquistaram o acesso para a terceira divisão. Depois de conquistar o objetivo em uma competição robusta com 96 equipes, cada clube agora mira o título nacional e uma particularidade chama atenção nos jogos marcados para acontece a partir do dia 22 de agosto: as semifinais colocam frente à frente clubes com modelo associativo tradicionais e SAF's. 

As semifinais da Série D serão disputadas por Uberlândia e Gama, SAF's recentes, contra ABC e ASA, clubes nordestinos que ainda mantêm o modelo tradicional, respectivamente. As idas acontecem em 22 e 23 de agosto, com os jogos de volta no dia 30. 


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SAF's fazem história

O modelo de Sociedade Anônima de Futebol em clubes tradicionais do Brasil mostra resultados há alguns anos e aumentou possibilidades de investimentos milionários na elite. Mas nas divisões de acesso, outros clubes também conseguem, através de acionistas, a fonte de renda necessária para competir e retornar a momentos de glórias. Esse é o caso de Uberlândia e Gama.

O Uberlândia estava 23 anos longe da Série C e conseguiu o retorno justamente na sua primeira temporada completa como SAF. O acesso foi confirmado no sábado, 15, após uma vitória contundente por 2 a 0 sobre o CSA, no estádio Rei Pelé, em Maceió, pelas quartas de final, após ter vencido também na ida.

O acesso teve como grande protagonista o técnico Danilo, ex-meia de Corinthians e São Paulo, que chegou durante a Série D e conquistou resultados melhores que seu antecessor. 

A SAF do UberLândia pertence desde o ano passado a um grupo de empresários liderado por Fábio Mineiro, ex-jogador de futebol que anhou projeção nacional pelo trabalho realizado no Athletic Club, outro time mineiro de ascensão meteórica e que hoje disputa a Série B. A projeção da SAF do Uberlândia é investimento mínimo de R$ 100 milhões ao longo de 15 anos, valor que pode aumentar em caso de classificação para a Série A em oito anos. 

Além da modernização do clube, a SAF também retomou no ano passado as categorias de base que estava desativadas há três anos por conta de dificuldades financeiras. Também chamou atenção a venda dos naming rights do clube para o aplicativo de mobilidade Uber, aproveitando a coincidência entre os nomes da cidade, do clube e da empresa. O nome oficial virou UberLÂNDIA. 

O Gama vive uma situação parecida com o Uberlândia, retornando para a Série C 17 anos depois da última vez que disputou. O tradicional clube do Distrito Federal, que disputou a Série A em seis oportunidades (a última em 2002), conta com uma SAF para recuperar seu protagonismo. 

Mas a história do Gama é de renascimento. Em 2021, o clube apostou na venda para uma SAF (sendo uma das primeiras do Brasil) que não deu certo, com problemas relacionados ao cumprimento do acordo e instabilidade financeira. A ruptura aconteceu no ano seguinte e o clube voltou ao modelo associativo. No entanto, com dívidas elevadas a reorganização financeira precisou ser severa e, em 2025, o clube teve aprovado pela Justiça do Distrito Federal o pedido de Recuperação Judicial (RJ). 

Hoje, o Gama, ainda como uma SAF, é presidido pela diretoria executiva que busca um novo comprador. No entanto, para decisões que envolvam pagamentos de dívidas passadas, alienação de bens ou alterações no plano de credores, a palavra final é do Tribunal de Vara de Falências e Recuperações Judicial do DF. 

“Eu acho que o sentimento hoje é o de todo torcedor do Gama, que às vezes você passa por um período de sofrimento tão grande que não que você se acostume com sofrimento, mas às vezes você até esquece o tanto que é bom. O Gama, todo mundo sabe que o Gama não é um clube de Série D, o Gama não é um clube sem divisão, mas durante muito tempo o Gama foi administrado dessa forma, o que resultou nesse resultado esportivo" disse Wendel Lopes, presidente do clube, à MetrópolesTV. 

Diferente do Uberlândia, o Gama fez uma campanha estável, sendo impecável na fase de grupos, com 26 pontos em 10 partidas. No mata-mata, passou por Mixto-MT, Porto Velho, América de Natal e, nas quartas de final, contra o São José, atropelou, com 5 a 1 no agregado. Artilheiro da competição, Felipe Clemente é o destaque do clube. 

A tradição no Nordeste

Maior campeão estadual do Brasil com 57 títulos do Campeonato Potiguar, o ABC viveu um filme de terror em 2025 com o rebaixamento para a Série D. Mas a estadia na última divisão nacional durou pouco e o clube do Rio Grande do Norte foi dominante no Grupo 8, depois eliminou Altos, Águia de Marabá, Luverdense e Nacional-AM para comemorar o acesso. 

Desde 2021, o ABC oscilou entre as Séries B, C e D do Campeonato Brasileiro, tendo disputado a segunda divisão em 2023 e logo retornado à Terceirona. Apesar da instabilidade dos últimos anos, a promessa agora é de um futuro mais claro.

"O ABC não deve um real a cada um de nós. Tudo que está sendo prometido está sendo cumprido”, afirmou o técnico Waguinho Dias após o acesso. Ele ainda completou garantindo a briga pelo título nacional. 

“Já conquistamos o objetivo do clube. Agora é nosso também, é pessoal, é importante para cada um no currículo. Vai sobrar entrega, sim. Nós vamos correr demais pelo título". 

A atual gestão do ABC, comandada pelo presidente Eduardo Machado, adota uma postura cautelosa e defensiva em relação a transformação do clube em SAF de maneira convencional. O atual mandatário já declarou publicamente ser favorável à adoção do formato de SAF, mas defende um modelo misto/minoritário. Ou seja, a busca por acionistas sem perder o controle e o poder de decisão. 

A situação é diferente no ASA, outro clube nordestino, ainda em modelo associativo, que conquistou o acesso para a terceira divisão no último final de semana. Na equipe de Arapiraca, o tema está em pauta e com forrte interesse nos bastidores, já tendo sido criada uma comissão interna para analisar propostas de consultorias. No entanto, dirigentes e conselheiros defendem a exigência de contrapartidas sólidas do novo investidor. Enquanto isso, a diretoria executiva tem como objetivo homologar a reestruturação das dívidas para que o clube se torne atrativo. 

Dentro de campo, o ASA viveu altos e baixos no Grupo 10, terminando com 16 pontos e na terceira posição, atrás de CSA e Juazeirense.  No mata-mata, o clube alagoano foi um visitante indigesto e não perdeu para os adversários. Avançou contra SergipeIvinhema e Cianorte com direito a goleadas. Nas quartas de final, o acesso veio com emoção contra o Goiatuba, somente nos pênaltis após dois empates. 

O ASA estava fora da Série C desde 2017, disputando a quarta divisão de maneira ininterrupta desde então e caindo quase sempre nas primeiras fases. Antes da atual edição, a melhor campanha havia sido em 2022, quando caiu nas oitavas de final. Para a semifinal, o time de Arapiraca não terá seu artilheiro Alex Bruno, de 9 gols em 14 jogos, negociado com o Vitória nesta terça-feira, 18. 

Playoffs de acesso viram segunda chance

Apesar da desclassificação das quartas de final, Nacional do Amazonas, CSA, São José e Goiatuba vão disputar os playoffs de acesso à Série C de 2027, uma novidade na atual edição que dará seis vagas. Em jogos de ida e volta, Nacional e CSA brigarão por uma das vagas, e São José e Goiatuba, pela outra. As partidas acontecem entre 26 de agosto e 2 de setembro. 

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