Central do Timão
·11 de agosto de 2026
Após ouvir Stabile, MP-SP mira documentos e novas oitivas em investigação sobre intervenção no Corinthians

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·11 de agosto de 2026

Por Larissa Beppler e Henrique Vigliotti | Redação da Central do Timão
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) avançou na apuração sobre a possibilidade de uma intervenção judicial no Corinthians após ouvir, na última segunda-feira (10), o presidente Osmar Stabile. O depoimento, que durou aproximadamente três horas, marcou o primeiro contato dos promotores responsáveis pelo inquérito civil com a atual gestão do clube e serviu para esclarecer questões relacionadas às áreas administrativa, financeira e institucional do Timão.
Stabile foi ouvido pelos promotores Luiz Ambra Neto e André Pascoal e compareceu acompanhado de dois advogados e do diretor jurídico do Corinthians, Pedro Soares. Durante a oitiva, o dirigente apresentou explicações sobre a situação atual do clube, as medidas adotadas desde o início de sua gestão e as providências tomadas diante de problemas identificados no Corinthians.

Foto: Henrique Vigliotti/Central do Timão
Segundo apuração da Central do Timão, que acompanhou de perto a movimentação no local durante a oitiva do dirigente, os promotores questionaram Stabile sobre o funcionamento da administração corinthiana, a situação financeira do clube e as medidas adotadas pela atual gestão para mitigar problemas acumulados nas últimas gestões.
MP quer documentos para comprovar explicações
Apesar das informações prestadas por Stabile, a promotoria pretende agora confrontar os relatos apresentados durante a oitiva com documentos. O presidente se colocou à disposição para colaborar com a investigação e ofereceu, inclusive, seu plano de gestão aos representantes do Ministério Público.
A expectativa é que a Promotoria solicite formalmente, nos próximos dias, documentos complementares relacionados aos pontos discutidos durante o depoimento. A análise desse material será importante para que os promotores possam verificar se as providências relatadas pelo dirigente estão efetivamente sendo executadas.
O objetivo da investigação, neste momento, não é apenas analisar acontecimentos de administrações anteriores. O MP-SP busca avaliar principalmente se a estrutura atualmente responsável pelo Corinthians possui condições de enfrentar a crise administrativa e financeira e promover as correções necessárias.
Entre os pontos que estão no radar da Promotoria estão a eventual correção de irregularidades, as medidas destinadas a reduzir ou controlar as dificuldades financeiras, o funcionamento dos órgãos internos do clube e a capacidade dessas estruturas de exercer suas respectivas atribuições.
Também está em análise o cumprimento da finalidade social do Corinthians enquanto associação, aspecto que integra a avaliação feita pelo Ministério Público sobre a necessidade, ou não, de uma intervenção judicial.
Outros dirigentes e pessoas ligadas ao clube devem ser ouvidos
O depoimento de Stabile não encerra a fase de oitivas. Pelo contrário, a tendência é que outras pessoas relacionadas ao cotidiano e à administração do Corinthians sejam chamadas pelos promotores nas próximas etapas do procedimento.
Antes do presidente, o associado Leandro Cano já havia prestado depoimento ao MP na última sexta-feira (7). Juiz de direito, ele foi responsável por apresentar à Promotoria um pedido de intervenção judicial no Corinthians, após apontar possíveis ilegalidades na reunião do Conselho Deliberativo convocada pelo presidente Osmar Stabile para votar o afastamento de Romeu Tuma Júnior do cargo.
As próximas oitivas deverão permitir aos promotores confrontar diferentes versões sobre a situação do clube e subsidiar a análise que será realizada antes de uma eventual decisão sobre os rumos do inquérito.
Investigação começou em dezembro de 2025 e pode chegar às eleições do Corinthians
O inquérito civil foi instaurado pelo Ministério Público em dezembro de 2025. Entretanto, a análise efetiva da documentação encaminhada ao órgão ficou interrompida durante parte do período seguinte.
A Promotoria só pôde retomar o trabalho com os documentos a partir de meados de maio deste ano, depois que o Conselho Superior do Ministério Público rejeitou um recurso apresentado pelo clube e autorizou o prosseguimento da investigação.
Desde então, os promotores passaram a examinar o material já encaminhado ao MP e, nas últimas semanas, concentraram esforços na análise da documentação antes de iniciar a fase de oitivas.
Não existe prazo legal previamente estabelecido para a conclusão do inquérito civil. A expectativa, porém, é de que a apuração ainda se estenda por pelo menos dois meses.
Com isso, o procedimento poderá avançar até próximo do período eleitoral do Corinthians, previsto para outubro deste ano. Apesar da ausência de uma data definida para o encerramento, existe a expectativa de que os trabalhos sejam concluídos antes das eleições.
O calendário eleitoral, contudo, não determina o resultado da investigação. A Promotoria deverá avaliar as informações e documentos reunidos durante o procedimento antes de decidir quais medidas considera adequadas.
Quais podem ser os próximos passos?
A partir das conclusões do inquérito, existem diferentes possibilidades. Caso os promotores entendam que a situação do Corinthians justifica uma medida mais severa, o Ministério Público poderá ajuizar uma ação civil pública e solicitar à Justiça a intervenção judicial na administração do clube.
A eventual intervenção, no entanto, não é determinada diretamente pelo Ministério Público. Cabe ao Poder Judiciário analisar o pedido e decidir se estão presentes os requisitos necessários para adotar a medida.
Outra possibilidade é a celebração de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). Nesse contexto, o próprio Corinthians assumiria compromissos para implementar as correções apontadas pela Promotoria, dentro das condições e prazos estabelecidos no acordo.
A oitiva de Osmar Stabile é apenas uma das etapas de um procedimento que ainda está em andamento. Com base nas explicações apresentadas pelo presidente, o MP-SP deverá dar continuidade à coleta de informações, solicitar documentos e ouvir outras pessoas antes de avaliar se a atual estrutura administrativa do Corinthians tem condições de conduzir o clube em meio à crise ou se será necessária alguma medida judicial.
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