As garantias que foram ouvidas no vestiário do Grêmio
A primeira informação importante do pós-jogo nem tem relação com o que aconteceu dentro de campo. Tem relação com o que não vai acontecer fora dele. Luís Castro não será demitido. A direção do Grêmio foi categórica ao bancar o treinador e, pelo menos neste momento, não existe qualquer sinal de mudança de rota. É verdade que a imprensa continua perguntando sobre o assunto e vai continuar perguntando, porque essa é justamente a função de quem está acompanhando um time que vive um momento ruim. Mas a resposta do clube segue sendo a mesma: o projeto continua e o treinador permanece.
Luís Castro tentou fazer um balanço positivo da temporada. Citou o título gaúcho, falou sobre a classificação na Copa do Brasil e também tratou a repescagem da Sul-Americana como uma classificação. É uma forma de olhar para o copo meio cheio.
O treinador destacou que o Grêmio perdeu apenas duas vezes nos últimos onze jogos. O dado é verdadeiro. Mas também é verdade que esse recorte mistura competições de níveis diferentes e adversários bastante distintos. Quando o foco vai exclusivamente para o Brasileirão, a realidade muda. As vitórias são poucas, as derrotas aumentam e a sensação de instabilidade fica muito mais evidente. Não é que Luís Castro esteja mentindo. É que ele está escolhendo uma fotografia diferente da que o torcedor costuma olhar.
O próprio treinador, inclusive, admitiu essa falta de estabilidade. Falou das lesões, das suspensões, do desgaste físico e mental, da reformulação do elenco e da falta de tempo para treinamentos. São argumentos legítimos. O problema é que boa parte dos adversários enfrenta dificuldades parecidas. Quase ninguém tem tempo para treinar. Quase todo mundo sofre com lesões. Vários clubes passaram por reformulações profundas. Então a justificativa ajuda a explicar, mas não necessariamente resolve o problema.
Talvez o ponto mais importante da entrevista tenha sido justamente aquilo que Luís Castro não prometeu. Quando questionado se a parada da temporada poderia representar uma virada de chave, já que haverá tempo para treinar, recuperar jogadores e corrigir erros, ele não garantiu evolução imediata. Prometeu apenas trabalho. Prometeu dedicação. E isso mostra que nem ele próprio consegue assegurar que a melhora acontecerá rapidamente.
Do outro lado, Antônio Dutra Júnior adotou um discurso muito parecido. Confirmou a permanência do treinador, admitiu que existe cobrança interna e deixou claro que a direção está longe de estar satisfeita com os resultados. Em nenhum momento tentou vender a ideia de que tudo está perfeito. Pelo contrário. Reconheceu que o Grêmio poderia e deveria ter somado mais pontos no Campeonato Brasileiro e que a situação atual não agrada ninguém dentro do clube.
Ao mesmo tempo, utilizou a reestruturação como principal argumento para justificar a paciência da direção. Lembrou das dezenas de jogadores liberados, das mudanças de metodologia, da promoção de atletas da base e da necessidade de tempo para que tudo isso produza resultados. É uma defesa baseada na ideia de que o clube está atravessando uma transformação profunda e que oscilações fazem parte do processo.
Só que aí existe um detalhe importante. O próprio discurso da direção acaba revelando que o Grêmio sabe que ainda está longe do ideal. Quando Dutra fala abertamente sobre a necessidade de reforços, quando admite que novas contratações precisam chegar na próxima janela e quando reconhece que alguns setores do time precisam ser melhorados, ele também está admitindo que o elenco atual não entregou aquilo que se esperava.
No fim das contas, a entrevista coletiva deixou uma sensação curiosa. Não existe clima de terra arrasada dentro do clube. Mas também não existe qualquer sinal de satisfação. O Grêmio reconhece que os resultados são inferiores ao esperado, reconhece que o desempenho está abaixo do necessário e reconhece que há problemas importantes para corrigir. A diferença é que, enquanto boa parte da torcida enxerga essas dificuldades como motivo para uma troca de comando, a direção continua acreditando que a solução passa justamente pela permanência de Luís Castro.
Por isso a parada da temporada acaba ganhando um peso enorme. O clube está tratando esses mais de trinta dias de treinamentos como uma espécie de ponto de virada. Como a oportunidade definitiva para estabilizar o time, recuperar jogadores e fazer o modelo de jogo finalmente funcionar. A aposta está feita. O Grêmio escolheu confiar no projeto. Agora resta saber se o campo vai confirmar essa confiança quando a bola voltar a rolar.