Enquanto Paulo Pelaipe garante que o Grêmio encerrou as contratações nesta janela de transferências, os bastidores seguem bastante movimentados. Se não chegam mais reforços, a tendência é que os próximos dias sejam marcados por negociações de saída, algumas por questões técnicas e outras por necessidade financeira.
Um dos nomes que entrou na pauta é o do volante Léo Pérez. Contratado junto ao Huracán no início da temporada por cerca de US$ 2,8 milhões (aproximadamente R$ 15 milhões na cotação da época), o argentino pode estar de malas prontas para retornar ao futebol de seu país. O Racing procurou o Grêmio para discutir um empréstimo, e o clube gaúcho vê a operação com bons olhos.
O motivo vai além do desempenho discreto do jogador. O Grêmio ainda deve cerca de US$ 4 milhões ao próprio Racing pela contratação de Nardoni. Um acordo envolvendo Léo Pérez ajudaria a reduzir parte dessa dívida e aliviar o fluxo financeiro do clube. O problema é convencer o volante. Pessoas próximas ao jogador indicam que ele gostaria de seguir no futebol brasileiro, mesmo sem ter conseguido se firmar em Porto Alegre.
A verdade é que Léo Pérez recebeu oportunidades e não conseguiu aproveitar. Quando entrou, pouco acrescentou ao time de Luís Castro e perdeu espaço rapidamente. Se o Grêmio conseguir transformar um atleta hoje sem perspectiva de utilização em uma redução de dívida, dificilmente deixará essa oportunidade passar.
Outro caso praticamente encerrado é o de Kike Oliveira. O Nacional, do Uruguai, chegou ao limite de US$ 1,5 milhão para contratar o atacante, mas ouviu um “não” da direção gremista. O Grêmio exige pelo menos US$ 3,5 milhões para abrir negociação e não pretende reduzir essa pedida.
A posição do clube faz sentido. O Tricolor ainda precisa quitar cerca de US$ 2 milhões ao Los Angeles FC pela compra do jogador. Ou seja, vender por US$ 1,5 milhão significaria assumir prejuízo em uma contratação que já deu errado dentro de campo. Kike quer deixar o Bahia e voltar ao Nacional, chegou até a cogitar ressarcir o clube baiano pelo empréstimo, mas isso pouco muda o cenário para o Grêmio. A direção cansou da sequência de pedidos para trocar de clube e deixou claro que só libera mediante compensação financeira.
Se havia expectativa por mais reforços, Paulo Pelaipe praticamente colocou um ponto final no assunto. Em entrevista antes da partida contra o Mirassol, o executivo confirmou que o croata Krovinovic será a última contratação da janela. Assim, o Grêmio encerra o mercado com cinco reforços: Diego Caito, Walace, Jovane Cabral, Krovinovic e Matheus Nascimento.
E, sinceramente, faz sentido. O clube investiu dentro das possibilidades e, principalmente, acertou em contratações pouco badaladas. Diego Caito e Walace chegaram sem grande repercussão e rapidamente conquistaram espaço entre os titulares, mostrando que nem sempre o melhor reforço é o mais caro.
Enquanto a porta de entrada se fecha, a de saída continua aberta. João Pedro já foi comunicado oficialmente de que não faz parte dos planos da comissão técnica e recebeu autorização para procurar outro clube. O lateral tem contrato até o fim de 2027, mas dificilmente voltará a vestir a camisa gremista. A tendência é que a rescisão seja encaminhada nos próximos dias.
A situação é semelhante à de Willian. O acordo para a rescisão está praticamente concluído e resta apenas a formalização dos documentos. Será mais uma saída custosa para os cofres gremistas, mas considerada inevitável pela direção.
Já os casos de Amuzu e Pavón são diferentes. Ao contrário de Willian e João Pedro, os dois seguem sendo importantes para Luís Castro e continuarão sendo utilizados normalmente. O problema não está no presente, mas no futuro.
Nos bastidores, o Grêmio já deixou claro que não pretende atender às pedidas salariais para renovação. Pavón recebe atualmente entre R$ 700 mil e R$ 800 mil e deseja aumento. Amuzu, que já ganha perto de R$ 1 milhão, teria uma pedida próxima de R$ 1,5 milhão mensais. A direção considera esses valores incompatíveis com a nova política financeira do clube.
O recado é bastante claro: quem quiser permanecer terá que reduzir a pedida. Caso contrário, o ciclo será encerrado ao fim dos contratos, mesmo que ambos continuem sendo peças importantes dentro de campo.
A impressão é que o Grêmio entrou em uma nova fase de gestão. Depois de anos apostando em contratos elevados e investimentos pesados, a direção tenta reorganizar a folha salarial e evitar repetir erros recentes. Isso explica por que o clube fecha a janela de reforços antes do prazo e, ao mesmo tempo, trabalha intensamente para enxugar o elenco e aliviar compromissos financeiros.