Mantos do Futebol
·14 de maio de 2026
As primeiras camisas da Copa do Mundo de 2026 mostram para onde vai o design do futebol

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A Copa do Mundo de 2026 ainda não começou, mas uma de suas primeiras batalhas já vem sendo disputada há meses longe dos gramados, mais precisamente nos estúdios de design da Nike, Adidas e Puma. A primeira grande leva de lançamentos chegou entre novembro e dezembro de 2025 e, observando o que as marcas apresentaram, fica claro que essas camisas querem ser muito mais do que uma combinação bonita de cores, escudos e detalhes técnicos.
Se há uma conclusão clara depois de analisar os primeiros lançamentos, é que as marcas abandonaram, de forma quase unânime, o design genérico de template para apostar em algo muito mais específico e pessoal. Cada uniforme tenta contar algo sobre o país que representa, e essa mudança é a característica mais marcante desta geração de camisas de Copa do Mundo.
A Espanha é um bom exemplo desse movimento. O uniforme da Adidas recupera as listras verticais vermelhas e amarelas que evocam diretamente a bandeira nacional, com uma linguagem visual que remete aos uniformes mais celebrados dos anos 90. A própria marca explicou que essas listras se inspiram no escudo e nas cores nacionais, embora o interessante seja que a camisa também não precise de muita explicação para funcionar. É uma camisa que fala de história sem precisar explicá-la, combinando nostalgia com uma clareza visual que poucos uniformes deste ciclo são capazes de alcançar.
O México segue uma lógica parecida, embora com resultados mais complexos. O uniforme da Adidas recupera elementos da icônica camisa mexicana da Copa da França de 1998, considerada uma das melhores da história do futebol, com elementos pré-hispânicos em textura, tom sobre tom e um grande escudo da águia dominando o centro do peito. Abaixo da gola, a frase “Somos México” aparece como declaração de identidade. O problema é que o primeiro design vazado não convenceu a torcida, o que obrigou a Adidas a modificá-lo. Isso, paradoxalmente, mostra até que ponto a comunidade futebolística acompanha o processo de design com uma atenção que antes era reservada aos próprios jogos.
A camisa da Alemanha tem um peso especial nesta Copa do Mundo porque será o último uniforme da seleção fabricado pela Adidas antes do fim do contrato, em 2027. E dá para perceber que a marca quis se despedir deixando algo com valor histórico. O design está cheio de referências as fases gloriosas da seleção alemã, com losangos repetidos, formas de chevron e uma combinação de preto, vermelho e dourado que aparece nos ombros como um gráfico geométrico bastante reconhecido.
O trevo da Adidas também volta ao lado direito do peito pela primeira vez em 36 anos, um detalhe que talvez passe despercebido por parte do público mais jovem, mas que muitos torcedores vão reconhecer imediatamente como um aceno carregado de memória.
A seleção francesa optou por um caminho narrativo diferente, olhando para o país anfitrião em vez de olhar para a própria história. O uniforme principal presta homenagem à Estátua da Liberdade, o símbolo mais reconhecido da relação cultural entre França e Estados Unidos. A lógica de conectar a identidade da equipe ao contexto do torneio é inteligente do ponto de vista editorial e funciona bem como peça de conversa, algo que em 2026 é tão importante quanto, ou até mais, do que o desempenho esportivo da própria camisa.
Olhando para o panorama completo, há um padrão bastante evidente: os anos 90 estão de volta por toda parte. A Adidas executa isso de forma mais explícita com Alemanha e Espanha, mas a Nike também trabalha essa nostalgia em seus uniformes ao incorporar padrões geométricos que evocam os uniformes mais celebrados da marca sem reproduzi-los literalmente.
O Brasil protagonizou a polêmica mais chamativa de todo o ciclo. A Nike queria lançar uma camisa vermelha sob a etiqueta Jordan em vez das cores tradicionais da Canarinha, e a reação da torcida foi tão contundente que a ideia acabou descartada. O design final mantém o amarelo de sempre, com um padrão geométrico da bandeira brasileira em relevo sobre o tecido, mantendo intacta a mística de uma seleção cuja simples presença movimenta o mercado de Copa do Mundo apostas, por ser sempre a rival a ser batida graças ao seu peso histórico.
Por trás de toda essa carga cultural há uma camada de inovação técnica que as marcas priorizaram mais do que nunca, em parte por causa das condições climáticas esperadas durante o torneio no verão norte-americano. A Adidas lança a tecnologia Climacool+ em todos os seus uniformes do mundial, uma evolução do sistema HEAT.RDY do Catar 2022, com zonas estratégicas de ventilação e materiais ultraleves. A Nike responde com sua tecnologia Aero-FIT, que usa design computacional e tecido especializado para regular a temperatura corporal.
Além disso, tanto Nike quanto Adidas incorporaram materiais reciclados na fabricação de suas camisas, dentro de compromissos de sustentabilidade que já não funcionam apenas como mensagem de marketing. Em 2026, o público espera que as grandes marcas falem de performance, design e responsabilidade ambiental ao mesmo tempo, portanto esse aspecto também faz parte da competição.







































