Ata notarial reforça denúncia de irregularidades em reunião do Conselho Deliberativo do Corinthians | OneFootball

Ata notarial reforça denúncia de irregularidades em reunião do Conselho Deliberativo do Corinthians | OneFootball

In partnership with

Yahoo sports
Icon: Central do Timão

Central do Timão

·30 de março de 2026

Ata notarial reforça denúncia de irregularidades em reunião do Conselho Deliberativo do Corinthians

Imagem do artigo:Ata notarial reforça denúncia de irregularidades em reunião do Conselho Deliberativo do Corinthians
  1. Por Larissa Beppler | Redação da Central do Timão

A reunião extraordinária do Conselho Deliberativo do Corinthians, realizada na última segunda-feira (23), por convocação do presidente Osmar Stabile, tornou-se alvo de questionamentos formais diante de indícios de irregularidades na condução e no desfecho dos trabalhos. O episódio, que envolve a tentativa de afastamento do presidente do colegiado, passou a integrar uma denúncia encaminhada ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP).

A Central do Timão teve acesso à ata notarial que embasa a representação apresentada por Romeu Tuma Junior contra Osmar Stabile. O documento, dotado de fé pública, registra de forma detalhada os acontecimentos da reunião e aponta indícios de condução irregular após o encerramento formal da sessão.


Vídeos OneFootball


Imagem do artigo:Ata notarial reforça denúncia de irregularidades em reunião do Conselho Deliberativo do Corinthians

Foto: Reprodução/Corinthians

Lavrada em 25 de março no 4º Tabelião de Notas da Capital, sob responsabilidade do substituto Antonio Canheu Filho, a ata descreve, de forma cronológica, os fatos presenciados por um escrevente que acompanhou a reunião no Parque São Jorge a pedido de Tuma.

De acordo com o documento, a sessão foi aberta às 19h02 por Maria Angela Ocampos, primeira secretária do CD, que assumiu a presidência dos trabalhos em razão da ausência do presidente e do vice do Conselho Deliberativo. Ainda na abertura, a conselheira questionou a legalidade da convocação da reunião pelo presidente da diretoria, e apontou possíveis violações ao Estatuto Social do clube e ao Regimento Interno do colegiado.

Segundo a ata, Maria Angela declarou que a pauta, que envolvia o julgamento de um conselheiro, não poderia prosseguir sem manifestação prévia da Comissão de Ética e Disciplina. Diante do que classificou como “desobediência flagrante” às normas internas e à legislação, decidiu encerrar a reunião.

O documento registra que, após o anúncio do encerramento, o ambiente foi tomado por discussões e manifestações de conselheiros, com interrupções e questionamentos à condução da sessão. Entre os presentes, houve contestação à legitimidade da presidência exercida por Maria Angela, além de pedidos para que outro membro da mesa assumisse os trabalhos.

Apesar do encerramento declarado pela presidente da sessão, a ata notarial aponta que a reunião teve prosseguimento. Conforme o relato, já sem a condução formal da mesa, o presidente da diretoria Osmar Stabile abriu votação para deliberar sobre o afastamento provisório de Romeu Tuma Junior da presidência do Conselho Deliberativo.

Ainda conforme o documento, a votação resultou em 115 votos favoráveis ao afastamento, 15 contrários e sete abstenções. A ata registra que, após a apuração, a reunião foi encerrada às 21h06.

Outro ponto relevante registrado na ata é a manifestação pública de Maria Angela após deixar o local. Em declaração concedida à imprensa durante o andamento dos fatos, a conselheira reiterou que havia encerrado a sessão por considerá-la irregular e afirmou que a continuidade ocorreu sem respaldo estatutário.

Segundo Maria Angela, ela foi interrompida pelo conselheiro vitalício Rubens Gomes, que tentou retomar a sessão com a presença do segundo secretário do CD Denis Piovesan, filho do diretor financeiro da gestão de Osmar Stabile, Emerson Piovesan.

Ele [Rubão] entrou lá e já começou a gritar, começou a vir para cima da mesa, aí eu não fiquei lá dentro. Tô saindo, para ir embora. Eu saí porque eu encerrei a reunião, porque a reunião está totalmente irregular, não está de acordo com o Estatuto. Eu encerrei a reunião, eles não concordaram e eu estou indo embora“, afirmou Maria Angela Ocampos à imprensa, em declaração que também foi registrada na ata notarial.

Por sua natureza jurídica, a ata notarial possui presunção de veracidade quanto aos fatos constatados pelo tabelião ou seu preposto, sendo instrumento frequentemente utilizado como meio de prova em procedimentos judiciais e investigações. No caso, o documento integra a denúncia apresentada por Tuma ao MP-SP, que deverá avaliar a legalidade da convocação da reunião, a legitimidade de sua continuidade após o encerramento formal e a validade das deliberações tomadas.

A controvérsia gira, principalmente, em torno de dois pontos: a validade da convocação da reunião extraordinária e a legitimidade da continuidade dos trabalhos após o encerramento formal declarado pela presidência da sessão. A interpretação desses elementos poderá ser determinante para a validade ou nulidade das deliberações tomadas naquela noite.

Até o momento, o clube não se manifestou oficialmente sobre o teor da ata notarial nem sobre os desdobramentos da denúncia no âmbito do Ministério Público.

Veja mais:

Tuma não reconhece afastamento e diz que permanece na presidência do Conselho do Corinthians

Sob acusação de irregularidade, Conselho vota afastamento de Tuma em reunião tumultuada

Presidência do Conselho invalida convocação da diretoria do Corinthians para votar afastamento de Tuma

Convocação do Conselho por Stabile é comparada a caso judicializado na gestão de Andrés Sanchez em 2011

Saiba mais sobre o veículo