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·26 de março de 2026
Athletico 102 anos: entre a ruptura e a consolidação

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·26 de março de 2026

O Club Athletico Paranaense completa 102 anos nesta quarta-feira em um cenário bem diferente daquele de sua fundação, em 1924, quando surgiu da união entre International e América, em Curitiba.
Na época, o objetivo era ganhar força dentro de um futebol ainda regionalizado. O Athletico conseguiu. Tornou-se competitivo no Paraná ainda nos primeiros anos, acumulando títulos estaduais e consolidando presença local.
Mas por décadas, o clube ficou restrito a esse espaço.
Enquanto equipes do eixo Rio-São Paulo construíam torcida nacional e empilhavam conquistas, o Athletico atravessava um caminho mais lento, marcado por oscilações esportivas e limitações estruturais.

Em 1949, um time ofensivo e dominante chamou atenção no Campeonato Paranaense. A imprensa passou a chamá-lo de “Furacão”. O apelido ficou e atravessou gerações.

Mais do que um rótulo, virou um traço permanente: intensidade, agressividade, imposição. Mesmo nos períodos em que os resultados não vinham, esse perfil seguiu presente.
Durante boa parte do século XX, o Athletico esteve distante do protagonismo nacional.
Sem a força política, financeira e de torcida dos grandes centros, o clube não conseguia competir de forma consistente em âmbito nacional. Em alguns momentos, sequer se mantinha estável.
Esse ponto é essencial para entender o que viria depois. O Athletico não cresceu a partir de uma base consolidada, como Flamengo ou Corinthians. Cresceu a partir da reconstrução.

A mudança de patamar começa nos anos 1990 e não com títulos.
O clube reorganiza sua estrutura administrativa, profissionaliza a gestão e decide investir em infraestrutura. A reconstrução da Arena da Baixada, inaugurada em 1999, simboliza esse novo momento.

Enquanto boa parte do futebol brasileiro ainda operava de forma improvisada, o Athletico adotava uma lógica mais próxima de empresa: planejamento, controle financeiro e visão de longo prazo.
Esse movimento não gera impacto imediato dentro de campo, mas cria as condições para o salto seguinte.

O título do Campeonato Brasileiro de 2001, sob comando de Geninho, coloca o Athletico em outro patamar. O time não era o mais técnico do país, mas compensava com intensidade, velocidade e eficiência. Jogava de forma direta, explorando transições e impondo ritmo.

Era um futebol menos elaborado e mais pragmático, suficiente para quebrar a lógica que concentrava títulos nos grandes centros.
Ainda assim, o Athletico não se torna uma potência imediatamente após a conquista. O clube oscila nos anos seguintes, o que reforça uma característica importante: o crescimento não foi linear.
A consolidação do Athletico não vem de uma geração específica, mas de um processo. A partir da década de 2010, o clube começa a construir algo incomum no cenário nacional: continuidade de ideias.
Com Milton Mendes e Paulo Autuori, o time passa a adotar princípios claros:
A passagem de Fernando Diniz amplia essa lógica, aprofundando a construção desde a defesa. Mesmo sem títulos, essas etapas deixam legado. E isso é o que diferencia o Athletico: o clube acumula ideias em vez de descartá-las a cada troca de treinador.

Com Tiago Nunes, o Athletico transforma essa base em resultado. O time passa a combinar organização com agressividade, alternando sistemas e mantendo identidade. Não depende de um único modelo para competir.
Os títulos da Sul-Americana (2018) e da Copa do Brasil (2019) consolidam o clube como protagonista. Mais do que conquistas, o Athletico passa a ser reconhecido como adversário de alto nível em qualquer competição.

Sob comando de Luiz Felipe Scolari, o Athletico chega à final da Libertadores de 2022 com uma proposta diferente. Menos foco em controle, mais em estratégia.
O time se adapta ao adversário, joga com linhas mais baixas quando necessário e aposta em eficiência. Não é um futebol dominante, mas é competitivo. Essa capacidade de alternar modelos sem perder rendimento é um dos sinais mais claros de maturidade.
Aos 102 anos, o Athletico ocupa um espaço intermediário e singular. Não tem o mesmo peso histórico de clubes como Flamengo, Corinthians ou Palmeiras, que construíram sua grandeza ao longo de décadas com títulos e torcidas massivas. Mas também já não pode ser tratado como um clube fora da elite.
Nos últimos anos, o Athletico:
Além disso, apresenta um modelo de gestão mais estável do que muitos rivais tradicionais.
O Athletico chega aos 102 anos sem depender de passado glorioso para se sustentar.
Sua trajetória recente é resultado de escolhas:
No futebol brasileiro, onde ciclos são curtos e decisões muitas vezes são reativas, esse tipo de construção é exceção. E talvez seja esse o principal ponto do clube hoje: o Athletico não tenta ser igual aos grandes tradicionais.
Ele criou um caminho próprio e conseguiu, com ele, chegar ao mesmo nível competitivo.









































