Esporte News Mundo
·23 de setembro de 2026
Atlético-MG define plano para quitar dívidas milionárias e envia para a CNRD

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·23 de setembro de 2026

O Atlético-MG apresentou à Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) um plano coletivo para quitar dívidas com atletas, empresários, clubes e outros credores. A proposta prevê o pagamento integral de um passivo de R$ 43,38 milhões em cronogramas que podem chegar a oito anos. O documento, porém, é alvo de contestações por parte dos credores e ainda aguarda homologação.
O plano foi oficializado em 28 de abril de 2026 e leva as assinaturas do CEO do Atlético-MG, Pedro Daniel, do presidente da associação, Sérgio Coelho, do diretor financeiro, Thiago Ribeiro Maia, do gerente executivo de Planejamento e Relações com Investidores, Gustavo Nogueira Mendes, além dos advogados do clube.
Segundo o detalhamento divulgado pelo ge, o valor total de R$ 43.386.723,82 considera dívidas pendentes e honorários. Desse montante, cerca de R$ 35 milhões são de responsabilidade da SAF, enquanto aproximadamente R$ 8 milhões correspondem a valores anteriores da Associação.
Para justificar a proposta, a SAF cita a dívida superior a R$ 2 bilhões herdada da Associação e afirma ter assumido os valores devidos pela instituição. O clube também aponta dificuldades no fluxo de caixa e a necessidade de adequação ao novo Sistema de Sustentabilidade Financeira do Futebol Brasileiro.
Como funcionará o pagamento?
O Atlético-MG propõe quitar integralmente os débitos por meio de cronogramas individuais de até 96 meses, ou seja, oito anos. Os pagamentos serão mensais, com o saldo de cada dívida corrigido pelo IPCA.
A proposta também estabelece um piso semestral de amortização de R$ 4 milhões. Caso a soma das parcelas pagas durante um período de seis meses fique abaixo desse valor, o clube deverá realizar um aporte complementar para atingir o mínimo estabelecido.
Outro mecanismo previsto é a destinação de 5% dos valores líquidos recebidos pelo Atlético em premiações esportivas para o pagamento dos credores. As receitas provenientes dos contratos de transmissão não entram nessa regra.
Os valores provenientes dos aportes complementares e das premiações serão distribuídos igualmente entre os credores que ainda tiverem saldo devedor.
Apesar da previsão de pagamento integral das dívidas, parte dos credores apresentou objeções ao plano. O Atlético-MG tem até o fim desta semana para responder aos questionamentos e pode fazer alterações na proposta.
Entre as reclamações está o entendimento de que o clube teria condições de antecipar os pagamentos. Alguns credores citados pelo ge questionam investimentos realizados pelo Atlético no mercado de transferências e também na construção de um novo prédio para as categorias de base.
Na avaliação desses credores, os investimentos indicariam a existência de recursos que poderiam ser utilizados para reduzir os débitos em prazo menor. Eles também demonstram preocupação com a possibilidade de outros clubes adotarem mecanismos semelhantes para alongar dívidas.
O plano reúne cobranças envolvendo clubes, jogadores, ex-atletas, ex-funcionários, empresas e agentes, incluindo valores relacionados a compras e vendas de direitos, além de obrigações trabalhistas decorrentes de rescisões.
O Atlético-MG, por sua vez, argumenta que a proposta oferece previsibilidade aos credores e evita que medidas como um possível transfer ban prejudiquem a capacidade competitiva da equipe e, consequentemente, a geração de receitas necessárias para o pagamento das dívidas.
Atlético-MG recebeu advertência da ANRESF
Mesmo após protocolar o plano, o Atlético-MG foi advertido publicamente pela Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF). O órgão entendeu que a apresentação da proposta não substitui o pagamento de parcelas que já estão vencidas.
O clube pediu o arquivamento da advertência, mas a ANRESF manteve o entendimento de que havia irregularidade. A agência, entretanto, considerou a boa-fé e a primariedade do Atlético e aplicou a advertência pública como sanção mínima.
Com a decisão, o clube terá que comprovar a regularização dos débitos, sob risco de sofrer punições mais graves.















