Clube Atlético Mineiro
·23 de fevereiro de 2026
Atlético x América: coletiva de imprensa com Lucas Gonçalves

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·23 de fevereiro de 2026

Pergunta: Queria que você falasse sobre as substituições, principalmente Scarpa e Maycon, e por que das escolhas de Igor Gomes e Bernard, sendo que o América buscava o empate e o Galo tinha dois volantes no banco de reservas – Patrick e Tomás Perez – e também por que o Cissé ficou fora do banco de reservas…
LUCAS GONÇALVES: A ideia era também não mexer demais na estrutura da equipe. Embora eu até concorde que a equipe baixou o bloco para defender, até para ganhar espaços nos contra-ataques. Não estávamos sofrendo muito finalizações, o América não nos dava muito perigo. Dessa forma, entendemos que, manter a estrutura que tínhamos modificados no intervalo, e que nos deu maior condição no jogo, ao invés de ter dois volantes para defender, e acabamos jogando com um volante só, que era o Maycon e o Alan Franco mais à frente, para manter essa estrutura, com os jogadores de mesma característica, não traria muito o América para cima da gente. Essa baixada de bloco nos daria chance de contra-ataque. Tivemos chances para fazer o segundo gol.
Entendo que o lance do gol do América foi uma jogada isolada. Não tinha chance clara para o América anteriormente. A saída do Cissé também foi pela montagem do banco, dentro de características, tínhamos outros dois volantes no banco, que eram o Patrick e o Perez. Mas a gente entende que não havia necessidade de entrar um outro volante, o Alan Franco faria essa função e o Igor Gomes faria a meia, que era a função dele.
Pergunta: Fale sobre a dificuldade defensiva do Atlético em 2026, sofrendo gol em quase todo jogo. E isso é um problema no mata-mata. Não é só a linha defensiva, é o comportamento defensivo do time todo. O quanto isso te preocupa?
LUCAS GONÇALVES: É algo que vem sendo recorrente. A gente tenta corrigir isso, dando mais equilíbrio para a equipe. Nesse próprio jogo, sendo jogo de mata-mata, chega determinado momento do jogo que buscamos o segundo gol, uma vantagem de 2 a 0. Difícil também o fato de tomarmos muito gol, e fazer um primeiro gol no início do segundo tempo, buscar uma estratégia defensiva.
Naquele momento, então se a gente tira jogadores de frente para colocar volantes, ou tentar linha de cinco, provavelmente isso traria o América para cima da gente, e poderíamos ter tomado o gol antes. Nesse tipo de situação, é importante o equilíbrio, não deixar de ter força ofensiva para buscar o 2 a 0, mas também não nos expor demais. Tivemos chances de fazer o segundo gol, duas chances com o Hulk, uma outra com o Victor Hugo, um chute do Bernard que ele conduziu para dentro com a perna esquerda, poderia ter conduzido um pouco mais. O resultado poderia ter sido 2 a 0, 3 a 0. É a busca do equilíbrio, nem tanto para frente para se expor, e acabamos tomamos o gol de forma recorrente, e diante da nossa Arena MRV, do torcedor, buscar o segundo gol que nos daria uma vantagem maravilhosa para o segundo jogo.
Pergunta: Contratamos o Cassierra e o Alan Minda há um tempo. E esses atletas não jogam pelo Atlético, não entram. Quando eles irão ter uma adaptação esportiva e até cultural com os companheiros? E por que eles não entram?
LUCAS GONÇALVES: Eles entraram no jogo anterior (contra o Itabirito), com bastante tempo para jogar. Cada jogo tem uma história, uma maneira de pensar as substituições. São características de jogadores diferentes. O Cassierra é um jogador centroavante de área, não vi hoje situações que vi em outros momentos de bastante cruzamento, linha de fundo, para termos maior presença de área. Não acredito que tenha tido problemas para a gente usar um jogador do perfil do Cassierra. Estávamos dando campo para o América e tínhamos espaço para o contra-ataque. O Scarpa conseguiu transições, colocamos o Cuello para ter velocidade. Infelizmente, não saíram tantas situações por aquele lado. Depende muito da leitura do que o jogo apresenta. O Minda é jogador de velocidade.
Mas a gente queria manter a estrutura, de ter um jogador por dentro, com Igor Gomes, e o Bernard um pouco mais aberto, sendo um meia. E flutuando um pouco por dentro, ele vinha de fora para dentro, como foram as melhores jogadas do Victor Hugo. Acredito que isso melhorou a equipe no intervalo, dentro da mudança que fizemos. Se é algo que está funcionando, vamos tentar manter a mesma característica dos jogadores. Claro, em outra leitura, esses jogadores vão ser utilizados, estão se adaptando, mas estão prontos para jogar, como foi no último jogo, com o Cassierra fazendo gol, o Minda tendo oportunidades. Naturalmente, eles serão aproveitados.
Pergunta: Sobre transições ofensivas e defensivas, na sua visão, faltam peças? Faz parte da característica desse elenco? Ou falta trabalho?
LUCAS GONÇALVES: É questão de tentar organizar e buscar uma equipe mais equilibrada. Não são problemas que não possam ser corrigidos, os jogadores têm características, dentro do elenco, de mais virtudes de mais marcação, outros de transição ofensiva, velocidade, o próprio Minda, o Cuello, o Dudu. São jogadores de velocidade. Então, as características estão no elenco.
É como saber usar as peças nos momentos do jogo, porque o jogo se modifica o tempo todo e mostra como temos que agir. Hoje não foi diferente. Isso vinha acontecendo, talvez em alguns momentos que era recorrente a gente acabava expondo demais e sofrendo transição, como em vários jogos aqui na nossa Arena. Até acho que o gol que sofremos hoje não foi de transição, foi de uma lateral em que a bola estava com a gente. Até aceleramos um pouco, estávamos montados defensivamente, uma bola longa, perdemos a disputa. A bola fica no pé do jogador que atacou a nossa linha de quatro, tocou para o lado, e o outro atleta foi feliz na finalização.
Não ficamos expostos, pelo menos não deu a sensação que iríamos levar o gol, que o Everson fazia uma grande defesa, que eles estavam perdendo alguns gols. Eu posso considerar como um lance isolado.
Pergunta: Queria ir além dos últimos dois jogos. Você enquanto membro da comissão técnica fixa no Atlético, como você faz para imprimir sua digital, tendo em vista que o grupo está nessa transição de treinador que vai embora e outro que está para chegar? E mais do que isso: como um membro da comissão técnica do Atlético que tenta entender os atletas no dia a dia, encara o clube, a rigor, trocar de técnico a cada seis meses?
LUCAS GONÇALVES: Faz parte de nossa função, por termos trabalhado com muitos treinadores, vamos pegando características de cada. Obviamente eu tenho algumas preferências, mas eu tenho que me adaptar ao treinador que chega. E quando eu estou dando esse suporto nesse trabalho com o treinador, discutimos, damos opinião, tentamos ajudar, mas também percebemos as dificuldades que a equipe vinha tendo com o treinador que saiu, identificar o mais rápido possível e trabalhar para melhorar. Justamente, aquilo que falei antes, a questão do desequilíbrio, tentamos equilibrar para não sofrer situações de transição, mas não é uma mudança tão rápida.
Cabe a nós, com a chegada de um novo treinador, apresentar as características do novo elenco, falar o que vinha acontecendo, as dificuldades que esse elenco vinha passando, as virtudes. E entender o mais rápido possível qual é a ideia do novo treinador, para conseguir dar essa ajuda e contribuir para ele conseguir implementar a sua ideia de jogo, para não perder tempo e que a equipe volte a dar a resposta o mais rápido possível.
É uma cultura do futebol brasileiro, trocas seguidas de treinadores. Entendo que o Clube está buscando criar uma identidade com o treinador, ás vezes o resultado não vem. A torcida é exigente, e tem que ser. Clube como o Atlético precisa ter resultados. Sabemos que, quando não vem, quem acaba sobrando é o treinador.
Pergunta: A gente sabe das suas limitações de tempo de trabalho, da transição. Mas qual o seu desejo de deixar sua marca? Sabendo que o Atlético está fazendo prédio de três pavimentos, gastando R$ 10 milhões na estrutura da base, precisando colocar a base para jogar. Hoje, não havia nenhum atleta da base relacionado pro jogo. Qual a mensagem que a gente passa?
LUCAS GONÇALVES: Eu entendo que a gente vem evoluindo na base, não podemos pular etapas. Estamos trabalhando com o grupo de transição, com o próprio Cissé. Estão buscando o espaço no dia a dia, nos treinamentos. Um tempo atrás, nós sofremos com a base, alguns resultados, fomos criticados. Eu, particularmente, atribuo a minha função acompanhar de perto, assisto a todos os jogos da base, estou em contato constante com o diretor, coordenadores, treinadores. Isso é um processo que deve ter um tempo certo para acontecer. E jogos como esse, temos uma montagem de banco para entender característica de jogadores (repórter interrompe e faz nova pergunta)…
Não é questão de hierarquia. Os jogadores que se destacam nos treinamentos, obviamente, não vão ficar de fora do jogo. Estamos observando eles, estão ganhando maturidade por treinarem ao lado de jogadores mais experientes. São jogadores jovens ainda, e aos poucos a gente precisa ir colocando para ir ganhando mercado.
Pergunta: Queria falar sobre Júnior Santos. Ele foi relacionado no último jogo e não apareceu hoje. Houve alguma lesão? Faz parte dos planos do Atlético para 2026? Ou ele está sendo preparado para uma possível transferência?
LUCAS GONÇALVES: Ele teve uma possibilidade de empréstimo, por isso não foi para os outros jogos. Quando isso não ficou certo, levamos ele para o último jogo, também diante de uma montagem de banco, porque precisávamos de uma vitória de qualquer forma contra o Itabirito, por isso uma ideia de um banco ofensivo, levamos mais atacantes. O jogo de hoje, de ida de semifinal, em que não haveria decisão hoje, pensamos num banco mais equilibrado, mais jogadores de meio de campo, foi mais uma escolha técnica.
Pergunta: A gente viu que o Atlético, principalmente nas mudanças do segundo tempo, teve boas associações no meio de campo, inclusive foi assim que saiu o gol. Depois, o Atlético perdeu um pouco esse tipo de associação. Foi o América que conseguiu marcar bem o Hulk? Ou o time sentiu algum desgaste?
LUCAS GONÇALVES: Acho que até uma característica que o jogo apresentava. Para explicar um pouco, tivemos a ideia de construir com uma linha de quatro e dois volantes lado a lado, que eram Alan Franco e Maycon. Isso aconteceu no primeiro tempo. O América veio com uma linha de cinco, e sabíamos dessa possibilidade, porque jogaram assim contra o Cruzeiro e no fim do jogo contra nós. Estávamos preparados. Tivemos dificuldade no primeiro tempo, de ter essas associações, que não aconteciam com tanta frequência. No intervalo, a modificação que fizemos, foi de deixar o Maycon como primeiro volante, empurrou o Franco para frente, para ficar lado a lado com o Scarpa, preenchendo mais as costas dos volantes do América.
Deu muito certo, início do segundo tempo foi muito bom. Foi em bom período do segundo tempo que tivemos esse controle. Em determinado momento, perdemos energia, e a equipe abaixou o bloco. O jogo apresentou um cenário no qual a maneira de chegar no gol seria dessa mesma forma. Não eram mais associações, não estávamos empurrando o América, abaixamos um pouco mesmo sem a gente querer. Talvez a principal jogada no gol seria pela profundidade, jogadores de velocidade, como o Cuello. Tivemos chance de fazer o gol dessa forma. Foi mais o que o jogo acabou demonstrando do que propriamente a falha em fazer essas associações.
Pergunta: Você citou o primeiro volante, talvez seja a posição mais falada no Atlético em 2026. A gente vê que o Maycon tem a característica de ser a transição, ser mais vertical, passe que quebra linha. Na minha opinião, ele é o único que faz isso. Quando ele sai e fica o Alan Franco de primeiro homem, o Galo deixa de ter profundidade. Você vê assim também? O Perez tem essa característica?
LUCAS GONÇALVES: O Maycon é exatamente essa característica, volante de construção, que consegue, jogando de primeiro volante, ter qualidade de passe, tanto em bolas por dentro como diagonais longas. Quando o jogo pedia isso, ele saiu muito bem. Em determinado momento do jogo, o bloco abaixou, não estava mais sendo um jogo de achar passe, até tentamos com o Maycon ainda. Mas, talvez, o caminho era errado para aquilo que o jogo nos mostrava, que era o espaço atrás das costas da linha de cinco do América.
Então, também, o Maycon, comparando com o Franco, o Franco é um jogador que consegue ter mais destruição na marcação, não é um volante tão construtor. Então, colocamos ele como primeiro volante, justamente para brigar, porque o América lançava bolas mais longas, e ele seria esse jogador da segunda bola, por ser jogador de intensidade, e tentar recuperar para acelerar com os jogadores de velocidade que tínhamos na frente. O recurso técnico do Maycon já não estava sendo tão eficiente naquele momento. E, claro, colocar mais energia. Já era 30′ do segundo tempo, precisávamos dar uma oxigenada na equipe.
Sobre o Tomás Perez, é um volante que joga como primeiro, tem características técnicas, jogador de bom passe, que dificilmente perde a bola sob pressão, tem recurso para isso, chegou há pouco tempo, estamos observando ele no dia a dia, mas justamente nessa característica, parecido com o Maycon.
Pergunta: Qual a chave para o Atlético ter mais constância?
LUCAS GONÇALVES: Eu acho que esse tem sido o desafio de buscar justamente esse equilíbrio que citamos antes. O equilíbrio dentro de cada partida. Quando você faz um primeiro gol, sustentar o resultado, não sofrer o gol e fazer o segundo gol sem dar muita chance para o adversário. Isso gera confiança, que gera melhores sequências de resultado. A partir do momento que você faz 1 a 0 e sofre o empate de 1 a 1, o que vem sendo frequente, até a confiança dos jogadores… Isso pode criar uma desconfiança e impactar na sequência de bons resultados. Precisamos buscar o equilíbrio em cada jogo para, então a partir daí, ter sequência de bons resultados.
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