Jogada10
·10 de agosto de 2026
Barrado na Copa, árbitro somali vai apitar final de peso na Europa

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·10 de agosto de 2026

Dois meses após ter sido impedido de entrar nos Estados Unidos e, por consequência, de participar da Copa do Mundo como árbitro, o somali Omar Artan viverá um momento marcante. Isso porque ele comandará a final da Supercopa da Uefa entre Paris Saint-Germain e Aston Villa, na próxima quarta-feira (12), em Salzburg (Áustria).
A trajetória de Artan até esse palco europeu foi repleta de obstáculos. Órfão de pai desde cedo, iniciou sua carreira apitando partidas de bairro e ligas escolares até alcançar a elite do futebol somali. Hoje, figura entre os principais árbitros da África.
“Tive sorte, mas trabalhei muito para estar aqui e estou muito orgulhoso. Cresci em uma situação difícil, mas isso não me impediu de perseguir meus sonhos. Esta será minha primeira partida na Europa. Ter aventuras, criar memórias e aprender coisas novas é sempre ótimo”, declarou ele ao site da Uefa.
“Quando recebemos essa ligação, foi realmente um momento muito, muito feliz para mim e minha família. Existe uma grande comunidade somali na Europa e na Áustria, e eles estão nas nuvens comigo apitando uma partida dessas”, acrescentou.

Omar Artan integra o quadro da Fifa desde 2018 – Foto: Facebook @OmarAbdulkadirArtan
Artan contou com um impulso extra graças a uma cooperação recente entre Uefa e CAF (Confederação Africana de Futebol). Em abril, as duas entidades firmaram um acordo estratégico que abrange diferentes áreas do futebol, entre elas o setor de arbitragem. Essa parceria abriu espaço para que árbitros africanos, como o somali, recebessem mais oportunidades em competições europeias, fortalecendo a integração entre os continentes e ampliando o intercâmbio de profissionais.
Desde 2018, ele integra o quadro da Fifa. E sete anos depois, em 2025, recebeu o reconhecimento como o melhor árbitro do continente africano. Sua convocação para a Copa do Mundo, aliás, representava um marco histórico, já que seria o primeiro somali a atuar na competição. Contudo, ao desembarcar nos Estados Unidos, foi barrado sob alegações de “supostas ligações com grupos terroristas”.
O somali relatou, em entrevista ao The New York Times, que passou por interrogatório de cerca de 11 horas, ficando em cela separada até sofrer deportação para Istambul.
“Estou muito, muito desapontado. Sou apenas um árbitro tentando viver seu sonho, o maior sonho da minha vida, vir para a Copa do Mundo. Acho que eles [Estados Unidos] têm um problema com meu país. Eu tinha os papéis certos e tudo. Eu tinha o visto correto”, afirmou o árbitro.
Apesar do episódio traumático, Artan foi recebido com festa em seu país e, pouco depois, anunciado pela Uefa como árbitro da Supercopa. A escolha também reflete a parceria firmada em abril entre Uefa e CAF, que prevê cooperação em diversas áreas, incluindo a arbitragem.

Omar Artan chegou ao seu país natal como herói nacional – Foto: Reprodução
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