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JB Filho Repórter

·28 de agosto de 2026

Bastidores que sabemos do levante dos jogadores do Inter que se negaram a concentrar pro Gre-Nal

Imagem do artigo:Bastidores que sabemos do levante dos jogadores do Inter que se negaram a concentrar pro Gre-Nal
  • O Internacional teve um problema sério de bastidor horas antes do primeiro Gre-Nal da Copa do Brasil. Os jogadores se reuniram com representantes do departamento de futebol e comunicaram que não aceitariam fazer a concentração prevista para o clássico enquanto existissem valores em atraso com o elenco. A situação já foi confirmada publicamente tanto pelo presidente Alessandro Barcellos quanto por Gabriel Mercado, que falou sobre o assunto depois do empate no Beira-Rio. No fim, o Inter cancelou a concentração e agora colocou como prioridade absoluta regularizar os pagamentos aos atletas.
  • Existem versões diferentes sobre exatamente quanto está atrasado. Inicialmente surgiu a informação de dois meses de direitos de imagem. Depois, falou-se em aproximadamente dois meses e meio considerando valores repactuados anteriormente. Uma terceira versão aponta algo próximo de 45 dias, com parte da dívida envolvendo direitos de imagem e também compromissos relacionados a férias e 13º que ficaram para trás. O detalhe exato muda conforme a composição, mas o principal está confirmado: existe dinheiro devido aos jogadores.
  • E foi justamente isso que provocou a reação do elenco. O planejamento inicial era semelhante ao adotado pelo Grêmio: treinamento na véspera, deslocamento para o hotel e concentração até a hora do clássico. Os jogadores se reuniram e chamaram representantes da direção e do departamento de futebol para comunicar que não fariam isso enquanto o clube não estivesse cumprindo integralmente seus compromissos financeiros. A posição foi basicamente de que todos continuariam treinando, entrando em campo e cumprindo suas obrigações esportivas, mas que o Inter também precisava cumprir as suas.
  • Nem todos dentro do grupo pensavam exatamente da mesma maneira. A informação é de que Alan Patrick preferia manter a concentração, inclusive por entender o tamanho da repercussão negativa que uma decisão dessas poderia gerar às vésperas de um Gre-Nal. Gabriel Mercado, por outro lado, teria sido uma das lideranças favoráveis à posição mais dura diante da direção. Como acontece em qualquer elenco numeroso, houve opiniões diferentes, mas a decisão coletiva acabou sendo pela não concentração.
  • Isso também ajuda a explicar por que Mercado foi um dos jogadores que falou publicamente depois da partida. Ele confirmou que existem valores em aberto e não tentou esconder a situação. Barcellos também admitiu o problema em entrevista coletiva. Portanto, já não existe muito espaço para tratar o episódio como especulação. Houve uma manifestação do elenco, existiam atrasos e a rotina antes do clássico foi alterada por causa disso.
  • Agora vem a parte mais importante: a direção decidiu mudar suas prioridades financeiras. O Inter já sofreu um transfer ban relacionado a Juninho e sabe que outras cobranças podem surgir, inclusive envolvendo negociações como Carbonero e outros compromissos internacionais. Só que, neste momento, a intenção é não utilizar o pouco dinheiro disponível para resolver imediatamente todos esses bloqueios. Como a janela de transferências está perto do fim e a possibilidade de Alex Arce ficou muito distante, o clube pretende concentrar recursos para colocar em dia aquilo que deve aos próprios jogadores.
  • Isso praticamente encerra qualquer expectativa de uma grande contratação nesta janela. Alex Arce já era uma operação complicada pelos valores pedidos pelo Independiente Rivadavia e agora ficou ainda mais difícil. O Inter entende que precisa juntar algo que pode chegar à casa dos R$ 10 milhões ou R$ 15 milhões para regularizar os compromissos com o elenco. Antes de buscar mais um reforço ou sair pagando cada cobrança externa que resultar em transfer ban, a prioridade passou a ser quem está diariamente no vestiário.
  • Para levantar esse dinheiro, o clube procura diferentes caminhos. Patrocínios pontuais são uma alternativa, como já aconteceu recentemente, e uma classificação contra o Grêmio para a semifinal da Copa do Brasil também representaria uma entrada importante de premiação. Além disso, não está descartada a possibilidade de buscar novos empréstimos bancários para melhorar o fluxo de caixa e conseguir colocar os atrasados em dia.
  • É uma decisão compreensível diante da crise, mas também mostra a gravidade da situação financeira colorada. O Inter chegou a um ponto em que precisa escolher qual dívida pagar primeiro. Se prioriza um clube estrangeiro para retirar um transfer ban, falta dinheiro para outro compromisso. Se prioriza o elenco, aceita conviver temporariamente com novas punições da FIFA. E agora os jogadores colocaram sua própria cobrança na mesa e obrigaram a direção a reorganizar essa fila.
  • Existem explicações apresentadas pelo clube para a dificuldade de caixa, como perda de receitas comerciais e problemas de arrecadação ao longo da temporada. Só que chega um momento em que as justificativas já não resolvem. A atual gestão está há anos comandando o Internacional e conhecia o cenário financeiro que enfrentaria. Não dá para tratar todo problema como algo inesperado.
  • O episódio antes do Gre-Nal é talvez o retrato mais claro disso. Não foi simplesmente uma discussão administrativa sobre quando os jogadores deveriam dormir no hotel. Foi um elenco cobrando dinheiro atrasado e utilizando a concentração como forma de demonstrar sua insatisfação. O Inter entrou em campo normalmente, os atletas cumpriram seu papel esportivo e empataram o clássico em 0 a 0. Mas o problema que aconteceu antes da bola rolar continua existindo.
  • Agora a direção promete priorizar o pagamento dos jogadores, mesmo que isso signifique conviver com novos transfer bans e adiar outras dívidas. É uma escolha de emergência para tentar preservar o vestiário. E quando um clube precisa escolher entre pagar quem está jogando ou quem está cobrando na FIFA, fica bastante claro o tamanho da dificuldade financeira no Beira-Rio.
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