Território MLS
·02 de julho de 2026
Bélgica busca reação histórica, vence Senegal na prorrogação e avança às oitavas da Copa do Mundo

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Depois de sair perdendo por 2 a 0 e estar muito perto da eliminação, a Bélgica encontrou forças na liderança de Youri Tielemans, na entrada decisiva de Romelu Lukaku e na raça de Diego Moreira para vencer Senegal por 3 a 2 na prorrogação e garantir vaga nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026.
Foi uma das maiores viradas da história recente em Copas do Mundo e um roteiro que inevitavelmente trouxe lembranças da histórica classificação sobre o Japão em 2018.
🏆 Copa do Mundo 2026 — 16 avos de final 🏟️ Lumen Field, Seattle 📺 Transmissão: SBT, Globo e CazéTV ⚽ Placar: Bélgica 3×2 Senegal
O início da partida mostrou rapidamente que a Bélgica teria problemas.
Rudi Garcia optou por iniciar a partida com um meio-campo formado por Youri Tielemans, Hans Vanaken e Kevin De Bruyne, sem um volante de marcação de origem. A escolha até fazia sentido diante da Nova Zelândia, quando a Bélgica precisava vencer e golear uma seleção claramente inferior, mas parecia extremamente arriscada diante de um Senegal físico, intenso e muito veloz nas transições.
Os primeiros minutos confirmaram exatamente esse receio.
A primeira oportunidade até foi belga. Kevin De Bruyne encontrou Hans Vanaken entre as linhas e o meia escorou de primeira para Charles De Ketelaere. A jogada terminou com uma sobra para o próprio De Bruyne finalizar de fora da área para defesa do goleiro senegalês.
Mas a resposta africana foi imediata.
Após erro de Brandon Mechele em uma tentativa de interceptação aérea, Senegal conseguiu acelerar pela esquerda e encontrou espaço às costas da defesa belga. O cruzamento passou por Courtois, que saiu muito mal do gol, e Ismaila Sarr acertou a trave praticamente em cima da linha.
Pouco depois, Idrissa Gueye aproveitou uma sobra na entrada da área para obrigar Courtois a trabalhar novamente.
Aos 24 minutos, o gol finalmente saiu. Sadio Mané venceu Timothy Castagne pela esquerda e cruzou para a área. Ismaila Sarr desviou de cabeça, a bola bateu na trave e, no rebote, Habib Diarra apareceu de carrinho para abrir o placar.
O 1 a 0 ainda era pouco para aquilo que o Senegal produzia.
A equipe africana continuou explorando exatamente os mesmos espaços, principalmente pelo lado esquerdo da defesa belga e pelo corredor central, onde faltava um jogador de marcação capaz de proteger a dupla de zaga.
Em uma bela tabela entre Mané e Diarra, o camisa 10 senegalês apareceu novamente na cara do gol e obrigou Courtois a fazer mais uma defesa importante.
Já perto do intervalo, a Bélgica finalmente conseguiu dar sinais de reação. Kevin De Bruyne dominou uma bola de peito com enorme categoria e encontrou Jeremy Doku, que partiu para cima da marcação e conseguiu um cruzamento rasteiro desviado que quase surpreendeu o goleiro senegalês.
Na cobrança de escanteio seguinte, Maxim De Cuyper recebeu curto, cortou para dentro e finalizou com muito perigo, levando a melhor chance belga na primeira etapa.
Mas o início do segundo tempo trouxe exatamente o cenário que a Bélgica queria evitar.
Logo nos primeiros minutos, Sadio Mané apareceu novamente pela esquerda e encontrou Habib Diarra infiltrando dentro da área. O volante finalizou para fora, mas novamente levou muito perigo.
O segundo gol veio aos 50 minutos.
Moussa Niakhaté aproveitou a linha defensiva alta da Bélgica e lançou entre Arthur Theate e Brandon Mechele. Ismaila Sarr dominou no peito de forma espetacular e finalizou sem qualquer chance para Courtois ampliar a vantagem senegalesa.
Aquela altura, a eliminação parecia muito próxima.
Rudi Garcia então promoveu mudanças importantes. Nicolas Raskin finalmente entrou para dar equilíbrio ao meio-campo, enquanto Romelu Lukaku assumiu o comando do ataque belga.
A partida passou a ganhar contornos cada vez mais emocionais.
Brandon Mechele recebeu cartão amarelo após uma entrada dura e, pouco depois, Lamine Camara também acabou advertido após falta forte em Hans Vanaken.
Durante a parada para hidratação, a situação parecia piorar ainda mais para os belgas. Leandro Trossard e Youri Tielemans discutiram de forma bastante intensa e precisaram ser separados pelos companheiros, com Lukaku assumindo um papel importante para acalmar os ânimos.
Mesmo sem grande organização, a Bélgica começou a empurrar Senegal para trás muito mais na base da raça do que da técnica.
Aos 77 minutos, Dodi Lukebakio cortou da direita para o meio e finalizou colocado, levando perigo ao gol africano.
O início da reação veio aos 85 minutos.
Diego Moreira recuperou uma bola praticamente perdida na dividida, Meunier apareceu pela direita e cruzou de primeira para Romelu Lukaku empurrar para as redes em seu primeiro grande momento na partida.
Era o gol de número 92 do maior artilheiro da história da seleção belga e, mais importante do que isso, era o gol que recolocava a Bélgica no jogo.
A pressão aumentou imediatamente.
Aos 88 minutos, Leandro Trossard apareceu pela esquerda e levantou a bola na área. Youri Tielemans ganhou da saída do goleiro senegalês e cabeceou para empatar a partida, incendiando completamente o Lumen Field e devolvendo vida à seleção belga.
Ainda houve tempo para a virada no tempo regulamentar.
No último lance dos 90 minutos, Lukaku encontrou Tielemans pela direita, o capitão cruzou para Lukebakio aparecer completamente livre dentro da área, mas a defesa senegalesa conseguiu cortar no momento decisivo.
Sem vencedor no tempo normal, a decisão foi para a prorrogação.
Logo no início do tempo extra, Castagne cruzou, Tielemans deixou passar e Lukaku chegou apenas com a ponta da chuteira para obrigar o goleiro senegalês a fazer boa defesa.
Senegal respondeu em seguida com Bara Ndiaye, que assustou Courtois em uma finalização de fora da área.
Quando a disputa por pênaltis parecia inevitável, surgiu o lance que decidiu a classificação.
Aos 116 minutos, Diego Moreira conseguiu evitar a saída da bola praticamente de carrinho e cruzou para dentro da área. Tielemans chegava para finalizar quando Lamine Camara acertou apenas a perna do capitão belga.
Após revisão no VAR, muito demorada, o árbitro apontou para a marca da cal.
Tielemans assumiu a responsabilidade, cobrou firme no canto e confirmou a virada belga aos 120 +5 da prorrogação, decretando a classificação para as oitavas de final da Copa do Mundo.
O roteiro inevitavelmente trouxe lembranças das oitavas de final de 2018, quando a Bélgica também saiu perdendo por 2 a 0 para o Japão antes de buscar uma virada histórica por 3 a 2 ainda no tempo regulamentar.
O contexto era diferente.
A sensação para o torcedor belga em Seattle, porém, parecia exatamente a mesma.
O capitão carregou a Bélgica nas costas no momento mais difícil da Copa do Mundo.
Além dos dois gols decisivos, Tielemans precisou atuar durante boa parte do jogo em uma função que claramente não é a sua, atuando praticamente como primeiro volante em um meio-campo sem proteção defensiva adequada.
Defensivamente sofreu bastante, como era esperado, mas ofensivamente assumiu completamente a responsabilidade da equipe.
Marcou o gol que levou a partida para a prorrogação.
Sofreu o pênalti da classificação.
E converteu a cobrança mais importante da Bélgica desde a geração de 2018.
Mais uma vez entrou e mudou completamente a história da partida.
Além do gol que iniciou a reação belga, Lukaku participou diretamente da construção ofensiva da equipe e mostrou novamente porque continua sendo o centroavante titular da seleção.
Agora são 92 gols pela Bélgica.
Um número simplesmente absurdo.
Provavelmente a melhor entrada entre todos os reservas.
Trouxe intensidade, agressividade e profundidade pelo lado esquerdo, participou diretamente do primeiro gol e foi dele a jogada que originou o pênalti da classificação.
Uma atuação extremamente abaixo do esperado.
O defensor sofreu durante praticamente toda a partida diante da velocidade dos atacantes senegaleses e esteve diretamente envolvido nos principais lances de perigo criados pelo adversário.
Vale contextualizar que Mechele normalmente atua ao lado de Nathan Ngoy, responsável pela saída de bola e pela construção das jogadas. Desta vez precisou assumir funções diferentes das habituais e não conseguiu responder.
Ainda assim, a atuação levanta dúvidas importantes sobre sua permanência entre os titulares.
Uma menção também para Courtois, que segue fazendo uma Copa do Mundo bastante irregular e distante do nível apresentado em 2018.
A entrada de Nicolas Raskin mudou completamente a dinâmica do meio-campo belga.
Assim como já havia acontecido contra a Nova Zelândia, o volante trouxe intensidade, cobertura defensiva e equilíbrio para a equipe, participando diretamente da melhora de rendimento no segundo tempo.
Hoje parece difícil imaginar Raskin fora da equipe titular.
Além disso, o impacto dos reservas foi decisivo. Lukaku mudou o ataque, Diego Moreira trouxe energia e Lukebakio ofereceu profundidade pelos lados do campo.
Por fim, a principal virtude belga talvez tenha sido justamente a capacidade mental da equipe.
Mesmo perdendo por 2 a 0 em um mata-mata de Copa do Mundo, a Bélgica se recusou a desistir.
Quase tudo deu errado durante boa parte da partida.
A começar pela escalação inicial.
Kevin De Bruyne e Hans Vanaken juntos simplesmente não funcionam em partidas desse nível. São dois jogadores extremamente técnicos, mas lentos defensivamente e incapazes de oferecer a proteção necessária para uma linha defensiva já pouco móvel.
Contra Senegal isso ficou evidente.
Outro ponto de atenção foi a discussão entre Tielemans e Trossard durante a parada para hidratação. O episódio trouxe lembranças ruins dos problemas internos vividos pela geração anterior e é algo que Rudi Garcia precisará controlar rapidamente.
As substituições também geram questionamentos.
Nicolas Raskin precisava entrar.
Romelu Lukaku também.
Mas dificilmente Kevin De Bruyne e Jeremy Doku deveriam ter sido os sacrificados naquele momento da partida.
A classificação veio.
Isso não significa que as decisões tenham sido corretas.
A Bélgica agora aguarda o vencedor do confronto entre Estados Unidos e Bósnia para conhecer seu adversário nas oitavas de final da Copa do Mundo.
A boa notícia para os belgas é que a equipe permanece em Seattle, novamente atuando no Lumen Field.
A má notícia é que atuações como a do primeiro tempo dificilmente serão perdoadas novamente.
Desta vez, a Bélgica sobreviveu.
Nas próximas fases, talvez não exista uma segunda chance.
Imagem de Capa: Reprodução via Getty Images.







































