Jornal do Fla
·24 de setembro de 2026
Betano reage a possível fim das bets e acende alerta no Flamengo

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·24 de setembro de 2026

A discussão sobre possíveis novas restrições ao mercado de apostas ganhou um capítulo diretamente ligado ao Flamengo. Patrocinadora máster do clube, a Betano afirmou acompanhar o cenário brasileiro com preocupação e deixou em aberto quais medidas poderá tomar caso haja mudança nas regras.
“A Betano monitora com muita preocupação a discussão atual no país e tomará decisões no momento apropriado”, afirmou a empresa ao Lance.
A manifestação chama atenção pelo peso do contrato no planejamento rubro-negro. A Betano ocupa a principal propriedade comercial do uniforme e paga cerca de R$ 270 milhões por temporada, em acordo válido até 2028.
O tema está em alta porque Governo Federal avalia mudanças nas regras para apostas on-line. As últimas movimentações indicam uma proibição geral de todas as modalisdade de apostas, incluindo as esportivas, mas nenhuma proibição geral foi formalizada até o momento.
O Flamengo se movimenta publicamente. Nesta semana, o clube participou de manifestações em defesa da manutenção do mercado regulado, com fiscalização mais rígida e combate às plataformas clandestinas. A posição rubro-negra é de que uma mudança abrupta poderia afetar contratos firmados sob as regras atuais.
A preocupação da Betano surge justamente quando o Flamengo começa a discutir alternativas comerciais para um eventual cenário de redução da presença das casas de apostas no futebol.
Em entrevista ao Jornal do Fla, Amir Somoggi, diretor da Sports Value e especialista em marketing esportivo, avaliou que dificilmente uma empresa de outro setor substituiria sozinha os aproximadamente R$ 270 milhões pagos atualmente pela Betano.
Para Somoggi, o caminho passa por ampliar a presença de marcas de setores como tecnologia, serviços financeiros, varejo, telecomunicações, alimentação e streaming, além de desenvolver parcerias com maior capacidade de ativação comercial.
O especialista citou o modelo de Barcelona e Spotify como referência. Na avaliação dele, o Flamengo pode buscar acordos que não sejam medidos exclusivamente pelo valor fixo do patrocínio, mas também pela capacidade de criar produtos, experiências e novas receitas a partir da associação entre as marcas.
“O futebol acompanha com atenção as discussões sobre o mercado de apostas no Brasil e reconhece os desafios que sua expansão traz. Os impactos sociais, especialmente sobre as pessoas mais vulneráveis, exigem atenção permanente do Poder Público, das empresas e de todos os setores envolvidos.
Por isso, é fundamental aprimorar as medidas de proteção, fiscalização, educação e prevenção, para reduzir riscos e garantir um mercado responsável.
O Brasil escolheu enfrentar esse desafio pela regulamentação. A regulamentação estabeleceu regras rígidas para as empresas autorizadas a atuar no país, com regras claras que permitem ao Estado fiscalizar o mercado, responsabilizar quem descumpre a lei e combater a atuação de plataformas clandestinas.
Importante ressaltar que, nos últimos anos, o investimento das empresas de apostas autorizadas tornou-se uma das principais fontes de receita do esporte. Este investimento impulsionou o futebol brasileiro de tal forma a dominar o cenário sul-americano em competições como a CONMEBOL Libertadores e a CONMEBOL Sul-Americana e a colocar clubes brasileiros em posição de protagonismo.
Essa presença não se limita aos maiores clubes. Os recursos também alcançam equipes de menor expressão, divisões de acesso e competições com menor exposição comercial. Para muitas destas agremiações, especialmente aquelas localizadas no interior do país, não existe hoje outro segmento econômico capaz de substituir imediatamente esse investimento.
Essas receitas são fundamentais para manter estruturas administrativas, centros de treinamento, profissionais, projetos sociais e departamentos que não geram recursos suficientes para se sustentar de maneira independente, como parte do futebol feminino e a formação de futuros talentos, os primeiros investimentos ameaçados quando a receita cai de forma abrupta.
Assim, os rumores sobre mudanças abruptas na regulamentação do mercado de apostas têm gerado enorme preocupação em todos os clubes, federações e entidades de administração do esporte. Uma mudança abrupta nas regras reduziria a capacidade de investimento dos clubes e criaria desequilíbrios dentro e fora do país. Contratos regularmente firmados, planejamentos plurianuais e compromissos financeiros foram estabelecidos sob um marco regulatório construído pelo próprio Estado.
Para responder a um mercado que já existia e movimentava ilegalmente bilhões de reais, o país instituiu um ambiente regulado. Empresas foram autorizadas, passaram a recolher impostos e assumiram obrigações relacionadas à proteção do consumidor, ao bloqueio de menores, à prevenção de práticas abusivas e ao combate à lavagem de dinheiro e à manipulação de competições. Foi justamente a regulamentação do mercado que retirou o Brasil da liderança do ranking mundial de casos de manipulação.
Inviabilizar esse modelo não fará com que as apostas deixem de existir. Apenas abrirá o caminho para que os consumidores migrem integralmente para plataformas clandestinas, que não pagam impostos, não respeitam limites, não oferecem instrumentos de proteção e não colaboram com as autoridades.”
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