Jogada10
·26 de abril de 2026
Betinho Marques: Não é sobre vencer, é sobre ser Galo sem harmonização

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·26 de abril de 2026

Todo mundo sabe que o futebol vive de quarta e domingo. E está — ou deveria estar — tudo bem. A questão é: a paixão foi esvaziando o peito e priorizando apenas os bolsos; o sentimento hoje é coisa de “emocionado”.
Diante de tantos protocolos, é foguinho na hora que sai um gol, todo mundo imita os jingles da Champions e cria coisas, às vezes, desconfiguradas da realidade. É muito protocolo e pouca personificação de identidade. É como vender marshmallow num país tropical e esquecer o picolé.
Neste cenário, quase tudo está pronto, inclusive as falas dos jogadores e a forma como reagem; quase tudo é midiático e pouco espontâneo. Espanta quem é humano, surpreende quem age de forma genuína.
E o Galo? Onde está o Atlético? Está lutando contra os “novos tempos” de obsolescência programada. A competição que antes era pra ver quem gritava mais na arquibancada mudou para um desfile de quem tem o manto mais recente do Galudo. Aquele negócio de o time e a torcida serem um composto único está cada vez mais distante.
No campo, antes, o zagueiro precisava “zagueirar”; agora, precisa ser bonito, midiático e, se der, jogar bem. Ou seja, jogar futebol é apenas uma composição supérflua do produto. Falta identidade de Galo em campo, personificação. É cada um por si. O tripé fundamental está dissociado: time, diretoria e torcida estão ilhados, cada um cuidando de si, e o CAM, amorfo, parece um ser estranho que optou pela desarmonização da sua essência.
Não, não é sobre vitórias. E claro que vencer sempre será o ideal. Mas este momento vai muito além: passa por fazer uma busca de autoconhecimento para saber onde o trem descarrilou, arredar o que não tem alma atleticana pra longe, retomar a alegria de ser Galo apenas pelo preto e branco e só aceitar quem tenha a raiz da batalha, da raça e da fome de honra por Minas Gerais.
O Clube Atlético Mineiro sobreviveu às injustiças, ao Gelo, à falta de dinheiro e à segunda divisão, mas não vive sem torcida, sem gente genuína e sem tesão pelo escudo, seja no campo ou na sua administração. Não é sobre vencer todos os dias, é sobre não ter gente estranha desconfigurando os arquivos mais espetaculares da maior instituição de Minas Gerais.
Chegou a hora de resistir ao efêmero e ao efervescente consumismo temporal e resgatar o atleticano genuíno, seja no campo, na gestão ou na arquibancada. Afinal de contas, a obsolescência programada não pode matar um amor de 118 verões. Ah! E se os bolsos do mercado quiserem encher, tudo bem. Faz parte do processo, mas antes preencham o nosso coração bobo e emocionado.
Galo, som, sol e sal é fundamental
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