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·19 de fevereiro de 2026

Bodo Glimt, a sensação europeia que deu o troco na Inter após 48 anos

Imagem do artigo:Bodo Glimt, a sensação europeia que deu o troco na Inter após 48 anos

O Bodo Glimt é uma das maiores surpresas da atual edição da Liga dos Campeões. O clube norueguês somava triunfos contra Manchester City e Atlético de Madrid, os dois primeiros na história do torneio, e deu o troco na Internazionale na partida de ida dos playoffs após 48 anos. E o sucesso é de quebrar recordes, não só na Noruega, mas em toda a Europa.

A equipe disputou a Champions pela primeira fase, só tendo participado anteriormente de fases classificatórias. O sucesso do clube é recente, em escalada nos últimos dez anos, mas a trajetória é longa: com símbolo inusitado, 110 anos de história e um "orgulho" nórdico, o Bodo Glimt superou diversas barreiras até chegar onde está hoje.


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Escalada meteórica

A sensação da Liga dos Campeões 25/26 vem da Noruega. Algo raro, visto que o país só teve um representante no mata-mata do torneio em uma ocasião, quando o Rosenborg chegou às quartas de finais em 96/97. O Rosenborg, inclusive, é a equipe norueguesa que mais venceu jogos no torneio, com 20 triunfos, seguido justamente pelo Bodo Glimt, que chegou às três vitórias com o resultado de 3 a 1 frente à Inter e igualou o Lillestrom

Os três placares positivos do Bodo Glimt foram não apenas neste ano, como nos três últimos jogos, contra Manchester City (3 a 1), Atlético de Madrid (2 a 1) e Inter de Milão (3 a 1). Caso mantenha a vantagem diante dos Nerazzurri, a equipe chegará às oitavas de finais da Champions pela primeira vez, perto de igualar o melhor resultado do país no torneio.

O brilho da atual temporada é construído com nomes de destaque. Formado nas categorias de base do clube, Jens Petter Hauge chegou a defender Milan e Frankfurt antes de retornar à Noruega. Kasper Hogh é o artilheiro da equipe há três temporadas consecutivas. E ambos estufaram as redes contra a Inter. A chave do sucesso é o orgulho nórdico: dos 25 jogadores do elenco, apenas cinco são estrangeiros e só um não é nórdico (três dinamarqueses, um sueco e um russo).

Com futebol intenso, rápido e de pressão, o clube aprendeu a usar o biótipo do atleta nórdico, de força física. A ideia é jogar com a posse de bola e impor alta pressão após a perda de posse. Um estilo similar ao adotado em clubes como City e Liverpool.

O sucesso do Bodo Glimt é gradativo. Na última temporada, o clube chegou à semifinal da Europa League e superou equipes como Braga e Porto no meio do caminho. Apesar do destaque, não faz muito tempo que o Glimt teve seu ponto de virada.

Foi na temporada 16/17 que a equipe virou a chavinha. Promovida à elite com o título da segunda divisão, o time mirava a permanência e contratou o treinador Kjetil Knutsen, que está no cargo até hoje. Duas temporadas mais tarde (18/19), veio o vice-campeonato, melhor posição do Glimt em 15 anos. E o auge veio há pouco: são quatro títulos nacionais nas últimas seis temporadas (2020, 2021, 2023 e 2024), e o vice nas outras duas (2022 e 2025).

Clube modesto e curioso

Fundado em 16 de setembro de 1916, o Bodo Glimt surgiu em uma vila de pescadores acima do Círculo Polar Ártico. É a equipe mais ao norte que já disputou uma edição de Liga dos Campeões. Mas se engana quem pensa que foi fácil chegar até aqui. 

Até 1972, a equipe era proibida a disputar no cenário norueguês do futebol. Por incapacidade de medir forças com as equipes do sul, os clubes do norte tiveram, por consequência, um desenvolvimento muito atrasado. Elas disputavam torneios entre si, sem possibilidade de promoção à elite, enquanto os clubes do sul jogavam os principais campeonatos.

Mesmo ao fim do bloqueio, o Bodo Glimt tinha dificuldades para "sair da bolha". As equipes do norte ainda tinham menos vagas e, até quando terminavam na liderança de suas chaves, eram obrigadas a jogar com equipes do sul pior classificadas para seguir sonhando.

Com nove títulos do torneio do norte, o Glimt pôde então sonhar com o acesso à elite nacional, o que só aconteceu em 1977. E, logo na estreia, o clube surpreendeu conquistando o vice-campeonato. A segunda colocação rendeu uma vaga inédita em um torneio da UEFA, a Recopa Europeia de 78/79, quando venceu o US Luxembourg no primeiro mata-mata e caiu justamente para a Inter, com um 7 a 1 no placar agregado.

O Bodo Glimt adotou a escova de dentes como símbolo. Além da tradicional flâmula, a equipe norueguesa adotou uma tradição de um dos líderes da torcida, que puxava os cantos com a Den Gule Horde (horda amarela, em português) nos anos 70. Então, torcedor funcionário de uma empresa de higiene bucal da cidade solicitou a produção de escovas gigantes personalizadas para que os torcedores levassem ao Aspmyra Stadion, que comporta pouco mais de oito mil pessoas, o que se mantém até hoje.

E a cidade escalou junto com o clube. Nos anos 40, Bodo foi reconstruída após ataques nazistas, o que passou pela instalação de uma base militar da Otan e incentivos governamentais. Mais de 80 anos depois, em 2024, o município foi eleito a Capital Cultural da Europa, com um extenso projeto de desenvolvimento urbano focado no turismo.

Dificuldades ainda persistem

Apesar dos bons resultados recentes, o Glimt ainda tem problemas. O "orgulho nórdico" é uma forma de driblar as dificuldades financeiras para obter resultados. O estádio de menos de dez mil pessoas e as baixas receitas do futebol local não geram rendas suficientes para que a equipe busque jogadores de alto calibre a fim de se reforçar, o que põe as categorias de base e as oportunidades de mercado em foco. Os ganhos dos torneios europeus ajudam, claro, mas ainda não mudam a realidade do clube.

O Bodo Glimt tem uma das menores folhas salariais dentre as 36 equipes que disputaram a Fase de Liga da atual edição da Champions. E também é uma das que menos gastou em transferências, com apenas seis milhões de euros investidos em reforços no começo da temporada europeia. 

Hauge, autor de um dos três gols contra a Inter nesta quarta-feira (18), surgiu na base do clube e, em 2020, foi vendido ao Milan por 4,8 milhões de euros, antes de passar por Eintracht Frankfurt e Gent até retornar ao Glimt em 2025. Um ex-Milan castigando a Inter. As voltas que o mundo dá...

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