AVANTE MEU TRICOLOR
·09 de julho de 2026
BOMBA: Ex-presidente Casares levava em sacola R$ 100 mil por mês dos caixas do São Paulo

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Mais uma grande bomba caiu sobre o São Paulo nesta quinta-feira (9). Segundo relatos de duas testemunhas a Polícia Civil e ao Ministério Público, o ex-presidente do São Paulo, Julio Casares, retirava dos caixas do clube cerca de R$ 100 mil por mês e levava para casa em envelopes e sacolas.
Casares vem sendo investigado pelos órgãos por possíveis irregularidades realizadas durante sua gestão como mandatário do Tricolor, entre janeiro de 2021 a janeiro de 2026. A informação inicial foi publicada pelo portal Globo Esporte.
Em sua defesa, a equipe de advogados de Julio Casares declarou por meio de nota que “tudo se acha regularmente acautelado na Contadoria do Clube” e que as movimentações em dinheiro vivo são referentes à “no mínimo, 172 jogos do São Paulo em diversas competições”.
“O numerário, que transitou pela conta contábil do São Paulo, alocado nas movimentações financeiras em jogos e constante da pasta contábil “adiantamentos em jogos”, foram disponibilizados pela Diretoria Financeira e Contadoria do Clube para serem utilizados em despesas recorrentes de, no mínimo, 172 jogos do SPFC em diversas competições. Ou seja, tudo com destinação certa, específica e formalmente contabilizada”, diz trecho da nota oficial emitida por sua defesa.
As declarações vieram de pessoas, cujo nomes foram preservados, que trabalhavam diretamente com Casares no Tricolor durante todo seu mandato. Entre 2021 e 2025, 35 saques foram computados pelo financeiro do clube, com valor total em cerca de R$ 11 milhões. Outros depósitos em dinheiro somando R$ 1,5 milhão em contas do ex-presidente também são investigados pela Força Tarefa.
“Era um valor variável, acho que uma vez por mês. Isso (acontecia uma vez por mês). R$ 100 mil, R$ 115 (mil), R$ 118 (mil)… R$ 100 (mil), R$ 109 (mil) e R$ 118 (mil). Isso, em dinheiro. Num envelope, dentro de uma pasta ‘polionda’. O envelope vinha fechado, com plástico a vácuo. Então, eu não contava o valor, porque ele já vinha fechado. E tinha um recibo que especificava o valor”, afirmou uma das testemunhas ouvidas.
As justificativas para os valores é que seriam destinados a “ações promocionais” do São Paulo, que nunca foram explicadas ou aferidas. As testemunhas também disseram que Julio afirmava que o dinheiro era para “adquirir ingressos”, também nunca relatado formalmente.
“Ele comprovava com o recibo que era encaminhado. É um recibo de aquisição de ingresso, que é o que ele fazia. Eles mandavam um encaminhamento de ação promocional, que eu não sei qual é a ação promocional. E depois, na cobrança, ele (Julio Casares) (…) assinava um documento… Ele não, o representante dele (assinava), de que eram ingressos adquiridos para dia de jogo. Tem uma série de jogos”, explicou uma das testemunhas.
“Eu não consigo esclarecer. Quem tem que esclarecer isso ao senhor é o presidente. (São) quase R$ 7 milhões. Eu tenho a documentação, o recibo, que foi utilizado para aquisição de ingressos pela presidência. É isso que a gente tem”, disse a testemunha sobre o destino do dinheiro retirado.
“Esse recibo na pasta com dinheiro estava escrito que era para ação promocional. Ele (gerente financeiro) entregava com a pasta e ficava na pasta. Era entregue juntamente com o dinheiro. A via física que vinha com o dinheiro ficava dentro da pasta, não era devolvida”, completou a pessoa ouvida no inquérito.
Como relatado pelo GE.com, as quantias solicitadas por Casares ao departamento financeiro tricolor eram entregues em envelopes na sala da presidência, no segundo andar do Morumbi. Lá, ele guardava em sacolas o dinheiro recebido.
“Às vezes, o presidente falava: “vai chegar um valor”, “já chegou?”, “não, não chegou”, “então veja, por favor, se já está aí, se já vai chegar”. Algumas vezes eu perguntei para o José Luiz (gerente financeiro) ou para o Sergio (Pimenta, diretor financeiro) se estava certo, se havia uma previsão, aí às vezes falavam “não, não vem hoje”, “vem amanhã”. Sim (só perguntava após questionamentos do presidente)”.
“Normalmente, quando acontecia, tinha uma sacola. Para a gente colocar dentro de uma sacola para ele (Casares) levar embora”.
“Em algumas ocasiões veio um recibo, eu me recordo de ter assinado alguma vez, aí até perguntei por que eu tinha que assinar, e depois falaram que não precisava mais assinar. Eu não posso assinar o recebimento de um valor que não fica comigo. Eu não sei se o presidente Julio assinou algum, ou o Marcio (Carlomagno) assinou algum também, e aí depois ninguém mais precisava assinar. Mas eu me recordo que em algumas ocasiões eles assinavam”.
“Fui comunicado que era R$ 100 (mil), R$ 120 (mil), R$ 118 (mil)… Depende do mês. R$ 120 mil, R$ 118 mil… Valores menores… Depende da ação que ele estava proposto (sic) a fazer. Saía como um adiantamento para ações promocionais e depois ele era convidado a prestar contas. Encaminhava um recibo de gastos que fez com aquisição de ingressos”.
“Não (não intermediei esse tipo de entrega financeira). Sim (era uma novidade). Ele pegava de cima da mesa dele. (…) Eu acho que (acontecia) todo mês, ou uma ou duas vezes ao mês, mas não sei precisar quantas vezes. (…) Que eu me recordo, sim (aconteceu desde o primeiro mês da gestão)”.
“A defesa de Julio Casares, representada pelos advogados Daniel Bialski e Bruno Borragine, com vistas a restabelecer a verdade, reitera que todas as movimentações financeiras de Julio Casares possuem origem lícita e legítima.
No tocante a rubrica “ações promocionais”, reitera que tudo se acha regularmente acautelado na Contadoria do Clube. O numerário, que transitou pela conta contábil do SPFC, alocado nas movimentações financeiras em jogos e constante da pasta contábil “adiantamentos em jogos”, foram disponibilizados pela Diretoria Financeira e Contadoria do Clube para serem utilizados em despesas recorrentes de, no mínimo, 172 jogos do SPFC em diversas competições. Ou seja, tudo com destinação certa, específica e formalmente contabilizada.
Com relação a ingressos, esclarece que todos os diretores, conselheiros, coordenadores de grupos políticos, atletas e familiares têm quota determinada de ingressos cortesia para eventos que são sediados no Estádio do São Paulo Futebol Clube. Referidos ingressos, também disponibilizados para fins de relacionamento institucional e comercial, são permitidos pela política do Clube e não possuem valor financeiro.
Por fim, a defesa repudia de forma veemente o seletivo vazamento do conteúdo de investigações que tramitam, por determinação do Poder Judiciário, sob sigilo. Causa estranheza e inquietação que a parcial inobservância do sigilo decretado pelo Poder Judiciário ocorra após o compartilhamento de peças selecionadas com o São Paulo Futebol Clube. De toda sorte, a defesa e seu constituinte confiam na seriedade das instituições e autoridades, que certamente apurarão – e responsabilizarão – os envolvidos
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