Papo na Colina
·23 de setembro de 2026
Bomba nos bastidores: Procurador denuncia gestão Fla-Flu do Maracanã ao MP e defende o Vasco

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·23 de setembro de 2026

Uma representação protocolada no Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) promete mexer com as estruturas do futebol carioca e com a gestão do Maracanã. Datada de 19 de setembro de 2026, a denúncia jurídica foi movida contra o Flamengo, o Fluminense, o Estado do Rio de Janeiro (por meio da Secretaria da Casa Civil) e a concessionária Fla-Flu Serviços S.A.. O documento exige que a Vasco SAF e o Club de Regatas Vasco da Gama sejam imediatamente notificados como partes interessadas para acompanhar de perto a apuração sobre favorecimento indevido e perseguição ao time de São Januário.
Diferente do que muitos imaginaram nos primeiros boatos, a medida não partiu de um juiz ou desembargador, nem foi protocolada pelo departamento jurídico do Vasco. A iniciativa partiu de Phelipe Monteiro Mastra Fontoura, advogado e procurador do Estado de Santa Catarina, que resolveu agir em nome próprio e na condição de cidadão brasileiro. Utilizando sua bagagem jurídica, ele decidiu acionar o Ministério Público fluminense, órgão responsável por fiscalizar se bens públicos estão sendo administrados dentro da lei e defender os interesses da coletividade.
O foco central da denúncia ataca a forma como o complexo esportivo vem sendo tratado pela dupla rival. Embora o estádio pertença ao governo estadual, a gestão da concessionária estaria atuando como se o espaço fosse uma propriedade privada de Flamengo e Fluminense, ignorando que o contrato de concessão proíbe expressamente o uso exclusivo e veta qualquer tratamento preconceituoso ou sem embasamento técnico contra os demais clubes do estado.
O documento detalha que as constantes negativas de datas ao Vasco sempre se apoiam no mesmo argumento: a necessidade de preservar as condições da grama. No entanto, a representação aponta uma incoerência flagrante na rotina de jogos em São Januário e no palco maior da cidade. Enquanto a concessionária barra o Gigante alegando que o piso não aguenta, a dupla gestora realiza maratonas pesadas de jogos com intervalos mínimos, preenchendo a agenda a ponto de esgotar o gramado para depois usar o próprio desgaste como justificativa para fechar os portões para terceiros.
A representação cita um histórico antigo de decisões da Justiça que já desmascararam esse tipo de manobra. Nos anos de 2022 e 2023, os magistrados precisaram intervir para autorizar os confrontos do Cruz-Maltino contra Sport, Palmeiras e Atlético-MG, desmontando os laudos apresentados pela dupla. O caso mais recente aconteceu em agosto de 2026, quando o clube teve o pedido vetado para encarar o Vitória pela Copa do Brasil, sob a alegação de “janela técnica” para recuperar o campo visando a realização da partida da NFL.
Outro ponto de enorme peso jurídico apontado pelo procurador é o desrespeito ao Memorando de Entendimentos que foi assinado em conjunto por Flamengo, Fluminense e Vasco. O termo homologado previa o direito de quatro mandos anuais de campo para o clube de São Januário em 2025 e 2026, além da realização normal dos clássicos estaduais, estabelecendo que qualquer veto só poderia acontecer com base em critérios estritamente técnicos e operacionais comprovados.
A representação resgata inclusive uma manifestação do Tribunal de Justiça do Rio, que já havia alertado que tentar rasgar esse acordo amigável e criar barreiras artificiais configura comportamento contraditório e fere de morte o princípio da boa-fé. Ao barrar as partidas sem apresentar dados incontestáveis, os gestores estariam violando compromissos assumidos na própria licitação pública.

Vasco eliminou o Fluminense na Copa do Brasil dentro do Maracanã – Foto: Matheus Lima/Vasco
O documento protocolado no Ministério Público vai além e pede que sejam passadas a limpo possíveis relações profissionais cruzadas na estrutura de comando. O texto aponta a existência de vínculos entre pessoas que atuam na fiscalização por parte do Estado, integrantes da concessionária e membros ligados ao Flamengo. A denúncia deixa claro que não está acusando ninguém de crime antecipadamente, mas exige que o órgão público investigue se há conflito de interesses capaz de contaminar a imparcialidade das vistorias.
Para encerrar de vez as decisões arbitrárias, o autor cobra que o Ministério Público obrigue a criação de regras claras, transparentes e públicas para o uso do estádio. Entre os pedidos estão a fixação de um intervalo mínimo obrigatório entre as partidas, um teto mensal de jogos para não estourar o piso, a exigência de laudos assinados por agrônomos com Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) e a obrigatoriedade de justificativas por escrito para qualquer recusa.
O procurador solicita a abertura imediata de um inquérito civil para que a concessionária entregue todos os calendários esportivos, os pedidos de uso feitos pelos clubes, cronogramas de obras, relatórios do Verificador Independente e os comprovantes de pagamento das multas já aplicadas pelo Estado. Caso as negativas sem fundamento continuem acontecendo, ele pede que a Promotoria entre com uma Ação Civil Pública para barrar qualquer veto que não conte com laudo técnico independente.
Com a notificação recomendada para a diretoria e para a SAF do Vasco, a expectativa é que o departamento jurídico cruz-maltino forneça todo o histórico de bloqueios sofridos desde 2022. A movimentação abre uma nova frente de pressão contra os abusos no estádio e coloca a concessionária sob a mira das autoridades, reforçando a luta para que o maior palco do futebol brasileiro volte a ser tratado como um patrimônio de todos os torcedores.

Torcida do Vasco quer ter o direito ver jogos do clube no Maracanã – Foto: João Gabriel Alves/Vasco
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