Mantos do Futebol
·11 de julho de 2026
Brasil eliminado nas oitavas de final pela Noruega em 2026: o que deu errado?

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·11 de julho de 2026

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O Brasil perdeu para a Noruega por 2 a 1 no dia 5 de julho de 2026, no New York New Jersey Stadium, em East Rutherford, e foi eliminado nas oitavas de final da Copa pela primeira vez desde 1990, quando caiu diante da Argentina na Itália. A derrota marca uma sequência de seis Copas do Mundo sem título e representa o pior resultado da seleção em 36 anos. Erling Haaland marcou os dois gols noruegueses no segundo tempo, o primeiro de cabeça aos 79 minutos e o segundo de fora da área aos 89, somando sete gols no torneio e empatando na artilharia com Lionel Messi e Kylian Mbappé. Bruno Guimarães desperdiçou um pênalti no primeiro tempo, Endrick perdeu um gol cara a cara com o goleiro e Neymar converteu uma cobrança de pênalti nos acréscimos que não mudou o placar final.
O Brasil, pentacampeão mundial, ficou com 34% de posse num confronto de mata-mata. A estratégia de Ancelotti era exatamente essa: ceder a bola, compactar as linhas e ser perigoso nas transições verticais. Para quem acompanhou o torneio nas plataformas de apostas na Copa e viu o Brasil figurar entre os favoritos ao título até o último minuto, o resultado foi um choque. O plano funcionou na criação de chances, mas falhou onde mais importava: na conversão. A Noruega marcou dois gols em 1,05 xG (Expected Goals ou Gols Esperados, métrica que mede a qualidade de uma chance e a probabilidade de uma finalização resultar em gol); o Brasil marcou um em 2,61 xG, sendo esse gol de pênalti nos acréscimos quando o placar já estava definido.
O técnico Carlo Ancelotti, em sua primeira Copa do Mundo como treinador, reconheceu os problemas sem poupar a autocrítica: “É muito evidente que no meio-campo precisamos de mudanças. Precisamos de jovens talentos, precisamos de jogadores de alto nível para a seleção.” A frase, dita na coletiva pós-jogo, resume o diagnóstico que analistas de todo o mundo fizeram nas horas seguintes à eliminação. Para quem quer acompanhar as apostas e odds do restante do torneio, a Stake Brasil mantém os mercados abertos para as quartas de final em diante.
Nenhum problema da seleção foi mais debatido do que o meio-campo. Casemiro, de 34 anos, foi escalado como titular em todos os jogos, mas chegou ao torneio já em declínio visível. O jornalista Tim Vickery, da BBC Sport, foi direto: “Ancelotti foi refém de Casemiro. Mas a vulnerabilidade do jogador em espaços abertos sempre foi um problema, clara desde o segundo minuto quando a Noruega teve um gol anulado. E então a forma como o Brasil se defendeu foi recuar fundo e assistir a Noruega trocar passes e ganhar confiança.”
Ancelotti chegou a substituir Casemiro no intervalo em dois jogos diferentes, reconhecendo o problema durante o torneio. Mas seguiu escalando o volante como titular. Do outro lado, Lucas Paquetá, que poderia equilibrar o meio-campo, saiu lesionado no jogo contra o Japão e não enfrentou a Noruega. A ausência obrigou Ancelotti a improvisar com Gabriel Martinelli, do Arsenal, tornando o ataque praticamente dependente de saídas rápidas em velocidade, sem criatividade entre as linhas.
“Bruno Guimarães jogou relativamente bem considerando as circunstâncias, mas carregou responsabilidade demais para ser tão efetivo quanto pode ser quando bem posicionado. Toda a responsabilidade do meio-campo recaiu sobre ele, que foi obrigado a defender, ter posse, resistir à pressão e criar chances pelo centro. Era exigência demais”, avaliou Kyle Bonn, do The Sporting News.
Antes mesmo do torneio, Ancelotti havia convocado apenas cinco meio-campistas para o grupo, decisão que Tim Vickery classificou como “uma falha séria”. Quando o lateral Wesley saiu lesionado nos últimos amistosos, o técnico aproveitou a convocação extra para chamar o volante Éderson, do Manchester United, em vez de reforçar outras posições.
A estatística que mais resume a eliminação brasileira não é o placar final, mas sim o desempenho em frente ao gol ao longo de todo o torneio. Excluindo o jogo contra o Haiti, onde o Brasil marcou quatro gols em chances avaliadas em apenas 1,75 xG, a seleção marcou seis gols em oportunidades calculadas em 10,27 xG nos outros quatro jogos. Ou seja, converteu menos da metade das chances que criou quando o nível dos adversários foi mais elevado.
Contra a Noruega, o Brasil teve 33 toques dentro da área adversária, cinco grandes chances e produziu 2,61 xG. Marcou um gol, de pênalti, nos acréscimos, quando o placar já estava definido. O pênalti perdido por Guimarães no primeiro tempo e o gol perdido por Endrick cara a cara com Ørjan Nyland foram os momentos decisivos. “O futebol pune quem não marca. Se você não marca, toma gol, e acabamos tomando”, resumiu Renan Moreira, ator brasileiro presente nas arquibancadas de Copacabana durante o jogo.
Matteo Bonetti, analista do Fox Sports, foi mais incisivo: “Endrick, servido por Vinícius Júnior numa jogada de altíssima qualidade, produziu um primeiro toque tão pesado que precisava de passagem de embarque própria e chutou para fora.”
Poucos temas dividiram tanto a imprensa internacional quanto a convocação de Neymar. O atacante, de 34 anos, havia disputado apenas 27 jogos desde fevereiro de 2023 em função de lesões. Ancelotti havia declarado que não convocaria jogadores sem condições físicas adequadas, mas incluiu Neymar na lista e o escalou num momento decisivo.
Tim Vickery, da BBC, foi o mais contundente entre os críticos: “Num breve jogo contra a Escócia, Neymar pareceu um jogador aposentado que entrou para um jogo de caridade. Foi francamente surpreendente que Ancelotti o utilizou novamente para um jogo real. Sem mobilidade para trabalhar defensivamente, Neymar teve que ser utilizado como centroavante, empurrando Vinícius Júnior e Endrick para as pontas, mais longe do gol, exatamente onde não deveriam estar.”
A inclusão de Neymar como centroavante abriu espaços que facilitaram o serviço para Haaland. O norueguês marcou os dois gols justamente depois que a seleção reorganizou o time com Neymar em campo. O atacante converteu o pênalti final e trocou provocações verbais com o goleiro Nyland antes e depois da cobrança, cena que Bonetti descreveu como “um constrangimento para o ex-astro no crepúsculo de sua carreira”.
Ao deixar o campo, Neymar disse à ge tv: “Tentei, tentei. Agora acabou. Comecei aqui, terminei aqui”, numa referência ao fato de que seu primeiro jogo pela seleção foi naquele mesmo estádio, em 2010, num amistoso contra os Estados Unidos. A frase confirmou o encerramento de sua trajetória internacional.
Stale Solbakken, técnico da Noruega, explicou a estratégia que utilizou contra o Brasil com uma clareza que, em retrospecto, expõe as fragilidades táticas do Brasil: “Nosso plano era manter a posse o máximo possível. Sabíamos que quando tivéssemos a bola seríamos lentos. Sabíamos que tínhamos visto o contra-ataque do Brasil, que é muito rápido, e também sabíamos que quando o Brasil tem a bola no campo ofensivo, empurra Casemiro e Bruno Guimarães para dentro da área. Por isso queríamos neutralizar isso mantendo a bola.”
O Brasil, conscientemente, cedeu a posse para evitar o contra-ataque de Haaland. Mas a Noruega foi exatamente o tipo de adversário que sabe ser paciente com a bola e esperar o momento certo para servir o centroavante. O plano do Brasil se voltou contra si mesmo. “No final, o Brasil foi destruído justamente pela tática que esperava ser seu caminho para o sucesso”, escreveu Bonn.
Antes mesmo do início do torneio, o Brasil perdeu Rodrygo, Eder Militão e Estêvão por lesão. Durante o torneio, Raphinha saiu machucado no segundo jogo e não voltou a jogar. Lucas Paquetá lesionou o isquiotibial contra o Japão. O lateral Wesley estava fora desde os amistosos preparatórios.
A lista de baixas expõe um problema recorrente: quando o elenco titular foi desfalcado, não havia substitutos de mesmo nível. Rayan, de 19 anos, do Bournemouth, foi escalado no lugar de Raphinha. Danilo, de 34 anos, foi escalado na lateral direita após a saída de Wesley. João Pedro, do Chelsea, que marcou 20 gols na temporada pelo clube, ficou fora da lista.
Para Gab Marcotti, da ESPN, o problema vai além das lesões: “O hiato automático de talento entre o Brasil e seus adversários, que existiu por tanto tempo, não está mais lá. A Noruega não ia a uma Copa desde 1998, mas oito dos jogadores que entraram em campo no domingo disputaram a Liga dos Campeões na temporada passada, um a mais do que o Brasil.”
Ancelotti encerrou a coletiva com a serenidade que o caracteriza: “Uma derrota é o começo de uma nova aventura. Temos que continuar melhorando, encontrar novas ideias. Não é um fim, é o início de um novo ciclo.” Já Marquinhos foi mais visceral: “Assumo a culpa. Eu, como capitão, e os jogadores mais experientes, temos que assumir a culpa para que as próximas gerações possam trabalhar com a cabeça livre.”
O Brasil não vence a Copa do Mundo há 24 anos. Depois do domingo, a espera se estende por pelo menos mais quatro.







































