São Paulo
·02 de julho de 2026
Campeão Paulista de 1989

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·02 de julho de 2026

No dia 2 de julho de 1989, o São Paulo empatou por 0 a 0 com o São José, no Morumbis e, por ter vencido a partida de ida por 1 a 0 (gol contra de André Luis) no mesmo local, sagrou-se campeão paulista de 1989 – o 16º título estadual da história do clube.
O Tricolor do técnico Cilinho iniciou o Paulistão de 1989 de maneira inconsistente. Estreou com vitória sobre o XV de Jaú, no Pacaembu (3 a 1), mas na sequência perdeu fora de casa para o outro XV, o de Piracicaba, por 1 a 0. Mesmo após as três vitórias seguidas contra Mogi Mirim, Noroeste e América de São José do Rio Preto, a tranquilidade não veio para ficar: o time emplacou uma sequência bem chata e problemática de quatro empates (com duas derrotas nas disputas de pênalti pós-jogo – uma novidade no regulamento daquela temporada).
Nesse contexto, a diretoria são-paulina promoveu a chegada do treinador Carlos Alberto Silva para o lugar do criador dos Menudos. Nem assim elenco engrenou. Nos seis primeiros jogos do novo comandante, só uma vitória (4 a 0 no Juventus). Nos clássicos, o desempenho também deixava a desejar: empate contra o Palmeiras no Morumbis (1 a 1) e derrotas para o Corinthians (2 a 0 em casa) e para o Santos (2 a 1 no Pacaembu).
As vitórias contra Guarani, São Bento e Santo André, porém, permitiram ao Tricolor classificar-se à segunda fase do torneio dentre os qualificados por índice técnico geral, dentre os dois grupos da competição (a oitava melhor campanha, por assim dizer, dentre 12 times bem-sucedidos).
A segunda fase foi composta de quatro times de três clubes cada e o São Paulo ficou na chave 4, junto a Guarani e Inter de Limeira, não correndo grandes sustos e somando duas vitórias e dois empates, classificando-se em primeiro. Foi nesta etapa que veio a primeira grande zebra da competição, com o Bragantino eliminando o Palmeiras. O São José também surpreendeu e deixou a Portuguesa para trás. O último qualificado para as semifinais foi o Corinthians, que teve que superar o Santos.
No mata-mata, o São Paulo encontrou grandes dificuldades contra o ascendente Bragantino, mas venceu as duas partidas, lá e cá (2 a 0 – com direito a um golaço sem ângulo de Mário Tilico, e 1 a 0). Já o Corinthians, que vencera a primeira disputa em casa por 2 a 0, conseguiu a proeza de perder o jogo de volta para o São José por 1 a 0, no tempo normal, e por 2 a 0 na prorrogação).
Assim, no dia 28 de junho, São Paulo e São José disputaram a primeira partida da decisão no Morumbis. Ao time do interior cabia a vantagem do empate na série decisiva, pois possuía melhor campanha. Contudo, só seriam campeões, assim, se porventura empatassem também nos dois tempos da prorrogação. O Tricolor precisava vencer.
Em pleno inverno da capital paulista, pouco mais de 50 mil torcedores compareceram ao Morumbis naquela noite de quarta-feira para presenciar o que foi um jogo verdadeiramente dramático. Não tanto pela emoção e disputa técnica, mas pelas chances desperdiçadas pelo Tricolor, principalmente no primeiro tempo, em frente a uma equipe aguerrida, mas fortemente fechada – a cada minuto que passava, aliás, mais retrancada.
Contudo, quando faltava bem pouco para o fim da peleja, aos 41 minutos do segundo tempo, o São Paulo foi recompensado por ter sido o único a buscar o jogo. Em lance confuso na área sanjoseense, o próprio zagueiro tocou na bola e a mandou para as redes, abrindo e fechando o placar a favor do Tricolor, que, graças a esse tento, precisaria apenas do empate no jogo de volta.

Para o confronto final, o São Paulo contaria com a volta de Ney ao time titular – ele não jogara a partida anterior por cumprir suspensão pelo terceiro cartão amarelo, no lugar de Mazinho. E, apesar de dores musculares, no caso de Vizolli, e de dores no joelho, no caso de Bobô, ambos iriam para o jogo, mesmo no sacrifício.
No domingo, 17 horas, o Morumbis ficou lotado. Quase 98 mil torcedores aguardavam ansiosos pela chance de presenciar mais um título do São Paulo: seria o quinto estadual conquistado nos anos 1980, que também foram marcados pela obtenção do segundo título brasileiro do clube, no certame de 1986. Um sucesso ali representaria mais uma coroa para o Tricolor: a de rei da década.
Como o São Paulo havia invertido a questão da vantagem, o cenário do jogo se inverteu, em comparação com a primeira disputa. O Tricolor, mais tranquilo em campo, priorizou o setor de meio-campo, mantendo a principal jogada do time, os avanços pelas laterais, com Nelsinho e Zé Teodoro, em resguardo.







Como o grupo são-paulino era mais técnico e bem encaixado em um sistema defensivo seguro, o São José pouco pôde oferecer de risco. Afinal, o time do interior também não queria deixar seus zagueiros desguarnecidos. A situação mudou, porém, no segundo tempo. Disposta ao tudo, ou ao nada, a Águia do Vale partiu para o ataque, oferecendo aos tricolores o que eles mais desejavam: espaço para contra-ataque, principalmente com Mário Tilico, na ponta.
Aos 21 minutos, em cobrança de falta. Edivaldo cobrou falta com perigo, cheio de curva, sobre a barreira: a bola, caprichosa, porém, bateu na trave esquerda do goleiro. O São José não deixou por menos e, quatro minutos depois, acertou o travessão do arqueiro tricolor, Gilmar, após um chutaço de fora da área de Delacir.
Foi a deixa para que os tricolores tomassem conta o ritmo do jogo, de vez. Com o empate na mão, o São Paulo conquistou o campeonato paulista de 1989!
O PRIMEIRO JOGO DA FINAL
28/06/1989São Paulo (SP)Estádio Cícero Pompeu de Toledo – Morumbis
SÃO PAULO Futebol Clube 1 x 0 SÃO JOSÉ Esporte Clube
SPFC: Gilmar; Zé Teodoro, Adílson, Ricardo Rocha e Nelsinho; Vizolli, Bobô e Raí ©; Mário Tilico, Mazinho Loiola (Paulo César) e Edivaldo. Técnico: Carlos Alberto Silva. Gol: André Luís (gol contra), 41/2.
SJEC: Luiz Henrique; Marcelo, Juninho ©, André Luís e Joãozinho; Delacir, Tita (Henrique) e Vânder Luís; Donizete, Tôni e Marcinho (Tonho). Técnico: Ademir Mello.
Árbitro: Dulcidio Wanderley Boschilla. Renda: NCz$261.514,00. Público: 50366 pagantes.

Adílson, Gilmar, Vizolli, Ricardo Rocha, Nelsinho e Zé Teodoro; Hélio Santos (massagista), Mário Tilico, Bobô, Mazinho Loiola, Raí e Edivaldo
O SEGUNDO JOGO DA FINAL
02.07.1989São Paulo (SP)Estádio Cícero Pompeu de Toledo – Morumbis
SÃO JOSÉ Esporte Clube 0 X 0 SÃO PAULO Futebol Clube
SJEC: Luis Henrique; Marcelo, Juninho, Andre Luis e Joãozinho; Delacir, Fabiano (Wilson) e Vander Luis; Donizetti (Henrique), Toni e Tita. Técnico: Ademir Mello.
SPFC: Gilmar; Zé Teodoro, Adílson, Ricardo Rocha e Nelsinho; Vizolli, Bobô (Benê) e Raí ©; Mário Tilico, Ney Bala (Bernardo) e Edivaldo. Técnico: Carlos Alberto Silva

Tião (roupeiro), Adílson, Gilmar, Vizolli, Ricardo Rocha, Nelsinho e Zé Teodoro; Jairo (roupeiro), Hélio Santos (massagista), Mário Tilico, Bobô, Ney Bala, Raí e Edivaldo
A CAMPANHA
Primeira Fase20.02.1989 – 3 X 1 – Esporte Clube XV de Novembro (Jaú – SP)23.02.1989 – 0 X 1 – Esporte Clube XV de Novembro (Piracicaba – SP)01.03.1989 – 3 X 0 – MOGI MIRIM Esporte Clube (SP)04.03.1989 – 3 X 1 – Esporte Clube NOROESTE (SP)12.03.1989 – 4 X 1 – AMÉRICA Futebol Clube (São José do Rio Preto – SP)22.03.1989 – 0 X 0 – UNIÃO SÃO JOÃO Esporte Clube (SP) 2 X 4 pen.26.03.1989 – 0 X 0 – Grêmio Esportivo CATANDUVENSE (SP) 4 X 2 pen.29.03.1989 – 0 X 0 – Grêmio Esportivo NOVORIZONTINO (SP) 8 X 7 pen.02.04.1989 – 0 X 0 – Associação Atl. INTERNACIONAL (Limeira – SP) 0 X 3 pen.05.04.1989 – 1 X 0 – BOTAFOGO Futebol Clube (Ribeirão Preto – SP)09.04.1989 – 1 X 1 – Associação FERROVIÁRIA de Esportes (SP)15.04.1989 – 0 X 0 – SÃO JOSÉ Esporte Clube (SP) 3 X 5 pen.19.04.1989 – 4 X 0 – Clube Atlético JUVENTUS (SP)23.04.1989 – 1 X 1 – Associação PORTUGUESA de Desportos (SP)30.04.1989 – 1 X 1 – Sociedade Esportiva PALMEIRAS (SP)04.05.1989 – 0 X 1 – Clube Atlético BRAGANTINO (SP)07.05.1989 – 0 X 2 – Sport Club CORINTHIANS Paulista (SP)14.05.1989 – 1 X 0 – GUARANI Futebol Clube (SP)18.05.1989 – 1 X 2 – SANTOS Futebol Clube (SP)21.05.1989 – 3 X 0 – Esporte Club SÃO BENTO (SP)27.05.1989 – 1 X 0 – Esporte Clube SANTO ANDRÉ (SP)
Segunda Fase03.06.1989 – 1 X 1 – GUARANI Futebol Clube (SP)08.06.1989 – 1 X 1 – Associação Atlética INTERNACIONAL (Limeira – SP)14.06.1989 – 1 X 0 – Associação Atlética INTERNACIONAL (Limeira – SP)17.06.1989 – 3 X 2 – GUARANI Futebol Clube (SP)
Semifinais21.06.1989 – 2 X 0 – Clube Atlético BRAGANTINO (SP)24.06.1989 – 1 X 0 – Clube Atlético BRAGANTINO (SP)

Por Michael Serra / Arquivo Histórico João Farah







































