Território MLS
·27 de setembro de 2026
Canadá vence Chile em jogo quente com duas expulsões e gol de Jonathan David

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·27 de setembro de 2026

Canadá venceu por 1 a 0 no primeiro jogo do “The Homecoming”; Chile terminou a partida com nove jogadores no BMO Field
O Canadá venceu o Chile por 1 a 0, neste sábado (26), no BMO Field, em Toronto, no primeiro jogo da série “The Homecoming” após a Copa do Mundo. Jonathan David marcou o único gol da partida ainda no início do primeiro tempo, enquanto Lucas Cepeda e Gabriel Suazo foram expulsos pelo lado chileno.
Apesar de oficialmente amistoso, o jogo teve pouco desse clima dentro de campo. Foram disputas fortes, duas expulsões chilenas, Richie Laryea deixando o gramado momentaneamente com o rosto ensanguentado e uma partida que continuou aberta mesmo depois de o Canadá ficar com dois jogadores a mais.
O Canadá começou melhor e teve sua primeira chegada logo aos três minutos. Mathieu Choinière cobrou escanteio curto para Jonathan David, recebeu a movimentação ensaiada de volta e a bola terminou com Jacob Shaffelburg, que apareceu na entrada da área, mas finalizou mal para fora.
Aos dez, o Canadá construiu uma das melhores jogadas coletivas da primeira etapa. Tajon Buchanan ganhou do marcador, tabelou com Jonathan David e abriu para Niko Sigur, que avançou pela direita. A bola voltou para David, que ganhou espaço dentro da área e cruzou para Cyle Larin. O atacante não conseguiu concluir, mas o rebote terminou com Shaffelburg, que parou em Lawrence Vigouroux.
Um minuto depois veio o gol. Shaffelburg voltou a atacar pela esquerda e cruzou rasteiro. Larin conseguiu a primeira finalização, Vigouroux defendeu e, depois de uma sequência de rebotes dentro da área, Jonathan David apareceu para concluir e fazer 1 a 0 aos 12 minutos.
Capitão na ausência de Alphonso Davies e Jonathan Osorio, David usou a camisa 20 na noite em que Junior Hoilett recuperou a 10 e, na comemoração, correu até o banco para buscar a camisa 13 de Derek Cornelius, levantando-a diante da torcida em homenagem ao companheiro lesionado durante o camp.
O Chile começou a encontrar espaços depois do gol. Aos 18, Luc de Fougerolles tentou carregar a bola desde a defesa, foi pressionado e perdeu a posse. Darío Osorio recebeu pela direita, ganhou de Ralph Priso e bateu cruzado, obrigando Dayne St. Clair a fazer boa defesa.
Pouco depois, Marcelino Núñez lançou Gonzalo Tapia nas costas da defesa canadense. O atacante conseguiu chegar na bola mesmo depois do quique atrapalhar a jogada, mas St. Clair saiu rapidamente do gol e fechou o espaço.
O jogo começou a ficar mais físico. Mathieu Choinière fez uma ótima jogada individual, escapando de dois marcadores antes de sofrer a falta. Gabriel Suazo, que reclamou bastante após a sequência, recebeu o primeiro cartão amarelo.
Aos 33, o Chile chegou a empatar. Darío Osorio recebeu após jogada de Lucas Cepeda e colocou a bola na área. César Pérez ganhou pelo alto e Gonzalo Tapia desviou na sequência, mas estava impedido e o gol foi rapidamente anulado.
Dois minutos depois aconteceu o lance que mudou completamente a partida. Lucas Cepeda disputou a bola com Richie Laryea e, já no chão, acertou a chuteira diretamente no rosto do canadense, abrindo um corte próximo ao olho. O árbitro expulsou o atacante chileno diretamente, deixando o Chile com dez ainda no primeiro tempo.
Mesmo em inferioridade, o Chile ainda teve uma chance enorme antes do intervalo. Tapia ganhou de Sigur em velocidade e St. Clair saiu muito longe da área, tentou afastar de cabeça e não conseguiu. César Pérez recebeu com o gol praticamente vazio e tentou encobrir o goleiro canadense, mas mandou para fora.
A segunda etapa começou da mesma maneira. Logo nos primeiros minutos, Darío Osorio aproveitou uma disputa entre de Fougerolles e Tapia, deu um belo toque por cima para colocar a bola à frente e apareceu praticamente cara a cara com St. Clair. A jogada foi excelente, mas a finalização de canhota saiu muito ruim.
E a situação chilena ficaria ainda mais complicada. Aos 50 minutos, Gabriel Suazo, já advertido, subiu para disputar uma bola com Niko Sigur e acertou o adversário com o cotovelo. Recebeu o segundo amarelo e foi expulso, deixando o Chile com apenas nove jogadores.
Curiosamente, com dois jogadores a mais, o Canadá diminuiu o ritmo. Aos 55, Shaffelburg tabelou duas vezes com Jonathan David antes de a jogada passar por Laryea e terminar com Nathan Saliba finalizando de fora da área, perto do gol.
Jesse Marsch começou então a rodar o elenco. Stephen Eustáquio, Promise David, Jovan Ivanišević e Liam Millar entraram pouco depois da marca de uma hora, enquanto Jonathan David, Nathan Saliba, Ralph Priso e Shaffelburg deixaram o campo.
O Canadá seguiu pressionando, mas encontrou dificuldades para transformar a enorme superioridade numérica em gols. Liam Millar conseguiu espaço pela esquerda e criou algumas das melhores jogadas da reta final, enquanto Eustáquio passou a comandar a circulação de bola pelo meio.
Aos 76, Junior Hoilett entrou em campo no lugar de Tajon Buchanan para receber sua homenagem diante da torcida de Toronto. Na mesma sequência de mudanças, Jamie Knight-Lebel substituiu Luc de Fougerolles e Jacen Russell-Rowe entrou no lugar de Cyle Larin.
Pouco depois, Eustáquio abriu o jogo e a bola terminou com Russell-Rowe dentro da área. O atacante ajeitou para Sigur, que encontrou Promise David, mas a tentativa de calcanhar terminou em mais uma defesa de Vigouroux.
O Canadá continuou cercando a área. Liam Millar encontrou Jacen Russell-Rowe pela esquerda, que tentou colocar a bola na pequena área e ela atravessou até Junior Hoilett, que chegou de carrinho no segundo poste e ficou muito perto de marcar em sua noite de homenagem.
A melhor chance canadense da reta final veio com Richie Laryea. Depois de uma construção pela esquerda entre Millar e Eustáquio, a bola chegou ao lateral fora da área e ele soltou uma pancada que explodiu no travessão.
Millar ainda obrigou Vigouroux a trabalhar novamente aos 88. Já nos minutos finais, Choinière cobrou uma jogada curta de escanteio, recebeu de volta de Eustáquio e colocou a bola na área para Jamie Knight-Lebel, que conseguiu o desvio e acertou a trave.
O Canadá pressionou até o fim, mas o gol de Jonathan David permaneceu como o único da partida: Canadá 1 a 0 Chile.
Jonathan David — Melhor jogador em campo. Além do gol que decidiu a partida, criou três chances e voltou a aparecer muito mais com a bola do que durante boa parte da Copa do Mundo. Contra o Chile, David jogou mais próximo de um segundo atacante, em alguns momentos quase como um meia, deixando Cyle Larin como referência mais adiantada.
É uma função que aproveita uma das maiores qualidades de David: tecnicamente, ele é diferente dos outros centroavantes canadenses. O Canadá tem Larin, Promise David e Tani Oluwaseyi para ocupar a área, então, principalmente contra seleções de nível semelhante ou inferior, tirar Jonathan um pouco da referência pode ser uma solução interessante. Ele recebe mais a bola, participa da construção e ainda consegue chegar na área para finalizar.
E teve também uma das imagens da noite. Depois do gol, David foi até o banco, pegou a camisa de Derek Cornelius e levantou para a torcida em homenagem ao companheiro que se lesionou durante a semana.
Liam Millar — Entrou aos 63 minutos e foi um dos jogadores que mais deu trabalho ao Chile no segundo tempo. É claro que existe um contexto importante: quando Millar entrou, o Canadá já tinha superioridade numérica, mas ele aproveitou completamente o espaço que recebeu pelo lado esquerdo, atacando o marcador, buscando o fundo e também cortando para dentro.
A atuação acompanha uma temporada que já vinha sendo muito boa. Millar deixou o Hull City depois de marcar contra o Coventry e participar diretamente da classifiação contra o Stoke na Carabao Cup e, desde que chegou por empréstimo ao Birmingham, soma um gol e três assistências em quatro jogos de Championship.
Millar sempre foi um jogador de muita intensidade, velocidade e capacidade física, mas começa a adicionar cada vez mais objetividade ao jogo. A qualidade técnica nunca foi exatamente uma novidade para um atleta formado no Liverpool; o que faltava era transformar isso com mais frequência em gols, assistências e chances criadas. Contra o Chile, entrou e fez exatamente isso.
Lawrence Vigouroux — O goleiro chileno foi um dos responsáveis diretos por o placar ter terminado apenas em 1 a 0. Já no início, quando ainda eram 11 contra 11, fez uma enorme defesa na finalização de Cyle Larin antes de Jonathan David aproveitar o rebote no gol canadense, além de voltar a aparecer em outros momentos da pressão inicial.
Depois das expulsões, ficou ainda mais exposto e continuou evitando que a superioridade canadense se transformasse em goleada. Em uma noite muito complicada para o Chile, Vigouroux foi uma das poucas seguranças da equipe.
As duas expulsões praticamente impediram que a partida servisse como um teste normal para o Canadá. E para um amistoso elas também não foram boas para Jesse Marsch. Com mais dois jogos ainda nesta Data FIFA e uma vantagem de dois jogadores em campo, não havia motivo para manter a seleção no ritmo físico absurdo que normalmente caracteriza esse time.
Por isso, principalmente no segundo tempo, o Canadá diminuiu. Continuou jogando no campo ofensivo, manteve a linha alta, teve volume e criou oportunidades, mas não foi aquele Canadá de pressão constante e jogo acelerado durante 90 minutos. A partida já estava muito física, teve 34 faltas no total e deixou de ter qualquer clima de amistoso ainda no primeiro tempo.
Mesmo antes das expulsões, porém, o Canadá já mostrava um pouco mais de desleixo do que durante a Copa. Depois do gol de Jonathan David, o time baixou um pouco o ritmo e o Chile encontrou algumas bolas nas costas da defesa, um problema que apareceu bastante durante o desenvolvimento da equipe entre a Copa Ouro e os amistosos de preparação para o Mundial, mas que havia sido controlado durante a Copa.
É um risco natural da forma como Marsch joga. O Canadá posiciona a defesa muito alta e pressiona o adversário constantemente, então precisa de jogadores capazes de defender grandes espaços. Niko Sigur e Ralph Priso não oferecem a mesma velocidade que uma linha com Alistair Johnston, Derek Cornelius e, principalmente, Moïse Bombito consegue entregar, e o Chile conseguiu explorar isso algumas vezes com Darío Osorio e Gonzalo Tapia.
Mas não foi um jogo ruim da defesa canadense, pelo contrário, Luc de Fougerolles e Ralph Priso foram muito seguros com a bola, ajudaram o Canadá a controlar territorialmente a partida e a linha defensiva inteira participou bem da construção. Dayne St. Clair também respondeu quando foi necessário e fez uma boa partida. Essa agressividade é justamente o que tornou a seleção tão competitiva com Marsch. A questão é encontrar o equilíbrio quando os jogadores mais rápidos da defesa não estão disponíveis, e um amistoso como esse serve exatamente para isso.
No ataque, a partida também mostrou um caminho interessante com Jonathan David mais solto. Em vez de ficar preso entre os zagueiros, ele teve liberdade para baixar, receber e acelerar jogadas enquanto Larin ocupava a última linha. Contra adversários que permitem ao Canadá ter mais bola, é uma alternativa que pode continuar aparecendo.
E, fora da parte tática, a noite voltou a mostrar o maior feito do trabalho de Jesse Marsch: esse elenco é muito unido. A homenagem de Jonathan David a Cornelius depois do gol e toda a noite preparada para Junior Hoilett não são gestos isolados. Existe uma hierarquia muito clara nesse grupo e o mais importante, também existe respeito por ela, e os jogadores parecem genuinamente próximos.
Hoilett entrou no segundo tempo para sua homenagem e, mesmo com pouco tempo, ainda mostrou qualidade, chegando perto de marcar no segundo poste. Mas o que superou a chance de gol, foi a forma como todo o elenco viveu o momento. Marsch conseguiu construir uma base humana muito forte, e isso explica também por que o Canadá não precisa usar este pós-Copa como uma reconstrução.
O trabalho ainda não terminou em título, mas já produziu campanhas históricas para o futebol canadense, e isso precisa entrar na avaliação. Para uma seleção com a história do Canadá, algumas dessas campanhas têm um peso muito maior do que simplesmente olhar para uma sala de troféus. O jogo contra o Chile não foi bom futebol, foi truncado, condicionado pelas expulsões e terminou muito diferente do que poderia ter sido, mas a vitória foi completamente merecida e a base que levou o Canadá até aqui continua muito clara.
O Canadá continua o “The Homecoming” na próxima sexta-feira (3 de outubro), quando recebe o Peru no Stade Saputo, em Montréal, às 15h pelo horário de Brasília. A partida também terá uma homenagem a Samuel Piette. Depois, a seleção fecha a janela contra os Estados Unidos, em Minnesota, no dia 6.
O Chile volta a campo na terça-feira (29), contra os Estados Unidos, em St. Louis.







































